Principais tecnologias de comunicação sem fio e suas aplicações para as soluções IoT

Nos dias atuais quando debatemos ou pensamos em soluções inovadoras estamos, mesmo que involuntariamente, falando de conectividade. Mesmo quando se fala em “dispositivo inteligente” a conectividade é um fator essencial dentro da economia 4.0. Nossos smartbands, smartphones, a TV smart e os veículos autônomos são exemplos de dispositivos que utilizam conectividade.

Mas quando se trata de economia 4.0 o conceito de conectividade é muito maior, pois engloba verticais como de cidades inteligentes, agronegócio, indústria, saúde e logística. Cada solução que utiliza a internet das coisas (IoT) possui seu próprio conjunto exclusivo de requisitos de rede, por isso é essencial buscar a conectividade ideal para cada necessidade.

Recentemente o presidente da Associação Brasileira de Internet das Coisas – ABINC, Paulo José Spaccaquerche, participou de um webinar que debateu as oportunidades para o desenvolvimento de soluções inovadoras de IoT em todos os modelos de negócio no país, mesmo enquanto aguardamos a chegada do revolucionário 5G. Há diversas tecnologias sem fio com diferentes características que envolvem consumo de energia, largura de banda, alcance e etc.

Popularmente conhecida pelo público geral, as Redes Celulares oferecem comunicação de banda larga segura, suporta múltiplas chamadas de voz e aplicativos de streaming de vídeo. Dentro de soluções IoT elas podem ser melhor aproveitadas em casos específicos como carros conectados ou gerenciamento de frota em transporte e logística. A quinta geração da rede, o 5G, promete revolucionar a maneira como nos comunicamos e o segmento M2M.

A principal diferença com a rede legado é a alta velocidade e a latência ultrabaixa, essencial para que os veículos autônomos se tornem realidade. No entanto, o 5G não deve ser a tecnologia ideal para todo tipo de solução IoT e nem sua ausência é um impedimento para que iniciativas inovadoras sejam postas em prática. Em Minas Gerais, a mineradora Vale possui 14 caminhões de extração autônomos utilizando tecnologia de comunicação Imax e LTE.

A desvantagem das redes celulares para as soluções de IoT envolvem o alto custo dos planos de internet, o alto consumo de bateria e as lacunas de cobertura em locais subterrâneos e remotos. O Wi-Fi, também amplamente conhecido, não é uma rede viável para as soluções de IoT. Os modens possuem baixa segurança contra invasores e o sinal pode ser facilmente bloqueado por obstáculos como paredes.

O Bluetooth é definido como uma rede de área pessoal sem fio. Atualmente pode atender aplicações IoT em pequena escala com o Bluetooth Low-Energy (BLE) e Bluetooth Mesh – mais utilizado pelo varejo. O BLE é usado geralmente em conjunto com um smartphone que funciona como um hub para transferência de dados para a nuvem. Ele integra dispositivos vestíveis fitness e médicos, como as pulseiras e relógios inteligentes.

O padrão Zigbee é normalmente utilizado como complemento do Wi-Fi em soluções para automação residencial. A rede possui curto alcance de sinal – menos de 100m – baixo consumo de energia e taxas de dados mais altas quando comparado ao padrão de rede LPWAN.

O setor de varejo e logística está muito familiarizado com a identificação por radiofrequência. As etiquetas RFID utilizam ondas de rádio para transmitir pequenas quantidades de dados para um leitor a uma curta distância.  Elas podem ser anexadas a todo tipo de produto e equipamento, permitindo o gerenciamento otimizado do estoque e a gestão de ativos em tempo real.

As redes de longa distância e baixa potência (LPWAN) estão revolucionando o mercado de IoT, possibilitando comunicação M2M de longo alcance, entre 5 e 15Km, e maior autonomia de bateria, que em alguns casos podem durar cerca de 10 anos. As LPWANs, como a rede LoRaWAN e Sigfox , está permitindo mais escalabilidade de sensores, ao mesmo tempo que oferece uma rede com baixa interferência de sinal, protocolos seguros contra invasores e conectividade nas cidades e no campo.

A escolha correta da rede é a chave para que a sua solução de IoT se torne viável e ofereça maior retorno sobre o investimento. Retorno esse que além de financeiro, também proporciona qualidade, produtividade e melhor aproveitamento dos recursos.

Referência: BehrTech

 

Enquanto o 5G não vem: especialistas debatem as oportunidades para o desenvolvimento de soluções IoT

É preciso dar um start nas iniciativas de IoT, compreender a tecnologia, montar uma arquitetura para utilizar o que é possível sem o 5G. E quando ele chegar teremos maturidade para poder aplicar a tecnologia no negócio”, Marcello – Queiroz Galvão.

Realizada em outubro, a Futurecom Digital Week reuniu, através de uma plataforma digital totalmente online, especialistas e líderes do setor de inovação para promover um debate amplo sobre infraestrutura e conectividade. Em um dos painéis, Paulo José Spaccaquerche, presidente da Associação Brasileira de Internet das Coisas – ABINC mediou o webinar: Enquanto o 5G não vem: Utilizando a Infraestrutura disponível para atender a Demanda IoT de diferentes Negócios.

Participaram deste debate: o diretor de negócios de IoT da Claro, Eduardo Polidoro; o diretor para desenvolvimento de novos negócios da Nokia, Leonardo Finizola; o CIO da Queiroz Galvão, Marcello Borges; o diretor de arquitetura Cloud e tecnologias emergentes da Oracle, Marco Righetti; o diretor de soluções corporativas da TIM, Paulo Humberto Gouvea; a Head de arquitetura da Vale, Stella Michirefe.

O IoT não depende do 5G, entretanto, o IoT precisa do 5G para se impulsionar em soluções mais específicas”, Paulo José Spaccaquerche – ABINC.

Os convidados expuseram suas percepções e experiências com o desenvolvimento de soluções inovadoras de IoT (internet das coisas) utilizando as estruturas de redes disponíveis no país. A tecnologia 5G, que ainda é muito aguardada no Brasil, promete revolucionar o setor de Telecom, proporcionando mais velocidade, maior cobertura, mais autonomia de bateria e muitas outras vantagens para os projetos de IoT. Porém, o leilão da frequência de rádio só deve ocorrer em 2021.

Enquanto o 5G não vem, empresas de todos os setores já trabalham no desenvolvimento de soluções viáveis, eficientes e seguras. Para os painelistas não há impedimentos para o desenvolvimentos de soluções IoT inovadoras. O presidente da ABINC, Paulo José Spaccaquerche, assegura que mesmo sem o 5G o país tem condições de ofertar tecnologia de conectividade que resolvam a maioria dos desafios para os negócios. De modo geral, todos concordam que há muitas oportunidades de negócios e que elas serão aceleradas com a disponibilidade do 5G.

Um exemplo disso é o programa de transformação digital da Vale desenvolvido para reduzir o risco da força de trabalho e melhorar o retorno dos ativos. A empresa empregou cerca de 14 caminhos autônomos de extração na Mina Brucutu utilizando a tecnologia de comunicação Imax e agora está migrando para rede LTE. Também está utilizando drones para fazer o monitoramento das minas e utilizando crachás inteligentes para monitorar os trabalhadores.

Conectividade é uma das questões para se resolver os desafios da indústria 4.0. Ela é básica. Sem conectividade a gente não vai fazer nada, mas nós como operadoras somos parte da solução, nós não somos a solução”, Paulo Humberto Gouvea – TIM.

A lei geral de proteção aos dados (LGPD) também foi debatida no painel. As Telecom, Claro e TIM, garantem oferecer uma rede segura para seus clientes de telefonia e para aqueles com soluções fim a fim. No entanto, são nas aplicações que há o maior risco para a segurança dos dados. Marco Righetti, da Oracle, reforça que é preciso se certificar que o hardware está sendo trabalhado dentro dos protocolos industriais de segurança cibernética.

Enquanto aguardamos o 5G ainda é preciso superar inúmeros desafios, desde compreender a arquitetura de IoT e as necessidades de cada cliente. Nos últimos anos a Nokia se estruturou em todos os segmentos, dialogando com setores como agro, energia e indústria, para compreender as suas necessidades antes de desenvolver as soluções. Mas também há desafios estruturais e regulatórios, como lembra o diretor da Claro.

Para Eduardo Polidoro é preciso haver redução fiscal para baratear as aplicações, mais agilidade no processo de liberação para a instalação de antenas e que o leilão do 5G não seja arrecadatório, já que a implementação da tecnologia demandará um grande investimento das Telecom.

Confira abaixo algumas fotos de bastidores da realização do webinar nos estúdios da Futurecom:

Futurecom Digital Week