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O 5G está chegando, mas o que isso muda nas nossas vidas?

A proposta inicial do novo padrão, claro, é tornar as conexões mais rápidas.

No meio de junho deste ano, o 3GPP, grupo de especialistas das telecomunicações, anunciou a finalização o padrão para o 5G independente, isto é, com possibilidade de lançamento comercial. A expectativa era de que a tecnologia chegasse somente em 2020, mas o grupo se esforçou para adiantar o processo, sendo que a adoção em massa já pode começar no ano que vem. Contudo, o que isso muda nas nossas vidas?

Primeiro que esta novidade abre todo um novo mercado de novas oportunidades de emprego. De acordo com previsões de analistas da indústria, a expectativa é de que, entre 2020 e 2035, a simples implementação da tecnologia possa gerar uma riqueza equivalente ao PIB da Índia. No total, são esperados novos 22 milhões de postos de trabalho em todo mundo com produção econômica na casa de US$ 12,3 trilhões.

A proposta inicial do novo padrão, claro, é tornar as conexões mais rápidas. A Samsung, por exemplo, já começou seus testes com o novo padrão. No ano passado, ela demonstrou a capacidade do 5G com o download de um vídeo em 8K e upload de um em 4K dentro de um trem bala a 200 km/h. Com isso, a empresa diz fornecer um pico de transferência de dados de 20 Gbps, com taxa utilizável pelo usuários de 100 Mbps. Ainda, a tecnologia poderia diminuir a latência em dez vezes e aumentar a capacidade de número de conexões em dez vezes também.

Até o momento, a sul-coreana tem um acordo com a Verizon para aplicação da nova internet nos Estados Unidos, contudo, a AT&T já se mostrou interessada em sair na frente com o 5G ainda no fim deste ano.

Mais conexão

Entretanto, para além de ser mais veloz, vale perceber que a tecnologia também aumenta o número de conexões. Isso quer dizer que mais e mais aparelhos podem conversar entre si. Os cenários em que isso pode ser importante variam bastante, mas os destaques ficam, sobretudo, para internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) e carros autônomos.

Para o IoT,  isso significa não somente conectar coisas dentro de uma mesma casa, como a geladeira sincronizada com a máquina de café, esta com o despertador e por aí vai. Para além disso, é possível conectar dispositivos móveis com a mesma capacidade.

Ainda vale ressaltar que novos comprimentos de ondas desse novo padrão permitem novos espaços para um mercado que está começando a se saturar de conexões. Tal qual uma estrada, quanto mais gente tenta passar pelos mesmos caminhos, mais devagar é o tráfego. Com novas conexões, o fluxo aumenta, bem como a velocidade da internet.

Carros

Já para a o setor automotivo, o surgimento do 5G pode abrir um gargalo recente dessa indústria. O sonho do veículo que não precisa efetivamente de um motorista é ainda uma distante utopia que necessita que todos os carros consigam conversar entre si por uma rede, não só tão rápida quanto o carro, mas também bastante segura para que confiemos nossas vidas nela.

Tal conexão do veículo, portanto, precisa ser dividida em três ambientes separados. O primeiro chamado de V2X (veículo para outras coisas), precisa reconhecer a locomoção em estradas, ruas, vielas, ou seja, seguir o caminho desejado pelo passageiro, sem que bata em obstáculos. Um segundo é o V2V (veículo para outro veículo), para que não somente evitem colisões, como ainda consigam calcular os melhores arranjos que possam prover um fluxo mais eficiente. Por fim, há o V2P (veículo para pessoa), relativo a todas as tecnologias e conexões que o carro pode prover aos seus passageiros e a pessoas que estão fora dele (por exemplo, no caso de carros compartilhados).

Para garantir a segurança, sobretudo relacionada ao ambiente V2X, já há um novo sistema chamado de Comunicação Ultra-confiável e de Baixa Latência (uRLLC, na sigla em inglês). Como o nome pressupõe, a ideia é que este sistema seja à prova de falhas, as quais podem custar a vida de passageiros. Para chegar neste nível de precisão, os engenheiros e técnicos destes carros, drones e outros veículos autônomos vão se utilizar das capacidades da conexão 5G.

Comunicação mais eficiente

Outra possibilidade desse ambiente mais capaz é não somente garantir trocar mensagens no WhatsApp ou subir uma imagem no Instagram de forma mais rápida, mas permitir um avanço considerável no modo como nos comunicamos. Por exemplo, hoje, reuniões feitas em áudio-conferências podem ser transformar em vídeo-conferências dentro de aviões, metrô e até carros (os quais você nem vai mais precisar dirigir). Embora os veículos autônomos pareçam uma visão de um futuro ainda distante, a comunicação mobile por vídeo no padrão 5G é quase que uma garantia.

Nuvem

Por fim, outra nova possibilidade é a utilização cada vez mais possível de processamento em nuvem com plataformas mobile. Se tal tecnologia exige um nível de conexão alto para ser eficiente, a nova tecnologia 5G pode trazer novas propostas para dar um boost em processamento sem necessariamente modificar o hardware do usuário.

Claro que todas estas novidades ainda devem demorar um pouco mais a chegar ao Brasil, sendo que, mais importante que tentar dizer quando, é saber a que custo teremos 5G por aqui. Essa ainda é uma pergunta sem resposta.

Atualmente, estimativas avaliam que serão gastos 200 bilhões de dólares em todo mundo com desenvolvimento de novidades relacionadas ao novo padrão. Obviamente, o retorno disso, deve vir do bolso do usuário.

Fonte: https://canaltech.com.br/telecom/o-5g-esta-chegando-mas-o-que-isso-muda-nas-nossas-vidas-118374/

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