ABINC e BNDES apresentam em webinar novo programa de crédito para adoção de tecnologias 4.0

Para apresentar o novo serviço do BNDES que oferece crédito para a adoção de tecnologia 4.0, a ABINC realizou um webinar com a apresentação detalhada do programa e o credenciamento de serviços tecnológicos no CFI. O evento contou com a mediação do presidente da ABINC, Paulo José Spaccaquerche, e foi ministrado por Gabriel Aidar e Matheus Chaguri, ambos do BNDES.

 “A pandemia ajudou a gente a desencaixotar diversas coisas, desengavetar outras que estavam paradas. Eu acho que o BNDES foi muito rápido na preparação desse serviço para o 4.0. Nós começamos a falar sobre isso no início do ano (2020), ainda em fevereiro, e hoje estamos apresentando esse serviço”, Paulo José Spaccaquerche, presidente da ABINC.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES – lançou, em 2020, uma nova linha de financiamento para contratação de serviços tecnológicos, credenciados pelo BNDES. A expectativa é atender todos os setores que demandam serviços tecnológicos, desde a indústria às cidades inteligentes e ao agronegócio.

O BNDES Crédito Serviços 4.0 é voltado para os clientes contratantes de serviços digitais e tecnológicos, com limite de financiamento de até R$ 5 milhões por operação de crédito. Os fornecedores de serviços tecnológicos 4.0 devem se credenciar no CFI BNDES, uma vez que só podem ser financiados os serviços previamente credenciados.

O BNDES elencou as categorias de serviços tecnológicos que podem ser financiados no programa. Ainda que algumas não sejam exclusivas da cultura 4.0, há o entendimento de que são complementares para atingir esse nível de maturidade. São elas:

  • Manufatura Enxuta
  • Digitalização
  • IoT
  • Manufatura Avançada
  • Desenvolvimento de Novos Produtos e Processos
  • Tecnologias Industriais Básicas
  • Eficiência Energética e Redução de Resíduos

“O BNDES está apoiando o novo padrão produtivo, alcançado através das tecnologias 4.0. Uma coisa muito importante, O BNDES está tentando ter um olhar para 4.0 focado não apenas na indústria, mas também nas suas aplicações para serviços, logística, prestação de serviços, comércio, agricultura, saúde e o próprio setor público (com soluções para as cidades inteligentes)”, comentou Gabriel Aidar, BNDES, durante a apresentação.

Quem pode buscar o financiamento

O financiamento pode ser acessado por empresas, produtores rurais, Estados e Municípios (Administração Pública). Para o agronegócio há a possibilidade de acesso pela pessoa física. O financiamento é feito de forma indireta, o cliente deve buscar um agente financeiro credenciado no BNDES, portanto, apto para realizar a operação. Atualmente, o programa está em fase de expansão do catálogo de serviços credenciados. Esta ampliação visa tornar o produto ainda mais atrativo para clientes e agentes financeiros.

O programa financia 100% do valor da prestação de serviço e ainda permite que sejam acrescentados até mais 20% para um giro associado. Ou seja, o tomador de serviço terá esse recurso a ser utilizado para financiar demais custos associados à implantação do serviço tecnológico.

O limite de crédito, conforme mencionado, é de R$ 5 milhões, que podem ser pagos em até 120 meses (10 anos), com carência mínima de 3 meses e máxima de 24 meses. O prazo máximo é definido pelo agente financeiro. Há três possibilidades de taxas de juros (TLP/TFB/SELIC), acrescido de spread operacional de 0,95% ao ano do BNDES e spread do agente financeiro.

Credenciamento das empresas fornecedoras de serviço tecnológico

O que é avaliado

O BNDES avalia a capacidade de a empresa entregar o serviço ofertado e o escopo do serviço frente às categorias elencadas, bem como o seu Índice de Credenciamento. Sugere-se ao fornecedor que modularize os serviços com base em alguns parâmetros, como por exemplo faixa de preço, setores clientes, escopo da solução e porte do projeto. Tudo isso contribui para o processo de avalição do credenciamento e facilita a posterior operacionalização do crédito. Os parâmetros contidos nos processos de credenciamento não são disponibilizados publicamente.

Credenciamento

Para solicitar o credenciamento da sua empresa é necessário acessar o Portal CFI. Na página também estão disponíveis tutoriais, downloads de formulários e também regulamentos e normas, cujo conteúdo visa esclarece sobre os processos e critérios envolvidos. Há também um tutorial em vídeo sobre como realizar o passo a passo do credenciamento.

Para realizar o cadastro é necessário ter em mãos algumas informações e documentos da empresa que deverão ser anexadas durante as etapas. No entanto, para o caso de fornecedores de serviços, alguns documentos não são obrigatórios neste primeiro acesso, como a Escrituração Contábil Fiscal (ECF), Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e o contrato social. Esses campos poderão ser justificados com a ressalva de que poderão, posteriormente, ser exigidos nas renovações periódicas do cadastro.

Para acessar a gravação da apresentação clique aqui.

BNDES seleciona gestor para fundo de R$ 160 milhões para IoT

Na última semana a Indicator Capital foi anunciada como gestor do fundo de investimento em participações focado em startups que desenvolvam produtos e serviços para o ecossistema de Internet das Coisas (IoT). O fundo, lançado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em conjunto com a Qualcomm Venture LLC, braço de investimento da Qualcomm Incorporated, tem expectativa de atrair R$ 160 milhões de investimentos para a IoT no Brasil.

O objetivo do fundo, anunciado em dezembro de 2019, é fomentar o setor, apoiando as empresas em estágio inicial de desenvolvimento. No comunicado, o BNDES e a Qualcomm Venture LLC se comprometeram a aportar 50% do valor total do fundo, equivalente a R$ 80 milhões. Outros investidores serão convidados a participar e auxiliar na composição do valor total.

“O fundo, cuja tese tem como base estudos realizados em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação (MCTI), já nasce com um investidor privado de presença internacional, demonstrando o potencial do IoT no Brasil. Esperamos que a Indicator Capital capte outros investidores privados, inclusive no modelo de corporate venture, catalisando um círculo virtuoso de investimento em pequenas companhias de base tecnológica”, explica Filipe Borsato, chefe do Departamento de Gestão de Investimentos em Fundos do BNDES.

Dados do estudo IoT na América Latina desenvolvido pelo Inter-American Development Bank, que contou com colaboração da Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC) projeta que, até 2021, a IoT deve gerar no Brasil uma receita superior a R$ 3 bilhões. E nos próximos dois anos, o país terá 416 milhões de dispositivos conectados ao ecossistema.

O Fundo

O fundo de IoT terá 10 anos de duração e espera-se investir em, pelo menos, 14 empresas. Sua política de investimentos contemplará companhias que desenvolvam aplicações de hardware, software e análise de dados voltadas prioritariamente para aplicações em áreas estratégicas, tais como manufatura avançada, cidades inteligentes, saúde, e smart agro.

O fundo estará alinhado ao Plano Nacional de Internet das Coisas, política pública lançada em junho de 2019 para desenvolver o ecossistema de IoT no Brasil, e à nova regulamentação da Lei de Informática, que permite o investimento por fabricantes de eletrônicos, de recursos incentivados em fundos de venture capital.

O estudo “Internet das Coisas: Um plano de ação para o Brasil”, realizado em 2018 por um consórcio liderado pela consultora McKinsey, e patrocinado pelo BNDES e pelo MCTI, indicou como prioritários quatro ambientes para o desenvolvimento de IoT no Brasil: cidades inteligentes, saúde, rural e indústria 4.0; o que serviu de base para a definição do foco do atual fundo de IoT. De acordo com o trabalho, o impacto econômico global da massificação das tecnologias loT é estimado em até US$ 11 trilhões, superando os efeitos de outras tecnologias como a robótica avançada, computação em nuvem e mesmo a Internet móvel.

Em um próximo artigo, vamos abordar o que as empresas têm que fazer para terem acesso a estes investimentos.

Referências: BNDES, Valor Econômico