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Blockchain para além dos bitcoins nas instituições financeiras

Inicialmente desenvolvida para assegurar as transações com bitcoins, a blockchain tem conquistado a confiança de setores financeiros e industriais ao longo dos anos. Isso, é claro, se deve pelas garantias oferecidas pela tecnologia que também podem ser aplicadas em contratos inteligentes e em uma variedade de banco de dados.

No início de 2018, uma carga de soja dos Estados Unidos enviada à China tornou-se o primeiro carregamento agrícola totalmente realizado via mecanismo blockchain. O contrato de venda, a carta de crédito e os certificados foram digitalizados através do sistema, o que possibilitou também redução no tempo de processamento de documentos e dados em cinco vezes.

A tecnologia blockchain já foi usada com sucesso para a realização de negócios em outros mercados, como o de petróleo. A transação envolveu a participação dos usuários na plataforma baseada em blockchain com bancos emitindo e confirmando a carta de crédito.

As grandes instituições bancárias também simpatizaram com a tecnologia e passaram a desenvolver projetos para implementar uma blockchain em seus processos. Mostrando estar atento às possíveis dificuldades que podem levar ao colapso o sistema de transferências interbancárias, o Banco Central do Brasil publicou um estudo que mostra como substituir a plataforma corrente por uma blockchain.

Muito em breve as transferências bancárias internacionais poderão ser realizadas em apenas um minuto. É o que promete a plataforma digital para bancos lançada pela IBM. Com a Blockchain World Wire é possível realizar transações de moedas oficiais em versões digitais que, ao chegar no destino, voltam a ser um ativo real. Com a plataforma também é possível fazer a conversão desejada da moeda.

As transações internacionais utilizam o protocolo Stellar, que envia valores de ponto a ponto. Desse modo, a tecnologia permite reduzir o número de intermediários em transferências do gênero, o que culmina também em menor tempo de efetivação – o processo que poderia levar até 48 horas é concluído em menos de um minuto.

Apesar de ainda estar em fase de testes, a rede de pagamentos já conta com 44 instituições financeiras, 47 moedas diferentes e oferece pagamentos em 72 países. O Bradesco é a única instituição no Brasil que aderiu à tecnologia. Para ser efetivada, a World Wire ainda depende de aprovações regulatórias.

O diretor de tecnologia para blockchain na IBM Brasil Carlos Henrique Duarte, contou que a ideia é criar representações digitais fiéis para as moedas do mundo real. “Isso representa também a tangibilização de algo que hoje vemos conceitualmente: a blockchain. A mensagem que passamos com o World Wire é que ele é real e fará parte das vidas das pessoas cada vez mais”, afirmou em entrevista à Exame.

O caminho para a adoção da blockchain pelos bancos prevê inúmeras possibilidades, e a maneira como são realizadas outras transações como o DOC e o TED também podem ser alteradas.

Segundo uma reportagem da Reuters, a Febraban, entidade que representa as instituições bancárias, estuda o uso da tecnologia há pelo menos quatro anos, no entanto, a falta de consenso quanto a plataforma a ser adotado está impedindo a ampla implementação no brasil.

O banco Santander já tem um sistema de pagamentos entre países baseado na blockchain, chamado One Pay FX, para enviar libras do Brasil ao Reino Unido. Com um resultado inédito através da blockchain, o Itaú captou 100 milhões de dólares em operação no ano passado.

A Exame também destacou o potencial da blockchain, com previsões das consultorias Gartner, IDC e McKiensey. O valor da inovação da tecnologia nos negócios é de 176 bilhões de dólares globalmente em 2025 e vai passar de 3,1 trilhões em 2030. Os gastos em soluções de blockchain chegarão a 11,7 bilhões de dólares em 2022, crescendo 73,2% ao ano até lá. A previsão de gastos em 2018 é de 1,5 bilhão, o que é o dobro de 2017.

Para a consultoria McKinsey, a blockchain chamou a atenção de governos e da indústria com o pico de valorização da criptomoeda Bitcoin, em 2017, quando o valor de mercado dessa tecnologia saltou de 20 milhões de dólares para 200 milhões de dólares. Um levantamento do Fórum Econômico Mundial estima que 10% do produto interno bruto global estará em blockchain até 2027.

Ainda assim, a McKinsey avalia que a tecnologia ainda está em estágio imaturo e ainda não há uma receita clara de sucesso. “A experimentação não estruturada de soluções blockchain sem avaliação estratégica do valor em questão ou a viabilidade de capturá-lo significa que muitas empresas não terão retorno sobre seus investimentos”, de acordo com a consultoria.

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Referências: Reuters, Exame

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