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Internet das Coisas e agropecuária andam juntas

Rural é uma das verticais do Plano Nacional de IoT, que deve ser lançado neste mês; tecnologia pode gerar ganho conômico de até R$ 21 bilhões ao setor com contribuição das startups

“A IoT vai favorecer a automação”, diz Natália Koritiaki, da Milch, que trabalha com sensores para o monitoramento do ambiente de criação de bovinos para a cultura leiteira

Está previsto para publicação neste mês de abril o decreto que oficializa o Plano Nacional de IoT (Internet of Things ou Internet das Coisas). O Plano reúne iniciativas para o desenvolvimento da Internet das Coisas no País. As ações também integram a EBTD (Estratégia Brasileira para a Transformação Digital). A agropecuária é uma das áreas com maior potencial de aplicação da tecnologia, tanto que o rural é uma das verticais do Plano Nacional de IoT. Nesta quarta-feira (10), a tecnologia foi assunto na ExpoLondrina, que sediou o IoT Day, evento que ocorre simultaneamente em todo o Brasil, no pavilhão Smart Agro. Startups do ecossistema de Londrina também já oferecem soluções na área.

“A agricultura é uma atividade extremamente importante não só em relação ao impacto no PIB. É uma atividade que permeia todas as regiões do Brasil”, comenta Herlon Oliveira, vice-presidente da Abinc (Associação Brasileira da Internet das Coisas) e diretor da empresa de agricultura digital AgrusData. Para ele, a agricultura brasileira também desenvolveu uma “permeabilidade à tecnologia”, e o Brasil é um País com potencial para “exportar” o conhecimento de IoT aplicado ao setor de agro para todo o mundo.

No Brasil, o ganho econômico potencial estimado que a Internet das Coisas pode trazer ao ambiente rural é de US$ 5,5 bilhões a US$ 21,1 bilhões em 2025, dependendo do grau de adoção que essas tecnologias atingirem. A estimativa consta no relatório da vertical Rural – divulgado em dezembro de 2017 – do estudo “Internet das Coisas: um plano de ação para o Brasil, liderado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), em parceria com o MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações). O objetivo do estudo era propor um plano de ação estratégico para o País na área de Internet das Coisas.

“A oferta de soluções de IoT para a agropecuária conta com empresas globais desse ramo, voltadas para produção de maquinário agrícola. Entretanto, muitas startups brasileiras também vêm despontando e se expandindo internacionalmente, oferecendo diversas soluções de IoT adaptadas ao clima tropical”, diz ainda o relatório.

Um mapeamento das AgTechs (empresas de tecnologia em agricultura) feito pela Startagro, da Esalq-USP e divulgado no estudo do BNDES e do MCTIC, mostrou que a grande maioria dessas startups surgiu há cerca de três anos, atende aos mercados de grãos e cana-de-açúcar e se concentra nos estados do Sul e do Sudeste. Em 2016, surgiram 24 AgTechs no Brasil. A maioria dessas empresas oferece tecnologias de suporte a decisões (56%), software de gestão (50%) e hardware e equipamentos inteligentes (25%). São Paulo tem 50% de todas essas empresas, sendo que Piracicaba abriga 19% delas. Paraná tem 9 startups tecnológicas do setor.

FERRUGEM DA SOJA
Segundo o relatório, existem quatro frentes de aplicação do IoT no campo: produtividade e eficiência, gestão de equipamentos, gestão de ativos/animais e produtividade humana. A Dip8, da Go Agritech, aceleradora de startups da SRP (Sociedade Rural do Paraná), desenvolveu uma estação meteorológica e um aplicativo que auxilia os produtores na tomada de decisão na aplicação de fungicidas. “A estação meteorológica envia os dados para um servidor e o aplicativo tem acesso em tempo real das condições climáticas da propriedade”, explica Lucas Dias, um dos sócios da Dip8. O objetivo é prevenir a instalação da ferrugem na soja. “Para a ferrugem se instalar na soja, ela precisa condições favoráveis.” Para contribuir com a ampliação do alcance da tecnologia, a startup construiu uma estação meteorológica de custo mais baixo para os pequenos produtores. Enquanto no mercado um equipamento como esse custa de R$ 5 mil a R$ 20 mil, a oferecida pela Dip8 custa R$ 3 mil.

BEM-ESTAR ANIMAL
A Milch, também da aceleradora da SRP, trabalha com sensores para o monitoramento do ambiente de criação de bovinos para a cultura leiteira. Os dados são agregados a uma plataforma de gerenciamento nutricional de animais. “Os animais precisam de mais ou menos nutrientes dependendo do ambiente em que estão”, explica Natália Koritiaki, uma das sócias da startup. O aplicativo usa dados de pesquisa do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) e inteligência artificial para chegar aos resultados. Para Koritiaki, a IoT favorece os pequenos produtores, que passam a ter menos custos com mão de obra. “A IoT vai favorecer a automação. O proprietário não precisa estar todo o tempo fazendo o monitoramento. Isso reduz a mão de obra e tentamos baratear os custos para a solução ser acessível para todos.”

Segundo Guilherme Correa, analista de infraestrutura do MCTIC, está prevista uma chamada pública dentro do Plano Nacional de IoT para recursos com foco nas startups que desenvolvem tecnologia de Internet das Coisas para as quatro áreas do plano (Rural, Cidades, Saúde e Indústria).

Tecnologia traz aumento da produtividade

Para Guto Bellusci, CEO da Navis, empresa londrinense com foco em educação na área de tecnologia, a IoT é uma importante ferramenta para o aumento da produtividade do campo e da agroindústria, e traz dados e recursos para a tomada de decisão em diversas áreas. “Desde a logística, gestão de ativos, segurança, medição de parâmetros de produtividade, de condições meteorológicas que vão dar subsídios para tomar decisões acertadas na hora de irrigar, colher, adubar, corrigir o solo”, ele exemplifica. Na opinião do CEO, o aumento da produtividade em algumas culturas pode chegar a 5% com o uso da Internet das Coisas. Bellusci foi um dos palestrantes do IoT Day, na ExpoLondrina 2018.

“A agricultura é uma das áreas que o Brasil tem condições de desenvolver (a IoT) tanto pela necessidade quanto pela capacidade de desenvolvimento, pelas instituições de pesquisa, empresas do setor”, comenta Bellusci. A Navis possui um espaço para desenvolvimento de startups dentro da empresa. Um dos projetos é o de sensorização de estufas de hidroponia. Os sensores captam dados como a umidade das folhas, o pH e a condutibilidade elétrica da água, além da temperatura e da umidade da estufa, explica Gustavo Okano, agrônomo e palestrante do IoT Day. “Os sensores ficam ligados à internet e passam por machine learning (aprendizado de máquina), que ensina que a uma certa temperatura a irrigação tem que ser ligada, por exemplo. A hidroponia é um tipo de cultura que precisa de muito nutriente, e isso pode ser feito à distância, de forma automatizada.”

Fonte: https://www.folhadelondrina.com.br/mercado-digital/internet-das-coisas-e-agropecuaria-andam-juntas-1004402.html

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