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Principais verticais de IoT, oportunidades e desafios

Por Daniel Laper
Principais verticais de IoT

Dada a amplitude potencial do impacto que soluções de Internet das Coisas trazem para a economia e a forma como vivemos, normalmente as análises são organizadas por verticais, que compreendem segmentos da nossa sociedade, cada qual com suas necessidades, oportunidades e desafios. Essas verticais, também chamadas de ambientes, impactam em diferentes níveis os distintos setores da economia, como pode ser visto no estudo feito pelo BNDES no Quadro 2 (1):

Principais verticais de IoT

Para melhor tangibilizar os casos de uso, ou seja, as aplicações práticas, enumeramos abaixo alguns exemplos já utilizados hoje e tendências para algumas das principais verticais de IoT:

Veículos e Logística: Essa vertical, em conjunto com as máquinas de cartão de crédito, representa hoje a grande parte das aproximadamente 23 milhões de conexões celulares presentes no Brasil, segundo o Teleco (2). Esse número ainda representa uma penetração baixa no mercado potencial de mais de 65 milhões (3) de veículos circulantes no país. Os principais casos de uso nessa vertical são monitoração remota de indicadores, mais comum hoje em veículos de maior valor, e rastreamento do veículo e da carga para prevenção de furto e auxílio na recuperação em caso de roubo. A evolução das tecnologias está permitindo um rastreamento cada vez mais eficaz e de um número de veículos e ativos cada vez maior, resultado também da queda do custo em função do aumento de escala. Como forte tendência nessa vertical se destacam os veículos autônomos, que se espera que sejam viabilizados com a chegada da tecnologia 5G.

Cidades Inteligentes: Refletindo um fenômeno mundial, o crescente aumento da população urbana do Brasil, hoje representando aproximadamente 85% da população (~175MM de pessoas) segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) (4), faz com que as oportunidades nessa vertical sejam cada vez maiores. Por outro lado, a complexidade de estabelecimento das relações no âmbito público torna o desafio de viabilização de modelos de negócio nesse setor proporcional ao tamanho das oportunidades. Alguns exemplos de casos de uso nessa vertical são soluções de aumento de eficiência em mobilidade urbana (como monitoração em tempo real de fluxo de veículos, pessoas, transporte público e vias urbanas, combinadas com reprogramação de semáforos inteligentes e rotas dos serviços públicos), sensoriamento de condições de ambiente (sensores de qualidade do ar, ruído, inundação e vazamento de gás e água), segurança pública (como através de câmeras e aplicações de processamento de imagem, ou sensores de deslizamento ou outros tipos de desastre natural), iluminação pública (permitindo gestão remota de intensidade da iluminação e consequente redução de custos com eletricidade) e automação das cadeias de eletricidade, água e gás, reduzindo os custos e aumentando a eficiência desses serviços. A Figura 4 apresenta a variedade de casos de uso possíveis no âmbito de Cidades Inteligentes, incluindo alguns de seus motivadores segundo dados do BNDES (5):

Principais verticais de IoT

Saúde: Com o aumento da expectativa de vida da população, e sua mudança de hábitos alimentares e de atividade física, aumentaram também os desafios na forma de gerir saúde. Para tangibilizar esse desafio, dados do BNDES (6) mostram que na última década houve aumento de 62% na incidência de diabetes e de 14% na incidência de hipertensão, que hoje 40% dos brasileiros vivem com doenças crônicas, e até 2030 a população brasileira acima de 60 anos deverá triplicar. Por outro lado, tecnologias interessantes vêm se popularizando nos últimos tempos, como o aumento do uso de wearables (tecnologia vestível), como smartwatches (relógios) e bands (pulseiras). O aumento do uso de “roupas e acessórios conectados”, e a maior maturidade na utilização por médicos, laboratórios e hospitais dos dados coletados, representam uma das oportunidades de otimizar e antecipar diagnósticos e melhor entender os sinais vitais de cada pessoa, tais como pressão, glicose, ou até mesmo queda de idosos. Do lado dos hospitais e médicos, as oportunidades vão desde a melhor gestão de ocupação e utilização/disponibilidade de espaços e equipamentos médicos a rastreamento de pacientes, médicos e até objetos, evitando, por exemplo, que algo como uma gaze ou uma tesoura seja esquecido dentro de um paciente, ou monitorando se a frequência de higienização das mãos por parte dos médicos, prática importante para evitar infecções, está adequada.

Indústrias: Para contextualizarmos a relevância dessa vertical, dados da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) (7) apontam que a indústria como um todo representa 21,6% do PIB do Brasil, mas responde por 70,8% das exportações, por 67,4% do investimento em pesquisa e desenvolvimento e por 34,2% da arrecadação de tributos federais (exceto receitas previdenciárias). Entre os principais setores da indústria nacional, destacam-se as indústrias de base (petróleo, gás natural e mineração) e manufaturas (principalmente automotivo e têxtil).

No campo da tecnologia, essa vertical já vem sendo transformada pelo que vem sendo conhecido como Indústria 4.0, ou Quarta Revolução Industrial. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) (8), essa transformação se caracteriza pela digitalização dos mais diversos processos, em que a tecnologia da informação se torna parte integral dos processos industriais, o uso de Big Data e Analytics aperfeiçoam a qualidade da produção e a produtividade é melhorada pelo uso de robôs automatizados, simulações e realidade aumentada, e a Internet das Coisas desempenha importante papel potencializador, expandindo de forma crescente a coleta de informações e automação dos processos. Algumas oportunidades nessa vertical são gerais, tais como a monitoração para gestão de toda a cadeia logística do estoque à distribuição e automação de plantas e equipamentos, indo desde a otimização de uso de maquinário e equipamentos, manutenção preditiva para aumento de disponibilidade e prevenção de acidentes das mais diversas naturezas e gestão dos próprios colaboradores no sentido de garantir que as rotinas de saúde e segurança estão sendo executadas.

Cada indústria traz também oportunidades específicas. Pegando como exemplo dois dos maiores segmentos do Brasil, em mineração é possível implementar métodos mais precisos de monitoração de barragens, enquanto no setor de Óleo e Gás aumentam consideravelmente as possibilidades de sensoriamento de estrutura e plataformas, tornando possível a detecção de tendências de eventos antes que eles aconteçam, valor que o passado recente dessas indústrias mostra que pode ser muito significativo tanto em termos econômicos quanto ambientais.

Agronegócio: O agronegócio é um setor de enorme relevância nacional, tanto em relação ao mercado interno, representando segundo o Ministério da Agricultura (9) 21,6% do PIB do país e gerando um em cada três empregos, quanto em relação à balança comercial, representando 47,6% de participação nas exportações do Brasil (10). Entre os principais produtos estão a soja (46%), carnes (14,3%), papel e celulose (12,7%), café (5,4%) e açúcar e álcool (4,5%). Essa relevância se reflete no tamanho do potencial de ganho econômico com IoT, sendo estimado por estudos da Mckinsey apenas no Brasil entre US$ 5,5 a US$ 21,1 bilhões em 2025, dependendo do grau de adoção que essas tecnologias atingirem (11). Esse potencial com soluções de IoT vem desde ganhos de produtividade à redução de custos com insumos, por exemplo habilitando o acompanhamento das condições climáticas, do crescimento da plantação, do desempenho das máquinas agrícolas, das condições do solo e até o acompanhamento detalhado da saúde dos animais, conforme destaque no blog referência no setor chamado Confraria do Negócio (12).

Pegando como exemplo a Agricultura de Precisão que, segundo o blog de tecnologia para agricultura Aegro (13), consiste na implementação de uma gestão que considere as especificidades de cada cultura, considerando seus tempos, pragas, necessidades de solo, clima, irrigação, fertilizantes e outras variáveis, é exponencial o valor que tecnologias de IoT trazem na coleta de dados, principal insumo para as análises e decisões do dia a dia do agricultor. Dados do Aegro mostram que a Agricultura de Precisão pode trazer até 19% de redução de custos totais da produção, além de um potencial aumento de até 67% de rendimento global das lavouras. Esses ganhos se dão devido ao aumento do nível de informação e facilitação de decisões, levando à redução dos riscos da atividade agrícola e maior previsibilidade dos resultados produtivos, e esse maior acesso e enriquecimento de informações está diretamente relacionado ao aumento de tecnologias como Internet das Coisas nos diversos processos inerentes a gestão do agronegócio.

Referências

  1. BNDES – Plano Nacional de IoT – Roadmap Tecnológico Sumário Executivo
  2. Teleco – O que é a Internet das Coisas (M2M)
  3. Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) – Real Frota Circulante no Brasil é de 65,8 milhões de veículos, indica estudo
  4. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – População Rural e Urbana
  5. BNDES – Plano Nacional de IoT – Aprofundamento de Verticais – Cidades
  6. BNDES – Plano Nacional de IoT – Aprofundamento de Verticais – Saúde
  7. Sistema Indústria – A importância da indústria
  8. Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) – Indústria 4.0 Internet das Coisas
  9. Ministério da Agricultura – Agropecuária Brasileira em Números
  10. Ministério da Agricultura – Participação do agronegócio nas exportações brasileiras cresce 1,5% em março 2018
  11. BNDES – Plano Nacional de IoT – Aprofundamento de Verticais – Rural
  12. Blog Confraria do Agronegócio – Internet das Coisas
  13. Blog Aegro – O que é Agricultura de Precisão

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