ABINC lança Hub IDSA no Brasil e apresenta o conceito de data spaces

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Com Hub Brazil, ABINC passa a atuar como facilitadora na criação de ecossistema de empresas que irão adotar o padrão mundial de compartilhamento de dados, visando maior eficiência de processos de gestão e de negócio

Compartilhar dados de forma segura e soberana por meio de espaços de dados facilita o desenvolvimento e a inovação globais, permitindo colaboração confiável, troca de informações sem problemas e tomada de decisões informadas – a explicação é de Sebastian Steinbuss, CTO da International Data Spaces Association (IDSA) que esteve em evento da ABINC para o lançamento do IDSA Hub Brazil. Ele defende que a “segurança e a soberania aprimoradas dos dados constroem confiança entre os interessados, promovendo maior participação e impulsionando o progresso”.

Sebastian argumenta que o compartilhamento de dados é fundamental para maximizar o valor de data spaces, especialmente em uma sociedade digital na qual os dados são altamente valorizados. No entanto, surge um desafio significativo: as empresas compartilham apenas cerca de 2% de seus dados, inclusive com parceiros, devido à falta de confiança e à infraestrutura tecnológica adequada.

O Hub nacional é a soma de todas as organizações que adotam e constroem espaços de dados dentro de um país, seguindo o padrão internacional da IDSA, e a Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC) agora passa a atuar como facilitadora do hub no Brasil. A associação apresentou, na última semana, com o apoio do Instituto de Pesquisas Eldorado, em Campinas, o conceito de Data Spaces, que cria um ecossistema de empresas para que elas compartilhem seus dados entre si a fim de alcançarem mais eficiência em seus processos de gestão e de negócio.

A ABINC está se tornando o pioneiro em espaço de dados no Brasil, liderando e centralizando atividades enquanto se estabelece como um hub de conhecimento, expertise e promoção de data spaces. De acordo com o CTO da IDSA, o objetivo de ter hubs e facilitadores em diferentes países, é escalar a adoção do padrão IDSA, aumentar o número de iniciativas envolvidas nas atividades e pavimentar o caminho para o compartilhamento seguro de dados em espaços de dados como um padrão mundial.

De acordo com dados da IDC, em 2020, o volume de dados gerados globalmente atingiu aproximadamente 64 zettabytes, o que equivale a 64 trilhões de gigabytes. No entanto, este número está previsto para aumentar significativamente, alcançando 175 zettabytes até 2025, gerando assim, um grande recurso para a economia de dados a nível mundial. 

Para Flavio Maeda, Vice-Presidente da ABINC, a parceria entre a associação e o IDSA visa esclarecer o conceito de espaço de dados, já que muitas pessoas ainda não estão familiarizadas com esse termo. Portanto, a prioridade no primeiro ano é promover a conscientização sobre esse tema no Brasil, para, então, envolver as empresas interessadas em contribuir para o desenvolvimento desse novo conceito de espaços de dados no país.

Segundo Vinicius Pagano, Business Development do Instituto Eldorado, a troca de informações entre organizações é uma coisa que vai cada vez mais avançar e tem que ser levada extremamente a sério. Flávio descreve o hub como uma cooperação internacional: “Uma parte da missão da ABINC é fazer essa cooperação internacional com outras associações relevantes no mundo, sendo um ecossistema em que empresas do setor público e do setor privado se unem para tornar os espaços de dados uma realidade no Brasil”. 

Outra oportunidade citada por Flávio está em expandir o sucesso e pioneirismo do Brasil na área de compartilhamento de dados, observado no setor financeiro pela implementação do Open Finance, para outros setores da economia. “Iremos nos próximos meses iniciar a discussão com os setores público e privado para a criação do Open Industry, para que o Brasil continue liderando a inovação na Economia Digital baseada no compartilhamento de dados e nos posicionando como um player global no setor”.

“Há um plano detalhado em andamento para acompanhar o cronograma dos próximos meses e concretizar este espaço de dados”, afirma Néstor Fábian Ayala, Diretor do Núcleo de Engenharia Organizacional (NEO-UFRGS). “A nossa missão é integrar cadeias de suprimentos nacionais e globais, possibilitando não apenas às grandes empresas, mas também às pequenas e médias empresas, compartilhar e beneficiar-se dos dados, sempre considerando o impacto positivo para os consumidores desses dados”, acrescenta.

No entanto, Sebastian destaca a segurança como um principal desafio, devido às múltiplas camadas de acesso entre a empresa provedora de dados e aquela que deseja consumi-los, juntamente com as diversas regras e políticas de uso que devem respeitar as leis vigentes em cada país. Por outro lado, o coordenador geral de Interoperabilidade da Secretaria de Gestão e Governo Digital, Marcos Pinto, ressalta a possibilidade de o governo participar do Data Space como um importante provedor de dados.

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