Preocupações com privacidade e segurança contribuem para a desconfiança do consumidor em dispositivos conectados

Setenta e três por cento dos consumidores acham que as pessoas que usam dispositivos conectados devem se preocupar com espionagem e 63% deles acham que os dispositivos conectados são “assustadores” pela maneira como coletam dados sobre pessoas e seus comportamentos.

Uma pesquisa realizada em maio passado (2019) nos Estados Unidos, Canadá, Japão, Austrália, França e Reino Unido pela IPSOS Mori, em nome da Internet Society e da Consumers International, descobriu que 65% dos consumidores estão preocupados pela forma como os dispositivos conectados coletam dados. Mais da metade deles (55%) não confia em seus dispositivos conectados1 para proteger sua privacidade, e uma proporção similar (53%) não confia em dispositivos conectados para lidar com suas informações de maneira responsável.

Os resultados da pesquisa foram anunciados na Consumers International Summit 2019 em Lisboa, Portugal, para uma audiência de organizações de consumidores de todo o mundo, trabalhando em conjunto com representantes de empresas, da sociedade civil e dos governos.

Dispositivos conectados estão em toda parte, e muitas pessoas estão dispostas a fazer parte da revolução da Internet das Coisas (Internet of Things, ou IoT). Sessenta e nove por cento dos entrevistados disseram possuir dispositivos conectados, como medidores inteligentes, monitores de condicionamento físico, brinquedos conectados, assistentes domésticos ou consoles de videogame. No entanto, os testes realizados por várias organizações de consumidores descobriram que uma série de produtos é lançada no mercado com pouca consideração pelas proteções básicas de segurança e privacidade2. Os resultados da pesquisa mostraram que 77% dos consumidores nos mercados pesquisados disseram que informações sobre privacidade e segurança são considerações importantes em suas decisões de compra, e quase um terço das pessoas (28%) disseram que não possuem um dispositivo conectado e que não compram produtos inteligentes por causa dessas preocupações. Os consumidores veem isso tão amplamente quanto uma barreira, em vez de um custo.

“Os resultados da pesquisa ressaltam a necessidade dos fabricantes de dispositivos de IoT criarem seus dispositivos tendo em mente segurança e privacidade”, disse o presidente e CEO da Internet Society, Andrew Sullivan. “Segurança não deve ser uma reflexão tardia. Está claro que os fabricantes e varejistas precisam fazer mais para que os consumidores possam confiar em seus dispositivos de IoT”.

Os entrevistados também acreditam que a responsabilidade pelas preocupações com dispositivos conectados deve caber aos reguladores, fabricantes e varejistas. Oitenta e oito por cento dos entrevistados disseram que os reguladores devem garantir os padrões de privacidade e segurança da IoT, enquanto que 81% das pessoas disseram que os fabricantes precisam fornecer essa garantia, e 80% delas disseram que os varejistas devem abordar a privacidade e a segurança. Sessenta por cento dos participantes de todos os mercados acham que os consumidores são os principais responsáveis pela segurança e privacidade de seus dispositivos conectados.

Helena Leurent, Diretora Geral da Consumers International, disse que: “Os consumidores nos disseram que aceitam ter alguma responsabilidade pela segurança e privacidade de seus produtos de IoT, mas isso não é o fim da história. Eles e nós queremos ver ações tangíveis de fabricantes, varejistas e governos sobre essa questão. Este tem que ser um esforço coletivo, não apenas a responsabilidade de um grupo. Nós estamos aprofundando esta conversa com fabricantes. Juntos, estamos olhando para a oportunidade de criar uma tecnologia centrada nas pessoas, que elas não apenas gostem de usar, mas se sintam seguras ao fazê-lo. Ao fazer isso, as empresas poderão resolver as preocupações daqueles que não estão usando essa tecnologia, e abrir os benefícios da Internet das Coisas para todos”.

Outros resultados importantes dos participantes da pesquisa mostram que:

Estados Unidos

  • 85% dos americanos concordam que os fabricantes devem apenas produzir dispositivos conectados que protejam a privacidade e a segurança;
  • 82% dos americanos concordam que os varejistas devem garantir que os dispositivos conectados que vendem tenham bons padrões de privacidade e segurança;
  • 66% dos americanos que possuem dispositivos conectados concordam que eles são “assustadores” pela maneira como coletam dados sobre pessoas e seus comportamentos.

Reino Unido

  • 85% dos britânicos concordam que os fabricantes devem apenas produzir dispositivos conectados que protejam a privacidade e a segurança;
  • 86% dos britânicos concordam que os varejistas devem garantir que os dispositivos conectados que vendem tenham bons padrões de privacidade e segurança;
  • 59% dos britânicos que possuem dispositivos conectados concordam que eles são “assustadores” pela maneira como coletam dados sobre pessoas e seus comportamentos.

França

  • 84% dos franceses concordam que os fabricantes devem apenas produzir dispositivos conectados que protejam a privacidade e a segurança;
  • 83% dos franceses concordam que os varejistas devem garantir que os dispositivos conectados que vendem tenham bons padrões de privacidade e segurança;
  • 73% dos franceses que possuem dispositivos conectados concordam que eles são “assustadores” pela maneira como coletam dados sobre pessoas e seus comportamentos.

Canadá

  • 88% dos canadenses concordam que os fabricantes devem apenas produzir dispositivos conectados que protejam a privacidade e a segurança;
  • 85% dos canadenses concordam que os varejistas devem garantir que os dispositivos conectados que vendem tenham bons padrões de privacidade e segurança;
  • 68% dos canadenses que possuem dispositivos conectados concordam que eles são “assustadores” pela maneira como coletam dados sobre pessoas e seus comportamentos.

Austrália

  • 84% dos australianos concordam que os fabricantes devem apenas produzir dispositivos conectados que protejam a privacidade e a segurança;
  • 82% dos australianos concordam que os varejistas devem garantir que os dispositivos conectados que vendem tenham bons padrões de privacidade e segurança;
  • 64% dos australianos que possuem dispositivos conectados concordam que eles são “assustadores” pela maneira como coletam dados sobre pessoas e seus comportamentos.

Japão

  • 61% dos japoneses concordam que os fabricantes devem apenas produzir dispositivos conectados que protejam a privacidade e a segurança;
  • 66% dos japoneses concordam que os varejistas devem garantir que os dispositivos conectados que vendem tenham bons padrões de privacidade e segurança;
  • 53% dos japoneses que possuem dispositivos conectados concordam que eles são “assustadores” pela maneira como coletam dados sobre pessoas e seus comportamentos.

Nota:

Em 2018, a Internet Society e a Consumers International formaram uma parceria de trabalho com o objetivo de criar uma Internet mais segura e confiável para todos. As organizações colaboram em uma ampla gama de iniciativas que envolvem consumidores, governos, órgãos reguladores e empresas sobre a importância de dispositivos de IoT para consumidores serem seguros e confiáveis. Para dicas e informações sobre o que os consumidores podem fazer para se proteger, visite: https://www.connect-smart.org/.

Sobre a Internet Society

Fundada por pioneiros da Internet, a Internet Society é uma organização sem fins lucrativos, dedicada a assegurar o desenvolvimento, a evolução e o uso aberto da Internet. Trabalhando através de uma comunidade global de capítulos e membros, a Internet Society colabora com uma ampla gama de grupos para promover as tecnologias que mantêm a Internet segura e protege e defende políticas que permitam o acesso universal. A Internet Society também é o lar organizacional da Internet Engineering Task Force (IETF). Para mais informações visite: www.internetsociety.org.

Sobre a Consumers International

A Consumers International é a organização global de associação para grupos de consumidores em todo o mundo. Acreditam em um mundo onde todos têm acesso a produtos e serviços seguros e sustentáveis. Reúnem mais de 200 organizações membros em mais de 100 países para capacitar e defender os direitos dos consumidores em todos os lugares. São a voz deles nos fóruns internacionais de formulação de políticas e no mercado global para garantir que eles sejam tratados de forma segura, justa e honesta. São resolutamente independentes, sem restrições de empresas ou partidos políticos. Trabalham em questões que impactam os consumidores na era digital, incluindo comércio eletrônico, privacidade e segurança de dados, a Internet das Coisas, acessibilidade e acesso. Querem que os consumidores obtenham o melhor da economia digital e da sociedade sem comprometer a qualidade, o cuidado e o tratamento justo.

Sobre a pesquisa

  1. As entrevistas foram conduzidas online pela Ipsos MORI em uma amostra de cota representativa em seis países (1.000 adultos entre 18 e 65 anos na Austrália, 1.072 adultos entre 18 e 75 anos no Canadá, 1.094 adultos entre 16 e 75 anos na França, 1.000 adultos entre 18 e 65 anos Japão, 1.130 adultos com idades entre 16 e 75 anos no Reino Unido e 1.085 adultos entre 18 e 75 anos nos Estados Unidos). Os dados foram coletados entre 1 e 6 de março de 2019, e foram ponderados para o perfil conhecido da respectiva população.
  2. Os números “globais” citados são derivados da agregação das porcentagens para cada mercado, ponderada pelos números da população nos respectivos países. O número para qualquer mercado específico pode ser maior ou menor que a porcentagem total.
  3. A formulação completa das perguntas para cada uma das questões mencionadas neste comunicado é fornecida no documento de resultados “topline”.
  4. Esta pesquisa foi realizada pela Ipsos para a Consumers International e para a Internet Society.

1. Para esta pesquisa, definimos dispositivos inteligentes como produtos e dispositivos do dia-a-dia que podem se conectar à Internet usando Wi-Fi ou Bluetooth, como medidores inteligentes, monitores de condicionamento físico, brinquedos conectados, assistentes domésticos ou consoles de jogos. A definição excluiu tablets, telefones celulares e laptops.

2. Por exemplo:
https://www.forbrukerradet.no/side/significant-security-flaws-in-smartwatches-for-children/
https://www.forbrukerradet.no/siste-nytt/connected-toys-violate-consumer-laws/
https://www.consumerreports.org/televisions/samsung-roku-smart-tvs-vulnerable-to-hacking-consumer-reports-finds/

Fonte: Internet Society

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A Internet das Coisas: como conectar os pontos para se tornar um consumidor inteligente

Por Steve Olshansky
Internet Technology Program Manager

De acordo com uma pesquisa recente realizada pela Consumers International e pela Internet Society, 63% dos consumidores acham que a forma como os dispositivos conectados à Internet coletam dados é “assustadora”. A pesquisa “The Trust Opportunity: Exploring Consumer Attitudes to the Internet of Things” (A Oportunidade da Confiança: Explorando Atitudes dos Consumidores em relação à Internet das Coisas), que entrevistou pessoas nos Estados Unidos, Canadá, Japão, Austrália, França e Reino Unido também descobriu que 73% dos consumidores acham que as pessoas que usam dispositivos conectados devem se preocupar com a espionagem. E, assim mesmo, novos dispositivos conectados estão sendo lançados praticamente todos os dias, e as vendas não mostram sinais de desaceleração.

A palavra “inteligente” (smart) é usada para descrever quase todos esses dispositivos. Mas isso é certo?

O marketing em torno da Internet das Coisas (IoT) tornou-se quase ininterrupto. Inteligente, ela tornará sua vida melhor, mais feliz, mais eficiente. Se você fosse esperto, você colheria os benefícios da maravilhosa era tecnológica em que vivemos. Mas isso, muitas vezes, deixa de fora as principais informações de que os consumidores precisam para fazer escolhas realmente inteligentes.

Isto é realmente sobre conectividade. Por exemplo, um forno inteligente é um computador que fica quente no centro. Esses dispositivos de IoT podem executar funções inteligentes porque estão conectados à Internet. E, embora o marketing se concentre nos recursos e na funcionalidade, muitas vezes ignora as implicações de privacidade e segurança. Assim como ocorre com qualquer dispositivo de computação, a privacidade e a segurança são grandes preocupações − que nunca são resolvidas. Estes são processos contínuos que envolvem atualizações contínuas para corrigir bugs e vulnerabilidades de segurança.

À medida que esses dispositivos vão se proliferando, eles coletam dados de e sobre nós. Eles podem coletar uma grande quantidade de dados, em muitos casos, muito além do que os usuários esperariam com base em suas funções. Isto não é um acidente. Esses dados podem ajudar a formular uma visão abrangente de nossas vidas − nossos hábitos, preferências, problemas de saúde, padrões de localização e viagens e muito mais. Essa imagem agregada pode ser usada para propósitos que geralmente não conhecemos, e muito menos aprovamos. Essa coleta de dados pode se estender para além dos proprietários desses dispositivos − para qualquer pessoa que entrar em uma casa ou empresa onde eles estão em uso. Aquele assistente doméstico inteligente está ouvindo e gravando tudo o que dizemos, disfarçadamente esperando pela palavra “gatilho”?

É por essa razão que haveria maior exatidão se descrevêssemos esses produtos como sendo conectados.

Diante desses riscos, precisamos ser consumidores cuidadosos. Isso significa fazer o dever de casa e pesquisar produtos e serviços − até mesmo fazer perguntas aos nossos amigos quando entramos nas casas deles.

Na realidade, esses dispositivos são conectados e devem ser tratados como tal. Inteligentes? Talvez não. Mas nós podemos ser!

Você está pronto para aumentar a sua inteligência sobre IoT? Saiba mais em: Segurança e privacidade na Internet das Coisas: Principais dicas para os consumidores

Fonte: Internet Society

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O berçário conectado

Neste mês, a internetsociety.org pediu aos pais que compartilhassem suas experiências sobre criar filhos na era da tecnologia. A autora convidada desta vez foi Kimberly Rae Miller, autora de Beautiful Bodies e do best-seller de memórias Coming Clean.

Ser pai significa viver com ansiedade constante e subjacente sobre quase tudo, desde como cortar cachorros-quentes, até a velha jaqueta de inverno versus o enigma do assento do carro, até saber se toda a tecnologia usada para manter as crianças vivas/tornar a vida com elas mais fácil, na verdade, vai acabar com elas/destruir sua vida.

Este último tópico requer um pouco de dissonância cognitiva. A maioria de nós conhece pelo menos algumas das armadilhas da nossa vida conectada. Afinal de contas, o assistente digital na minha sala sabia que eu estava grávida novamente cerca de cinco segundos depois que eu fiz o teste (e sim, há testes de gravidez caseiros com Bluetooth), e, quase imediatamente, anúncios de fraldas e de mobília para berçário começaram a aparecer quando eu fiz compras online. Na maior parte do tempo, deixo de lado o quanto isso me incomoda, porque as engenhocas e os dispositivos que tornam a maternidade um pouco mais fácil talvez valham a invasão de privacidade.

Quando eu estava grávida do meu filho de dois anos de idade, eu sabia que não conhecia muitas coisas e estava disposta a desembolsar uma boa parte de minhas economias para adquirir qualquer coisa que prometesse manter meu bebê seguro. Obcecada com todos os anúncios de mídia social relacionados ao bebê, passei horas discutindo se deveria comprar um glorificado aquecedor de mamadeiras, que enviaria fórmulas com base na idade do meu filho e registrava a ingestão de alimentos, além de fazer planilhas para comparar e contrastar as virtudes de vários monitores de bebê. Claro, nossos amigos nos deram um antigo monitor de áudio, mas a extravagante câmera para a qual eu continuava a voltar, significava que cada movimento de meu bebê seria transmitido em um feed de 24 horas… contanto que eu continuasse pagando a taxa de assinatura mensal. Será que algum babaca na Internet me observaria enquanto eu amamentava, ou tentaria descobrir o nome do meu primeiro animal de estimação − talvez, mas eu me importava mais com meu bebê do que com a minha privacidade.

Gastei 300 dólares por uma meia mágica, que monitorava a frequência cardíaca e a respiração do meu bebê enquanto ele dormia. Uma necessidade que eu prontamente vendi por cerca da metade do que paguei, quando percebi que meu filho nunca dormiu o suficiente para que isso fosse um problema. Agora que estamos em pleno território infantil, eu me vejo constantemente tentando administrar a vida online de um garoto de dois anos, que pode navegar no meu tablet melhor do que eu e que pode invocar maratonas de “Tubarões de bebês” de qualquer espaço em nossa casa, graças a essas coisas digitais sempre presentes que eu uso, principalmente para verificar as condições do clima.

Talvez seja a síndrome do segundo filho, mas agora que estou grávida de novo, não estou tão tentada a investir na última tecnologia infantil. Provavelmente vou comprar outra câmera para o quarto desse garoto − eventualmente − mas, dessa vez, minhas prioridades estão mais focadas nos aspectos básicos de segurança. Então, talvez, apenas talvez, eu me apresse para adquirir a combinação de bloco/escala, que pode representar graficamente o crescimento do meu bebê no meu smartphone. Porque não adicionar mais uma coisa à obsessão? Afinal, eu sou uma mãe.

O futuro conectado está aqui. Imagine as possibilidades. #GetIoTSmart

Sobre a autora: Kimberly Rae Miller é uma autora, editora e blogueira best-seller, que vive em Nova York. Seu livro de memórias de 2013, Coming Clean, vendeu mais de 100.000 cópias em todo o mundo. Além disso, seus artigos sobre vida saudável foram publicados na rede de blogs da Conde Nast, no Social Workout, na rede de mulheres do Yahoo, em Shine, e em várias revistas. Ela também contribui com notícias sobre entretenimento para a Rádio CBS e a CBS New York.

Fonte: https://www.internetsociety.org/

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