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5G e Internet das Coisas no Cenário Atual

Por Redação ABINC
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Por Emilio Teixeira da Silva Junior

A tecnologia 5G para os sistemas móveis está sendo muito discutida e aguardada no Brasil. Em alguns países, ela já está sendo implementada (EUA, Reino Unido, Coréia do Sul, China, etc.), o que causa ansiedade em relação à quando se dará o início da operação no nosso país. Os motivos dessa ansiedade são algumas características do sistema, quando comparados ao atual 4G: transmissão de dados 10 vezes mais rápida, latência 10 vezes menor, de 10 a 100 vezes mais dispositivos conectados e menor consumo de bateria, em termos gerais.

Entre os serviços que o 5G permite, está o suporte às aplicações de Internet das Coisas (Internet of Things ou IoT). Hoje já temos aplicações de IoT operando nas tecnologias anteriores, que estão em funcionamento (2G, 3G e 4G). Muitas pessoas acreditam que todos esses benefícios de velocidade, latência e capacidade serão aplicados aos dispositivos IoT que estarão operando na tecnologia 5G. Algumas chegam a acreditar que somente com a tecnologia 5G existirá uma IoT com todo o seu desempenho garantido, conforme textos de algumas publicações da imprensa geral e sites de divulgação [1]: “O 5G permitirá ampliar as velocidades de conexão, possibilitando a estrutura necessária para a Internet of Things (IoT), ou Internet das Coisas, ganhar força e tornar-se mais presente no cotidiano brasileiro”.

Em alguns casos, é citada uma ampla gama de serviços que seriam afetados pela falta da tecnologia 5G [2] [3]: “O Brasil corre o risco de atrasar a comercialização da tecnologia 5G, quinta geração da conexão móvel, fundamental para a revolução da Internet das Coisas (IoT), indústria 4.0, agricultura de precisão, assistências médicas remotas e veículos autômatos, entre outras inovações.” Considerando que os prazos da agência reguladora (ANATEL) para a implantação do 5G estão ainda indefinidos, a expectativa de termos IoT no Brasil fica mais distante no tempo e a preocupação aumenta [3]: “Com o 5G, haverá menos problemas de conectividade, o que permitirá que a IoT funcione de fato. Isso deve ocorrer em cinco ou 10 anos.”

Mesmo as citações das fontes governamentais falam de uma forma que deixam a impressão de uma vinculação entre 5G e a implementação da IoT [4]: “Julio Semeghini, secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), ressaltou justamente os desafios encontrados pelo governo brasileiro na implementação da tecnologia. “O que enxergamos é uma visão de oportunidades para todo o país”, afirmou, comentando ainda que existem muitos projetos nacionais de IoT que dependem de tal estrutura funcionando perfeitamente.”

O fato é que já temos muitos sistemas de IoT em operação no mundo todo. Segundo a Gartner [5]: “O mercado de IoT crescerá para 5,8 bilhões de dispositivos em 2020, um crescimento de 21% em relação a 2019. No final de 2019, 4.8 bilhões de dispositivos estarão em uso, um crescimento de 21.5% em relação a 2018.”. Nessa análise foram considerados os segmentos IoT comercial (saúde, edifícios inteligentes, cidades inteligentes, comércio, agricultura, etc.), IoT industrial (utilities, transportes, manufatura, etc.) e o mercado automotivo. Considerando todos os segmentos, esse número pode chegar a 30 bilhões em 2020.

As operadoras de telecomunicações no Brasil não estão esperando o 5G para agir. O CTIO da operadora TIM, Leonardo Capdeville, disse [6]: “O executivo argumenta que ainda há muito investimento a ser feito nos próximos anos no 4G, que é a tecnologia que hoje gera receita para as teles brasileiras.”. E em relação à IoT [6]: “Enquanto o leilão de 5G não acontece, a TIM segue investindo na sua rede 4G. Nesta semana a operadora anunciou a entrada em operação de sua rede NB-IoT em 3 mil cidades. Essa tecnologia é voltada para aplicações de Internet das Coisas (IoT) com baixo consumo de dados, longa vida de bateria e amplas áreas de cobertura.”. Em relação à operadora Claro [7]: “… a operadora foi a primeira a lançar o eSIM, ou a possibilidade de habilitar serviços móveis sem necessidade de um chip físico. Trata-se de um passo importante para oferta de novos produtos para o mercado de IoT e soluções digitais que evitem os custos logísticos da entrega de um chip.” A operadora Vivo apresenta números de mercado [8]: “A Vivo Empresas, segmento corporativo da Telefônica Brasil, registrou a marca de 10 milhões de dispositivos conectados máquina-a-máquina, o que a empresa calcula representar 40% dos dispositivos IoT no país”. Considerando esse dado, podemos dizer que já temos 25 milhões de dispositivos conectados no Brasil. E todos usando as tecnologias já existentes. Este cenário nos mostra a dimensão do mercado, do trabalho de desenvolvedores e empresas, e dos clientes que estão se beneficiando desses sistemas em seus negócios. Grande parte dos dispositivos não precisa das principais características da tecnologia 5G para operar, porque usam pouca banda de transmissão de dados, não dependem da latência e a bateria dura vários anos ou tem outra fonte de energia. Muitos ainda operam na tecnologia mais antiga, o 2G. O 5G é esperado para aqueles casos específicos onde as características como banda e latência são fundamentais. É o caso de veículos autônomos e cirurgias remotas, por exemplo.

A apresentação de projetos com novas tecnologias (algumas delas disruptivas) é um processo com muitas questões críticas, principalmente a análise dos custos e dos benefícios. A visão de alguns e de algumas publicações que exageram a associação entre a existência do 5G e IoT, além de não corresponder à realidade atual, traz uma expectativa equivocada principalmente para tomadores de decisão que não são da área técnica. Eles podem ficar menos receptivos aos projetos de IoT, que já são atendidos com as tecnologias existentes (2G, 3G e 4G) e custos de uma eventual substituição. É fato que todas essas tecnologias não permanecerão ao longo do tempo, mas hoje já temos dispositivos que trabalham com mais de uma tecnologia. Os dispositivos mais antigos poderão ser migrados depois, se for o caso, para a tecnologia 5G. E os benefícios obtidos ao longo dos anos em que os dispositivos tiverem operado na tecnologia atual, estarão garantidos. É importante considerar também que existem os diversos projetos de IoT com dispositivos que não acessam a rede móvel celular, como os projetos que utilizam redes LPWA, redes proprietárias, satélites ou mesmo a rede fixa tradicional. Opções são feitas, conforme as necessidades de cada projeto. Portanto, a hora para implantar a Internet das Coisas é agora.

Sobre o Autor: Emilio é engenheiro eletrônico, com mais de 25 anos de experiência na área de tecnologia. Atuou em empresa fabricante de sistemas para automação industrial, em operadora de telecomunicações e empresa fabricante de equipamentos de rede para telecomunicações. Pós-graduado em telecomunicações, mestre em engenharia elétrica e atualmente pesquisando sistemas para IoT.

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