Big Data & Analytics – Explorar Dados, Limpar e Transformar

Continuando nossa abordagem sobre a metodologia de projetos de ciência de dados e os termos da área (veja aqui e aqui os primeiros dois artigos dessa série), que muitos falam, mas não sabem onde e quando aplicar, vamos falar sobre 3 etapas de uma vez só. Sim, porque em verdade estas etapas não ocorrem linearmente, como na figura nossa conhecida abaixo. Quando entramos na etapa de exploração de dados à medida que vamos conhecendo melhor as informações nos deparamos com a necessidade de fazer uma higienização ou uma transformação dos dados para melhorar nossa leitura dos fatos que os dados nos apresentam. Por isso, falaremos das 3 atividades em conjunto.

Fonte: A autora

3) Explorar os dados de Entrada

A etapa de “Exploração dos Dados” também conhecida como EDA (Exploratory Data Analysis), é uma das etapas onde os conhecimentos de estatística e programação (SQL, Python, R) são mais utilizados pelos profissionais da área de dados (engenheiro de dados, cientista de dados).

Como conversamos sobre a etapa anterior, uma vez que você já selecionou os dados que julga necessários e suficientes para realizar seu estudo (MVD — Minimal Viable Data), agora você vai aplicar métodos estatísticos para descobrir o valor, a veracidade e em que velocidade (5 V’s do BIG Data)você conseguirá processar estes dados.

Alguns métodos estatísticos de exploração de dados são aplicáveis para 99% dos problemas de negócios que estudamos através dos dados. Sendo assim, vou trazer aqui alguns desses métodos, mas ponderando que, para cada tipo de problema ou dado a ser analisado, temos um método mais assertivo para ele. Cada caso é um caso. A análise exploratória de dados utiliza uma grande variedade de técnicas gráficas e quantitativas, com o objetivo de maximizar a obtenção de informações ocultas na sua estrutura, ou seja, descobrir variáveis importantes em suas tendências, detectar comportamentos anômalos do fenômeno, testar se são válidas as hipóteses assumidas, escolher modelos e determinar o número ótimo de variáveis.

Vou elencar abaixo algumas dessas técnicas que estão disponíveis nas bibliotecas Python e R:

Métodos gráficos típicas usadas na análise exploratória de dados são:

  • Diagrama de caixa;
  • Histograma;
  • Análise de controle multivariada;
  • Diagrama de Pareto;
  • Carta de sequência;
  • Gráfico de dispersão;
  • Diagrama de ramos e folhas;
  • Coordenadas paralelas;
  • Razão de possibilidades;
  • Perseguição da projeção;
  • Redução de dimensionalidade:
  • Escalonamento multidimensional;
  • Análise de componentes principais (ACP);
  • Análise de componentes principais multilinear;
  • Redução de dimensionalidade não linear (RDNL);

Técnicas quantitativas típicas são:

  • Polimento da mediana;
  • Tri-média;
  • Ordenação.

Por exemplo as bibliotecas Python:

  • Numpy: Permite manipulação de matrizes, geração de números aleatórios e possui diversos recursos de álgebra linear.
  • Pandas: Fornece suporte para a modelagem por meio de análise exploratória de dados.
  • Matplotlib: Permite a visualização de dados por meio de diversos gráficos.

Na linguagem R por exemplo:

  • Lattice: Oferece uma série de funções análogas às funções gráficas do R, mas permite a construção de painéis (dashboards). Um painel é uma série de gráficos de mesmo tipo (dispersão, histograma etc.) colocados lado-a-lado para formar a história que se quer contar com esses dados (storytelling) acompanhando uma variável categórica ou quantitativa.

Exemplo de um gráfico de análise exploratória com o uso dos métodos estatísticos de análise fatorial multivariada e correlação de Pearson, para avaliar o impacto de combinação de diferentes ativos e o risco de mercado:

Fonte: Site Giants Capital

Como podem ver, nesta etapa é que começamos a identificar os famosos “Insights” da Ciência de Dados. Também deu para perceber que, caso não seja possível interpretar nenhum “Insight” ou muitos “insights” antagônicos , você terá que selecionar que manipular os dados, aí é que a etapa de exploração se mistura com a de limpeza, pois talvez você perceba que necessita retirar algumas variáveis que não são necessárias neste momento, para reduzir o tamanho do dataframe que está explorando e com isso ganhar velocidade no processamento.

Também nesta exploração, você pode identificar que necessita transformar os dados, ou seja se você ao invés de trabalhar com transações diárias sobre um produto, converter estas para um conjunto de transações mensais, vai tornar a análise mais conclusiva e rápida de ser processada, você o fará nesta fase.

Por isso a etapa de exploração, limpeza e transformação ocorrem praticamente de forma simultânea.

Na próxima semana falaremos da aplicação de modelos estatísticos, esta é a etapa da seleção de um modelo ou uma ferramenta de “machine-learning” ou “deep-learning”, dependendo do objetivo final do nosso estudo.

Fontes: Site Minerando Dados, Site ECO Using R e Site Giants Capital

Futuro da Mobilidade Mundial e no Brasil: IA embarcada e eletrificação dos veículos

A Associação Brasileira de Internet das Coisas, ABINC, realizou em fevereiro o primeiro webinar de 2021, sobre o tema Conectividade, Eletrificação e Veículos Autônomos – Futuro da Mobilidade Mundial e no Brasil.

No webinar o público pôde ouvir as empresas que lideram os avanços tecnológicos no segmento de mobilidade e de veículos autônomos, no Brasil e no exterior. Com a moderação do vice-presidente da ABINC, Flávio Maeda, as palestras foram realizadas por: Alexandre Vargha (Grupo Volvo), Dalton Oliveira (Wardston Consulting), Rogério Pires (Volth Turbo), Alexandre Uchimura (Bosch), Erico Fernandes (Mercedes-Benz) e André Nunes (Zane Eco).

O primeiro case foi apresentado pela Mercedes-Benz. O caminhão Actros, já disponível no mercado, é um veículo conectado com inteligência artificial (IA) embarcada. A tecnologia é empregada, por exemplo, no sistema de break assist. Combinada com uma câmera de alta definição e um radar, o sistema pode frear o veículo sem a interferência do motorista para evitar uma colisão.

A inteligência artificial também é utilizada para o processamento de imagens nas câmeras que substituem os retrovisores convencionais, permitindo que o motorista tenha uma boa visão da parte de trás do caminhão, que pode passar dos 20 metros. O sistema corrige até mesmo a diferença de luminosidade em situações de baixa ou alta iluminação.

A aplicação da IA no caminhão da Mercedes-Benz é uma pequena prova do que poderemos ter com os veículos autônomos. No entanto, o debate sobre o tema sempre resvala em questões como a conectividade, e nesse ponto, os desafios para o Brasil em relação ao 5G é, para alguns, um entrave para o desenvolvimento de aplicações mais modernas como os veículos autônomos.

Para André Nunes e Erico Fernandes a conectividade é sim um desafio, mas existem outros fatores que precisam ser aperfeiçoados antes da entrada da tecnologia. Além disso, cada negócio possui uma necessidade diferente de conectividade para a aplicação da solução. Nem toda aplicação necessita do 5G e no país há diferentes redes estáveis e seguras para o uso de soluções IoT.

“5G é uma questão importante, mas a infraestrutura de antenas também é uma coisa importante, assim como a infraestrutura de segurança. Não adianta, por exemplo, ter 5G e as IoTHUBs disponíveis no Brasil utilizarem oIPv4, como acontece hoje. Existem protocolos de internet 6 muito mais seguros. Existe solução para tudo, eu só acho que falta ainda uma organização, uma visão holística e sistêmica da questão de conectividade e com a participação de todos os players para que isso seja robusto” destacou Erico Fernandes da Mercedes-Benz.

Já na opinião de André Nunes da Zane Eco:

“o 5G vai trazer latência, vai trazer um monte de outras possibilidades, mas ele é uma tecnologia do futuro. Presente hoje no Brasil a gente tem o 3G, que está bem estável e é muito usado. E a depender da aplicação você utiliza o 4G, principalmente em grandes capitais. A própria rede LoRa tem crescido bastante. A gente tem uma corrida mundial sobre o lançamento de satélites para internet e banda larga. Então a conectividade é um desafio, mas nesse contexto, de acordo com a sua necessidade de negócio”.

Eletrificação

A venda de veículos elétricos cresce nos países mais desenvolvidos do mundo e deve saltar dos 2,1 milhões(em 2019) para mais de 60 milhões até 2040. O crescimento vem sendo impulsionado principalmente por mudanças na legislação que tem atuado com mais rigor contra as altas taxas de gases poluentes, e a eletrificação dos veículos é um dos caminhos para a sustentabilidade.

Mas para que a mudança tenha um impacto real no meio ambiente e, consequentemente nas vidas das pessoas, é preciso uma transformação em toda infraestrutura de carregamento e geração de energia. Outra questão quanto ao carregamento dos veículos elétricos diz respeito à capacidade de abastecimento. Existem projetos onde geradores a diesel são usados como backup caso não se tenha energia elétrica suficiente para abastecer a frota.

O caminho para a confiabilidade nos veículos elétricos, segundo Rogério Pires, da Voith Turbo, está na evolução do sistema híbrido. Combinando combustíveis alternativos como, por exemplo, o etanol e o biometano ao sistema mildhybrids, já utilizado nos veículos mais modernos. A alternativa vai de encontro a projetos de mobilidade sustentável com foco no sistema, combinando soluções sem perder o foco na confiabilidade.

“A gente pode partir para caminhos de eletrificação, pode partir para combustíveis alternativos. Nós podemos mixar os dois.Nos casos de veículos híbridos nós já temos o MildHybrids. O etanol é o grande exemplo de solução que a nossa engenharia local trouxe e hoje na parte de veículos de passageiros a combinação do etanol com o MildHybrids é o que existe de mais ecologicamente correto no momento”, Rogério Pires, Voith Turbo.

Na parte dois desse artigo resumido do webinar falaremos sobre as baterias e a importância dos dados no contexto dos veículos autônomos.

Este webinar foi organizado e curado pelo Comitê de Auto & Mobilidade Urbana da ABINC, que tem como missão atuar como um agente ativo e de transformação abrangendo temas de tecnologia automotiva e de mobilidade conectada atuando nos segmentos:

  • Arquitetura e Desenvolvimento de Soluções de Sistemas Inteligentes e Integrados ao Ecossistema Automotivo;
  • Segurança e Privacidade de Dados;
  • Pesquisa e Inovação;
  • Mercado e Regulamentação;
  • Educação e Formação Continuada.

Saiba mais sobre o Comitê, aqui.

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Big Data & Analytics — Aplicar, Testar e Acompanhar Modelagem Estatística

Para fechar nosso ciclo de etapas do desenvolvimento de um projeto de BIG-Data e Analytics, entendendo os “jargões” da área, vamos falar das etapas mais glamourosas! A aplicação dos modelos estatísticos, algoritmos, inteligência artificial!

Estas são as etapas 6, 7 e 8. Assim como as anteriores 3, 4 e 5 (veja aqui, aqui e aqui) elas não seguem uma sequência reta. Elas vão e vem de acordo com os resultados de cada experimento, afinal estamos falando de “Ciência de Dados”, cientistas fazem experimentos até obter o resultado esperado das suas pesquisas.

Durante o processo de análise exploratório, definimos os resultados que podemos obter dos dados disponíveis. Com base nestas definições prévias vamos escolher qual seria o melhor algoritmo a ser aplicado para que possamos ter as respostas mais assertivas para o problema de negócios.

Existem algumas regras básicas para definição de “ferramenta” ou “algoritmo” para cada tipo de “problema de negócios”.

Então entraremos nos termos “dados estruturados” e “dados não estruturados”. Os dados estruturados são essencialmente numéricos, quantitativos, já os dados não estruturados, não possuem uma formatação padrão, podem ser imagens, áudio, textos em diversos idiomas.

Se o estudo que estamos trabalhando deve ser desenvolvido sobre uma base de dados quantitativos (estruturados) vamos optar por “algoritmos” ou “métodos estatísticos” ou ainda “machine learning tools” (ferramentas de aprendizado de máquina) “supervisionados”. Ou seja, a máquina vai aprender sobre este processo, estes dados de acordo com o que o “Cientista de Dados” apresenta para ela como hipóteses corretas. Este é o aprendizado “supervisionado”, onde a máquina vai buscar as variáveis com as correlações mais próximas daquelas que foram apontadas como corretas. Isso chamamos de “treinamento de modelos” ou de “robôs”.

Os métodos estatísticos mais conhecidos para resolver problemas com a técnica de aprendizado supervisionado são:

  • Regressão linear,
  • Regressão logística,
  • Redes neurais artificiais,
  • SVM (Support Vector Machine),
  • Árvores de decisão (Decision-tree),
  • Bayes (probabilidade).

Aprendizado de máquina supervisionado é a área que concentra a maioria das aplicações do uso de “machine learning” na ciência de dados, desde estudos de segmentação de clientes, previsão de manutenção de equipamentos, análise de riscos dentre outros.

Método Supervisionado

Modelagem Estatística
Fonte: Site iMasters

Quando trabalhamos com dados “qualitativos”, ou seja, “não estruturados”, como imagens, sons, textos aleatórios. Nesse tipo de problema aplicamos os modelos (algoritmos, métodos estatísticos) “Não Supervisionados”.

Por exemplo, se estamos buscando identificar o “Perfil” do cliente que utiliza os serviços de banco pelo celular. Obtivemos informações do cliente, desde as quantitativas (transacionais) bem como sua conversação nos canais digitais (mensageria, redes sociais etc.). Para identificar quem é esse cliente, o ideal é agrupar as características mais relevantes.

Nesse exemplo, poderíamos observar o seguinte:

Modelagem Estatística

Estes casos são os mais complexos, pois muitas vezes teremos que aplicar diversas técnicas estatísticas (algoritmos) em sequência para extrair informações precisas dos dados. As técnicas aqui são em sua maioria de correlação por aproximação e probabilísticas.

As mais utilizadas são:

  • Redes neurais artificiais,
  • Expectativa-Maximização,
  • Clusterização k-means,
  • Clusterização Hierárquica,
  • SVM (Support Vector Machine),
  • Árvores de decisão isoladoras (Decision-tree),
  • Mapas auto-organizados (Mapas de calor).

Como podem ver no exemplo abaixo as análises “Não supervisionadas” sobre um mesmo “Dataset”:

Modelagem Estatística
Fonte: Site Sciki Learn — Unsupervised Clustering examples

Podemos dizer que os métodos não supervisionados são a base mestra da “Inteligência Artificial”.

Como mencionamos estas etapas vão e vem até que os testes nos apresentem resultados conclusivos do estudo, ou seja, tenhamos um nível de assertividade entre 90% a 99%.

Então apresentamos e faremos o “acompanhamento”, que é confrontar nossas análises com a realidade dos fatos. Se indicamos uma cesta de produtos ideal para nosso cliente, vamos acompanhar quantos clientes efetivamente adquiriram a cesta que indicamos, comparando com um grupo de clientes que não tenha sido tocado pela campanha (grupo de controle). Enfim, os projetos de “Ciência de Dados” sempre deixam um gosto de “quero mais”.

Sempre teremos que reavaliar e incrementar análises, pois sempre haverá novas descobertas!

Fontes: iMasters Técnicas de Machine Learning; Medium Blog; Sciki Learn — Unsupervised Clustering examples

Presidente da SMART Modular Technologies fala sobre oportunidades com IoT, expansão de negócios e enfrentamento à Covid-19 – Parte 2

Na primeira parte deste artigo apresentamos nosso novo patrocinador Full Service IoT, a SMART Modular Technologies, empresa que atua no mercado de componentes semicondutores de memória, de módulos de memória, de dispositivos de armazenamento de dados em estado sólido (Solid State Drives – SSD’s) e de módulos de comunicação sem fio para a Internet das Coisas. Também iniciamos a entrevista com o diretor presidente da SMART do Brasil, Rogério Nunes, que falou sobre as visões estratégicas para 2021. Neste artigo apresentamos a segunda parte desta entrevista.

ABINC: COMO É O PROCESSO DE INOVAÇÃO DA SMART? HÁ UM DIALOGO COM O MERCADO PARA COMPREENDER SUAS DORES E DEMANDAS?

Rogério Nunes: Nós temos uma complexa estrutura em desenvolvimento na SMART. Temos uma área de desenvolvimento de novos negócios onde colocamos uma parte dos nossos engenheiros de pesquisa e desenvolvimento para que identifiquem as necessidades não só comerciais mas as  técnicas gerando  as  especificações do produto.

Esse sistema tem dentro da fábrica, engenheiros que ficam em laboratórios fazendo o desenvolvimento do produto e laboratórios de prototipagem como nós temos, por exemplo, dentro do instituto Eldorado, que eu costumo chamar de uma quarta operação da SMART. Nós fizemos um investimento lá importantíssimo. Essa iniciativa foi a primeira no Brasil, e isso já foi noticiado

Nessa unidade nós conseguimos fazer não só desenvolvimento de prancheta, mas também o design através da utilização do sistema de desenvolvimento, e conseguimos fazer também a prototipagem, avaliação e teste.

ABINC: QUAIS  MERCADOS DEVEM SER ATENDIDOS PELA NOVA FÁBRICA EM MANAUS?

Rogério Nunes: A SMART em 2009 exportava 15% dos seus produtos, a partir daí tivemos um crescimento muito grande no Brasil e passamos a encontrar dentro do mercado nacional um resultado melhor. Hoje atuamos com aproximadamente 98,5%, de fornecimento local. Porém, IoT é um dos produtos que eu entendo que teremos uma grande oportunidade de exportação. Os produtos que nós fabricamos hoje, uma memória para smartphone, por exemplo, eu não consigo vender na Colômbia, nem Argentina ou Paraguai, porque eu só consigo exporta-lo para fábricas de celulares. Nós não temos fábricas de celulares nos EUA, nem na América Latina, exceto Brasil, nós não temos fábricas de celulares em muitos países.  Então, nesse cenário, a alternativa que tínhamos era o Brasil ou exportar para a China e acho que qualquer um vai concordar que exportar para a China com competitividade não é algo possível nesse momento, nem nos últimos anos.

Eu entendo que com IoT será diferente. Como nós teremos modelos que serão aplicados a específicas regiões, e haverá processos de instalação, processos dedicados a cada país, nós teremos uma oportunidade enorme de aí sim atuar no Uruguai, no Paraguai, na Colômbia, no Peru, no México ou em qualquer país com o produto desenvolvido aqui. A nossa fábrica de Manaus estará bem posicionada, porque teremos reduzido  imposto na importação de aquisições voltadas para exportação.

ABINC: QUANTO AINDA DEVE SER INVESTIDO NO PAÍS E QUAIS OS IMPACTOS DIRETOS E INDIRETOS PARA ECONOMIA E NOS POSTOS DE TRABALHO?

Rogério Nunes: Em meados de 2018 nós fizemos um anúncio de investimentos de 700 milhões de reais até 2022. Nós ainda não finalizamos esse investimento, essa iniciativa em Manaus está dentro desse contexto, as iniciativas de IoT também estão. Como eu mencionei, nós teremos ainda 9 produtos sendo lançados esse ano, então os investimentos são bastante expressivos.

Quanto aos posto de trabalho, ainda que a SMART tenha processo avançados de manufatura, automatizados e robotizados nos empregamos hoje cerca de 700 funcionários, A SMART tem processos de manufatura muito próximos, se não absolutamente inseridos dentro da indústria 4.0, incluindo a nossa fábrica de módulos. Não somente na nossa fábrica de encapsulamento, nós hoje utilizamos robôs para fazer os testes dos nossos módulos. Com os módulos de IoT não é diferente. Mesmo assim, haverá uma contratação em Manaus importante, uma vez que se trata de um processo de expansão, então sem dúvida nós teremos lá um processo de contratação, com aumento da ordem de 20% do número de funcionários, mas não posso ir além do que eu já estou dizendo, em termos de números.

ABINC: A SMART POSSUI SOLUÇÕES PARA O ENFRENTAMENTO DA COVID-19?

Rogério Nunes: Nós temos um robusto plano no controle da Covid-19. Nós ansiamos pelo processo de vacinação e já anunciamos aos nossos funcionários de que havendo possibilidade de a iniciativa privada adquirir as vacinas nós faremos de forma antecipada a vacinação dos nossos funcionários e seus familiares.

Temos um processo de controle absolutamente robusto, nós usamos o modelo home office para cerca de 27% da nossa população. Nós somos uma fábrica e como tal nós precisamos ter pessoas atuando no processo de manufatura e procuramos proteger aquelas pessoas que diariamente vão à indústria, reduzindo o contato que ela possa ter com as pessoas que não precisam estar na fábrica.

Temos transporte próprio para funcionários e restaurantes então nós conseguimos administrar e temos todo o controle de distanciamento social, sanitização, uso de máscara, monitoramento de temperatura, nós estamos com um médico residente. Fazemos isolamento preventivo de funcionários, independente do resultado do teste, e entrevistamos diariamente os trabalhadores. Ao saber de um contato eventual com alguém contaminado procuramos isolar aquelas pessoas.

Desde janeiro do ano passado, ainda antes do início oficial da pandemia, nós já vínhamos fazendo o controle de visitas, proibição de viagens e esse controle interno. Fizemos mudança no layout na empresa, fizemos um investimento importante para que nos adaptássemos a essa condição. Nós fomos auditados e vistoriados por clientes, parceiros e agentes de sanitização e tivemos muitos elogios e certificação inclusive sob os nossos processos.

Participamos do movimento de “não ao desemprego”, não fizemos demissões e nem fizemos redução de jornada de trabalho ou redução de salário em nenhum momento da pandemia. Nós procuramos valorizar o funcionário, demos férias, fizemos uma equalização de férias ao longo da equipe para que tivesse equidade de todos os nossos colaboradores para que ninguém se prejudicasse.

Tenho orgulho e sorte de dizer que na SMART nós não tivemos absolutamente nenhum caso grave, nós praticamente não tivemos nenhum caso de internação, temos uma população jovem, acho que isso ajuda, o único que não é jovem lá sou eu, mas isso tem nos ajudado.

Presidente da SMART Modular Technologies fala sobre oportunidades com IoT e expansão de negócios no Brasil – Parte 1

Com muito orgulho, a Associação Brasileira de Internet das Coisas – ABINC – anuncia seu novo patrocinador Full Service IoT, a SMART Modular Technologies que atua no mercado de componentes semicondutores de memória, de módulos de memória, de dispositivos de armazenamento de dados em estado sólido (Solid State Drives – SSD’s) e de módulos de comunicação sem fio para a Internet das Coisas. A SMART Modular Technologies atua no mercado nacional a quase duas décadas, sendo pioneira e líder absoluta na produção de circuitos integrados de memória DRAM, Flash e de módulos de memória. E é subsidiária da SMART Global Holdings.

A ABINC entrevistou o diretor presidente da SMART Modular Technologies, Rogério Nunes, que falou sobre projetos, expansão das operações, oportunidades de negócio no Brasil e proteção dos trabalhadores contra a Covid-19. Para o executivo, a parceria com associação é de grande importância já que em seu quadro de associados estão os principais players do mercado de IoT. Nunes ainda destaca que através deste coletivo é possível gerar condições para melhorar a complexidade tributária no país.

“A ABINC possui os principais players do setor. Que podem ser concorrentes ou parceiros, mas que no fim, irão gerar condições para as questões regulamentares para o mercado. O Brasil é carente de regulamentações, tem uma enorme complexidade tributaria. Nós entendemos que através da ABINC podemos levar as nossas demandas, obter respostas e colaborar com soluções, dando as nossas ideias e buscando resolver e estimular os negócios de IoT”, comentou Rogério Nunes.

Com expertise na produção de componentes eletrônicos, a companhia trabalha para expandir suas atividades na cadeia de valor da internet das coisas. Desde 2020 são produzidos módulos de comunicação LoRaWAN, os dispositivos são utilizados no monitoramento inteligente do consumo de água, gás e energia elétrica. Apesar do pouco tempo de mercado, o produto já se mostra competitivo frente aos concorrentes importados, colocando a SMART Modular Technologies em uma posição de crescimento para os próximos anos. A empresa já avalia novas oportunidades na parte de hardware, que devem passar por diversos tipos de sensores e devices já utilizados nas aplicações de IoT, e mira também o desenvolvimento de software e serviços.

As operações da SMART Modular Technologies são independentes da matriz SMART Global Holdings e suas subsidiárias. Exemplo disso é a nova aquisição do grupo, a SMART Wireless, focada no desenvolvimento de tecnologia para cidades inteligentes e dispositivos para área de saúde. Um dos destaques desta empresa é um espelho inteligente utilizado em academias para o monitoramento da atividade física dos alunos. O dispositivo, que não tem previsão de chegar ao Brasil, também pode ser utilizado em casa oferecendo maior capacidade de conexão com outros aparelhos e ampliando a analise de dados.

Leia abaixo a primeira parte da entrevista realizada com o diretor presidente da SMART Modular Technologies, Rogério Nunes.

ABINC: QUE DESAFIOS DA NOVA DINÂMICA MUNDIAL A SMART TÊM PARTICIPADO E SE INSERIDO?

Rogério Nunes: O mercado mundial tem dado mensagens muito claras no que diz respeito à tecnologia. Não tenho como deixar de citar nesse exemplo a guerra tecnológica que se criou entre os EUA e a China, por exemplo, focados numa concentração desproporcional de fabricação na Ásia. Essa desproporção parece estar começando a criar condições para que isso seja quebrado. A gente vê o governo americano fazendo investimentos enormes em diversos setores, atraindo fábricas de manufatura. Investimento de bilhões para que as grandes corporações e não apenas as pequenas startups, se instalem e venham a gerar manufatura no mercado americano. Igualmente saiu na Europa há poucas semanas um planejamento conjunto entre diversos países, colocando um número astronômico de investimento possível, atraindo e incentivando as empresas para que elas venham a se instalar também na Europa.

A Europa pretende produzir pelo menos 20% dos componentes do mundo, hoje ela não produz nem 5%. Nesse cenário eu vejo que o Brasil pode despontar porque o país não tem restrição aos EUA, à Ásia ou Europa. Na verdade, o Brasil aparece como uma oportunidade, se conseguir fazer reformas tributárias adequadas, se conseguir criar mais competitividade e estabelecer critérios importantes de exportação, eu vejo que o Brasil poderá atuar muito fortemente porque tem conhecimento e um forte mercado interno e tudo isso poderá ser uma alavanca para que o Brasil passe então a exportar produtos.

Eu vejo a área de IoT como uma oportunidade grande para que projetos sejam feitos de diversas formas, com aplicações diversificadas e diferentes para países. Eu acho que o Brasil então surge como uma oportunidade grande para se desenvolver e produzir tecnologias aqui, que possam então ganhar uma cadeia de valor globalmente em função das restrições que surgem aí fora. Para que isso aconteça, é necessária uma forte ação da iniciativa privada, por isso nós estamos aqui com a ABINC, buscando fazer investimentos nesse setor, mas vai precisar também de uma grande cooperação de governo, criando estratégias adequadas, relações comerciais internacionais adequadas para que esses negócios possam vir a acontecer de forma bilateral.

ABINC: QUAL O FOCO ESTRATÉGICO PARA 2021?

Rogério Nunes: Bom, nesse ano de 2021 nós anunciamos recentemente uma expansão para uma operação em Manaus, buscando otimizar as condições de incentivo, uma vez que no Brasil as regiões têm características de custo/incentivo, dependendo da sua produção e até do destino desse produto. Então buscando otimizar esse aspecto tributário, logístico e operacional nós estamos fazendo esse investimento e nossa expectativa é que ainda ao final desse ano nós estejamos produzindo e vendendo produtos a partir de Manaus.

Em termos de produto nós temos o Solid State Drives (SSD) que estamos fazendo um investimento muito grande, e vai ser produzido tanto em Atibaia quanto em Manaus. Esse produto tem uma demanda expressiva no Brasil, cerca de não mais de 20% dos computadores em 2020 usaram SSD, e nesse ano nós imaginamos que esse número vai dobrar e no ano que vem deve chegar na casa na casa dos 60% a 70% dos computadores. Nesse cenário, sem dúvidas, é um produto que cresce no mundo. Mas a menina dos olhos que nós temos em 2021 é a IoT.

Nós temos nesse ano de 2021, uma expectativa de desenvolver nove produtos diferentes na linha de IoT, então eu não vou falar os detalhes desses produtos, alguns são confidenciais, mas nós temos uma expectativa muito grande de conseguir plantar sementes que darão frutos importantíssimos para nós nos próximos dois ou três anos no setor de IoT.

Na segunda parte desta entrevista traremos mais informações sobre a expansão das atividades da SMART Modular Technologies no Brasil e o trabalho da empresa no enfrentamento da Covid-19 em suas instalações. 

Futuro da Mobilidade Mundial e no Brasil: baterias e orientação por dados com atuadores dinâmicos IOT

No artigo anterior destacamos a primeira parte do que foi apresentado no webinar Conectividade, Eletrificação e Veículos Autônomos – Futuro da Mobilidade Mundial e no Brasil, que traz informações sobre inteligência artificial (IA) embarcada e eletrificação dos veículos. Nesta segunda parte, Alexandre Vargha (Grupo Volvo), Dalton Oliveira (Wardston Consulting), Alexandre Uchimura (Bosch) e André Nunes (Zane Eco) apresentam informações sobre as baterias e orientação por dados.

Recentemente, o Grupo Volvo anunciou o lançamento de uma nova área de negócios, a Volvo Energy, criada para acelerar a eletrificação e fortalecer o fluxo de baterias ao longo do ciclo de vida, bem como a oferta para infraestrutura de carregamento. O objetivo geral do novo grupo é reduzir o impacto ambiental de veículos comerciais elétricos, híbridos elétricos e máquinas, dando às baterias usadas uma segunda vida em diferentes aplicações.

A bateria é um dos componentes centrais de um carro elétrico e, por isso, o seu gerenciamento e o monitoramento é algo extremamente complexo. A bateria utilizada nos veículos é muito sensível às condições de temperatura, então é preciso ter uma cadeia lógica estruturada para poder oferecer o suporte necessário para a sua manutenção de forma eficiente.

“Quando se usa essa tecnologia é preciso ter uma infraestrutura muito bem elaborada, do ponto de vista da montadora, além dos requisitos dos sistemas de carregamento que também está incorporado. Através da inteligência conectada, a Volvo está utilizando o seu ecossistema de dados para melhorar a questão da eficiência energética em veículos a combustão e de propulsão híbrida e elétrica. Com a inteligência conectada aplicada, obtemos resultados de melhoria de 3% a 12% na eficiência operacional. É um resultado espetacular para os clientes. Isso tem impacto no TCO – Total Cost Ownership – da melhor forma possível provendo economia e melhor performance operacional aos clientes”, destaca Alexandre Vargha, do Grupo Volvo e Líder do Comitê de Auto & Mobilidade da ABINC.

A utilização de dados para o beneficiamento das aplicações é outro ponto importante quando se fala de veículos autônomos ou elétricos. Para André Nunes, da Zane Eco, é preciso olhar os dados de forma prioritária, para que o condutor possa ter informações sobre as condições da pista e como isso deve afetar o consumo de energia, além do tempo de carregamento das baterias. Essas informações são cruciais para otimização do tempo, principalmente quando é necessário abastecer uma frota de veículos.

Esse conjunto de informações aliado à tecnologia é um fator importante para melhorar a experiência do usuário. Para atingir esses objetivos também é preciso superar desafios como o tempo de carregamento das baterias. Algo que será superado através do maior gerenciamento das informações.

Segundo André Nunes, da Zane Eco,

“não é só a eletrificação que é a grande transformação. Os veículos vão ter o conceito de orientação por dados, porque em qualquer definição, como a rota, é preciso calcular antes a capacidade da bateria e a influência do tráfego projetado. Por exemplo, pode ter ocorrido um acidente na via, como isso influencia o consumo?”

“A transformação digital não é apenas sobre tecnologia, é também sobre processos e experiência do usuário. Como engenheiro eu costumo falar que para fazer uma transformação digital precisamos unir tecnologia, ciência e engenharia para trazer valor para o negócio e melhorar a experiência do usuário”, Dalton Oliveira, Wardston Consulting e vice-líder do comitê de Auto & Mobilidade Urbana da ABINC.

Os veículos autônomos estão cada vez mais próximos da realidade brasileira, mesmo que tenhamos inúmeras queixas quanto à qualidade das vias. Alexandre Uchimura, da Bosch, defende que os carros autônomos veem para trazer segurança e conforto, e que a questão da disrupção dependerá da massificação.

Hoje os veículos são pensados com inovações cada vez maiores.Um dos próximos passos dessa tecnologia serão os automóveis autônomos que podem se guiar através de sensores instalados em um edifício até uma vaga disponível, sem a necessidade de um motorista ou manobrista.

As pessoas falam: Como o carro vai andar sozinho no Brasil? Não tem nem faixa direito, vai matar pessoas. Temos que desmitificar isso, porque na verdade os carros autônomos veem para trazer segurança e conforto. Os níveis de autonomia dependerão da aplicação e do local. Vai coexistir com o drive assistent e começará por uma automação parcial, alta e depois completa. Nós já estamos trabalhando até mesmo em outras soluções, como estacionar automaticamente um veículo”, Alexandre Uchimura, da Bosch.

O futuro dos veículos elétricos e autônomos é algo próximo e tangível. Pesquisas indicam que a sua produção deve movimentar globalmente US$ 60 bilhões. Ao mesmo tempo em que estão colhendo, processando e enviando dados os veículos autônomos podem beneficiar as cidades inteligentes, disponibilizando informações para que órgãos responsáveis possam fazer melhorias nas vias.

O webinar Conectividade, Eletrificação e Veículos Autônomos – Futuro da Mobilidade Mundial e no Brasil abre espaço para que as empresas que lideram essas tecnologias apresentem cases e apontem informações pertinentes sobre esse mercado. Além disso, é também uma oportunidade para que novas empresas possam participar dos comitês de trabalho da ABINC e se aprofundar no que há de mais novo em cada vertical.

“O nosso principal objetivo com esse webinar foi abrir os olhos de todos os participantes do evento. Para quem acha que isso é futuro, que vai demorar muito para acontecer ou às vezes não enxerga a abrangência e as oportunidades que existem por de trás de tudo isso que a gente falou aqui. Essa é uma missão da ABINC. E a melhor forma de entender tudo isso é trazer as empresas para participar dos comitês”, Flávio Maeda vice-presidente da ABINC.

O Comitê de trabalho Auto & Mobilidade Urbana tem como missão atuar como um agente ativo e de transformação, abrangendo temas de tecnologia automotiva e de mobilidade conectada atuando nos segmentos:

  • Arquitetura e Desenvolvimento de Soluções de Sistemas Inteligentes e Integrados ao Ecossistema Automotivo;
  • Segurança e Privacidade de Dados;
  • Pesquisa e Inovação;
  • Mercado e Regulamentação;
  • Educação e Formação Continuada.

Saiba mais sobre o Comitê, aqui.

Para acessar o vídeo completo clique aqui.

O que se pode esperar após aprovação da Lei da IoT

Muito aguardada pelo setor de internet das coisas (IoT), a Lei nº 14.108 ou Lei da IoT passou a valer a partir do dia primeiro de janeiro deste ano. O dispositivo de lei atende a demanda da Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC) e de outras entidades que se manifestaram pelo incentivo a exploração comercial do ecossistema de comunicação.

Com a lei, as taxas de fiscalização de instalação e as taxas de fiscalização de funcionamento dos sistemas de comunicação máquina a máquina foram zerados pelos próximos cinco anos. Isso significa que haverá mais viabilidade de projetos e novas oportunidades de mercado dentro das verticais de agricultura, cidades inteligentes, manufatura, saúde, varejo e veículos autônomos.

“Com a medida, a expectativa é de que o Brasil seja uma das grandes potências globais no mercado de Internet das Coisas. Outro aspecto positivo é que a desoneração incentive o desenvolvimento de dispositivos com a tecnologia 5G”, destacou o ministro das Comunicações, Fábio Faria, em comunicado oficial.

O fato é que a IoT já está em todo dos lugares e faz parte do dia a dia das pessoas. Porém, a nova lei deve contribuir para acelerar projetos como:

Na agricultura: sensores instalados nas plantas, nos animais, no solo, nos veículos coletam e processam dados para que o produtor possa identificar, por exemplo, onde é necessário a aplicação de adubo e quanto cada área necessita. Ele também pode receber em tempo real a localização do rebanho e dados sobre a saúde dos animais.

Nas cidades inteligentes: gestores públicos utilizam a tecnologia para melhorar a qualidade de vida das pessoas organizando e otimizando de forma digital a mobilidade urbana, o uso de energia, o acesso aos serviços públicos etc.

Na manufatura: a modernização das fábricas com a automatização das operações e análises em tempo real do que acontece no chão de fábrica, esse conceito também é conhecido como Indústria 4.0.

Na saúde: a integração de sistemas digitais através da IoT contribui para o monitoramento ágil de pacientes, permitindo maior assertividade no tratamento. Alguns pacientes podem até mesmo continuar o tratamento no conforto do lar, sem a necessidade de ocupação de leitos em hospitais. A telemedicina e a vídeo cirurgia também se beneficiam com os investimento em IoT.

No varejo: a internet das coisas está ajudando o setor a aprimorar o relacionamento com o cliente e a experiência de compra. O monitoramento do comportamento do consumidor tem possibilitado, por exemplo, a customização de serviços e entregas mais rápidas.

Veículos autônomos: a tecnologia já é explorada fora do país e agora pode estar mais próximas de se tornar realidade no Brasil. Os veículos autônomos necessitam de uma conexão robustas e estável para operar de forma segura e dividir as pistas com outros veículos e pedestres. A tecnologia não se refere apenas aos veículos de passeio, mas também aos autônomos que podem ser utilizados pelo varejo para fazer a entrega de mercadorias.

ABINC está preparada para o novo mercado com a Lei de incentivo a IoT

O presidente da ABINC, Paulo José Spaccaquerche, acredita que com a Lei da IoT as empresas brasileiras poderão se tornar mais competitivas e poderão mirar também o mercado externo. O impulsionamento do ecossistema torna a tecnologia mais barata e incentiva investimentos na área. Isso significa mais escalonamento de aplicações IoT, e mais informações cruciais sobre o negócio nas mãos de líderes e gestores.

“Na ABINC, estamos extremante satisfeitos! Participamos com outras entidades nas manifestações e ajuda ao projeto do deputado Vitor Lippi (PSDB/SP). Com a lei, teremos condições de competir inclusive fora do Brasil. Temos a oportunidade de geração de empregos e isso é uma maravilha na situação em que estamos vivendo. Quem sabe para o próximo ano a gente não tenha um impulsionamento grande de novos empregos”, comentou o presidente Paulo José Spaccaquerche.

O presidente também afirma que a ABINC está atenta e preparada para este novo momento da IoT no Brasil. Em 2022 a associação terá uma plataforma de educação para contribuir com a formação de novos profissionais de IoT qualificados para as demandas da economia 4.0.

“Com essa plataforma de educação a gente se sente satisfeito por contribuir para o crescimento do país, porque, afinal de contas, está é uma das missões da ABINC. Ajudar o ecossistema de IoT a crescer no Brasil e gerar novos empregos, gerar novos projetos e assim por diante”, finalizou Spaccaquerche.

ABINC e BNDES apresentam em webinar novo programa de crédito para adoção de tecnologias 4.0

Para apresentar o novo serviço do BNDES que oferece crédito para a adoção de tecnologia 4.0, a ABINC realizou um webinar com a apresentação detalhada do programa e o credenciamento de serviços tecnológicos no CFI. O evento contou com a mediação do presidente da ABINC, Paulo José Spaccaquerche, e foi ministrado por Gabriel Aidar e Matheus Chaguri, ambos do BNDES.

 “A pandemia ajudou a gente a desencaixotar diversas coisas, desengavetar outras que estavam paradas. Eu acho que o BNDES foi muito rápido na preparação desse serviço para o 4.0. Nós começamos a falar sobre isso no início do ano (2020), ainda em fevereiro, e hoje estamos apresentando esse serviço”, Paulo José Spaccaquerche, presidente da ABINC.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES – lançou, em 2020, uma nova linha de financiamento para contratação de serviços tecnológicos, credenciados pelo BNDES. A expectativa é atender todos os setores que demandam serviços tecnológicos, desde a indústria às cidades inteligentes e ao agronegócio.

O BNDES Crédito Serviços 4.0 é voltado para os clientes contratantes de serviços digitais e tecnológicos, com limite de financiamento de até R$ 5 milhões por operação de crédito. Os fornecedores de serviços tecnológicos 4.0 devem se credenciar no CFI BNDES, uma vez que só podem ser financiados os serviços previamente credenciados.

O BNDES elencou as categorias de serviços tecnológicos que podem ser financiados no programa. Ainda que algumas não sejam exclusivas da cultura 4.0, há o entendimento de que são complementares para atingir esse nível de maturidade. São elas:

  • Manufatura Enxuta
  • Digitalização
  • IoT
  • Manufatura Avançada
  • Desenvolvimento de Novos Produtos e Processos
  • Tecnologias Industriais Básicas
  • Eficiência Energética e Redução de Resíduos

“O BNDES está apoiando o novo padrão produtivo, alcançado através das tecnologias 4.0. Uma coisa muito importante, O BNDES está tentando ter um olhar para 4.0 focado não apenas na indústria, mas também nas suas aplicações para serviços, logística, prestação de serviços, comércio, agricultura, saúde e o próprio setor público (com soluções para as cidades inteligentes)”, comentou Gabriel Aidar, BNDES, durante a apresentação.

Quem pode buscar o financiamento

O financiamento pode ser acessado por empresas, produtores rurais, Estados e Municípios (Administração Pública). Para o agronegócio há a possibilidade de acesso pela pessoa física. O financiamento é feito de forma indireta, o cliente deve buscar um agente financeiro credenciado no BNDES, portanto, apto para realizar a operação. Atualmente, o programa está em fase de expansão do catálogo de serviços credenciados. Esta ampliação visa tornar o produto ainda mais atrativo para clientes e agentes financeiros.

O programa financia 100% do valor da prestação de serviço e ainda permite que sejam acrescentados até mais 20% para um giro associado. Ou seja, o tomador de serviço terá esse recurso a ser utilizado para financiar demais custos associados à implantação do serviço tecnológico.

O limite de crédito, conforme mencionado, é de R$ 5 milhões, que podem ser pagos em até 120 meses (10 anos), com carência mínima de 3 meses e máxima de 24 meses. O prazo máximo é definido pelo agente financeiro. Há três possibilidades de taxas de juros (TLP/TFB/SELIC), acrescido de spread operacional de 0,95% ao ano do BNDES e spread do agente financeiro.

Credenciamento das empresas fornecedoras de serviço tecnológico

O que é avaliado

O BNDES avalia a capacidade de a empresa entregar o serviço ofertado e o escopo do serviço frente às categorias elencadas, bem como o seu Índice de Credenciamento. Sugere-se ao fornecedor que modularize os serviços com base em alguns parâmetros, como por exemplo faixa de preço, setores clientes, escopo da solução e porte do projeto. Tudo isso contribui para o processo de avalição do credenciamento e facilita a posterior operacionalização do crédito. Os parâmetros contidos nos processos de credenciamento não são disponibilizados publicamente.

Credenciamento

Para solicitar o credenciamento da sua empresa é necessário acessar o Portal CFI. Na página também estão disponíveis tutoriais, downloads de formulários e também regulamentos e normas, cujo conteúdo visa esclarece sobre os processos e critérios envolvidos. Há também um tutorial em vídeo sobre como realizar o passo a passo do credenciamento.

Para realizar o cadastro é necessário ter em mãos algumas informações e documentos da empresa que deverão ser anexadas durante as etapas. No entanto, para o caso de fornecedores de serviços, alguns documentos não são obrigatórios neste primeiro acesso, como a Escrituração Contábil Fiscal (ECF), Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e o contrato social. Esses campos poderão ser justificados com a ressalva de que poderão, posteriormente, ser exigidos nas renovações periódicas do cadastro.

Para acessar a gravação da apresentação clique aqui.

Oportunidades para as cidades inteligentes solucionarem problemas provocados pela pandemia

Os projetos de cidades inteligentes foram impactados em todo o mundo pela pandemia de Coronavírus e voltam a ganhar força à medida que pesquisadores e desenvolvedores se concentram nas soluções com maior impacto para essa nova realidade.

Assim como as atividades comerciais e industriais tiveram que se adaptar e continuam a buscar alternativas para se manterem de pé, os projetos de Cidades Inteligentes deram uma guinada ao direcionar todo os esforços para resolver os problemas que afetam o coletivo. Todos que trabalham na transformação das cidades estão se debruçando para mitigar os problemas causados pela pandemia, isso provocou uma mudança no cenário de inovação, fazendo com que ideias mais conceituais perdessem espaço.

“A pandemia desacelerou tudo aquilo que não era emergencial, o que era inovação por inovação. Mas algumas aplicações que efetivamente resolvem a vida dos cidadãos foram muito aceleradas. Projetos de cidades inteligentes que são compatíveis com esse novo cenário estão sendo pensados e estão sendo encaminhados com muita seriedade”, afirmou Aleksandro Montanha, presidente do Comitê de Cidades Inteligentes da Associação Brasileira de Internet das Coisas – ABINC.

Montanha participou do quadro de tecnologia da Rádio CBN Maringá apresentando sua visão sobre as mudanças provocadas pela pandemia no planejamento tecnológico das cidades. O especialista em tecnologia aproveitou a oportunidade para apresentar essas novas oportunidades para os projetos de cidades inteligentes pensadas para melhorar a vida das pessoas em uma nova realidade onde se prioriza o adensamento das cidades.

Trechos da participação de Aleksandro Montanha na CBN

Cidade de 15 minutos

O conceito não é novo, e vem sendo debatido há algumas décadas. Trata-se de reorganizar os centros urbanos para atender a demanda da população dentro de microrregiões. A ideia é que todo tipo de atendimentos públicos e privados estejam em até 15 minutos dos lares. Isso evitaria grandes aglomerações em transportes públicos e criaria mais áreas para que as pessoas pudessem circular com segurança sem automóveis, como calçadões e ciclovias.

Em alguns países as redes de supermercado estão adotando o conceito dentro de sua estratégia logística para se aproximar mais do cliente final. Pulverizando as unidades de loja em pequenos mercados, pequenas farmácias, o serviço passa a ser mais bem personalizado a demanda local.

A ideia também abriu espaço para o uso de veículos autônomos nas entregas, outra realidade ainda distante do Brasil, mas que segundo Montanha pode se tornar possível assim que tivermos investimentos fortes nesta área ou algum tipo de benefício fiscal para alavancar a aplicação.

Com centros urbanos cada vez maiores, e fluxo intenso nos meios de transporte, as pessoas não querem ficar aglomeradas em transportes públicos, principalmente durante uma pandemia. A ideia é você ter todos os tipos de soluções e atendimentos públicos e privados em até 15 minutos de onde você e esta é uma tendência mundial.  A tendência é reorganizar as áreas urbanas.

A cidade inteligente é assim, não é só desenvolver e aplicar a tecnologia, ela tem que ser o meio. O fim é resolver os problemas das pessoas com a tecnologia e é isso que está acontecendo. Agora nós temos mais diretrizes, tem o governo bem mais alinhado com a tecnologia por que ele já entendeu que ela resolve muitas coisas. A tendência é que a gente tenha mais planejamento urbano, mais planejamento de atendimento de microrregiões.

Mercado de eletrônicos

Algumas das transformações na sociedade causadas pelo coronavírus foram absorvidas pelo mercado, principalmente o de eletrodomésticos, que incorporou em seus aparelhos a função de descontaminação. O que se tornou necessário em nossa rotina agora também é transformado em produtos e serviços disponíveis para as pessoas. Essa função, por exemplo, já está disponível em ar-condicionado e robôs que limpam a casa.

Saúde

A inteligência artificial vai trazer muitas outras aplicações que não imaginávamos que poderiam ser realizadas por um computador ou sendo auxiliadas por um, como, por exemplo, a realização de consulta médica online. Em pouco tempo, mesmo as consultas médicas presenciais, serão assistidas por algum tipo de IA. É um momento de transformação, a tecnologia está ai e todas as empresas de todas as áreas irão utilizar esse tipo de recurso.

Segurança

Não existe um ambiente 100% seguro, ainda assim há varias medidas que se pode tomar para tornar o ambiente um pouco mais seguro e tranquilo nas suas operações e transações. Uma coisa que se tornou uma premissa para que o Brasil possa realizar suas transações e seus negócios internacionais é a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Com ela, aqueles que são responsáveis pelo sistema ou pela operação do sistema terão que oferecer muito mais segurança para o usuário final.

Muitas destas informações agora devem se tornar anônimas. Não pode mais guardar nenhum tipo de dado pessoal do cliente, não pode guardar nada que o identifique. Isso por si só já trás um tipo de segurança. Nós estamos passando por um período de transição, muitos destes problemas que temos hoje com segurança serão resolvidos, mas outros estão por vir. Estamos agora sendo bombardeados por uma série de inovações envolvendo o hardware, o que chamamos de IoT. Esses hardwares são de fabricantes diferentes e muitas vezes nós não conhecemos o que estão colocando ali dentro. Isso tudo tem que ser resolvido. Mas é um processo de transição e aprendizado e eu acredito que as pessoas terão muito mais cuidado para fazer as transações. Os próprios softwares são um pouco mais seguros para que você possa digitalizar sua vida sem se preocupar muito.

Emprego

A transição econômica vai gerar desemprego, porque tem muitas pessoas que são especializadas em realizar atividades que podem der substituídas pela tecnologia. A substituição traz economia para as empresas e consequentemente o desemprego. Mas também gera outras oportunidades. A área de tecnologia – de entendimento da tecnologia, não necessariamente você precisa ser da área – está muito carente de mão de obra e é uma mão de obra que paga bem. A tecnologia tem gerado oportunidades de trabalho que tem um valor agregado maior.

Webinar Agricultura Digital: Desafios e Oportunidades com a IoT

Estudos recentes indicam que a Agricultura Digital cresce em todo Brasil.

Algumas das tecnologias mais presentes no cenário da produção agrícola são:

  • Sistemas de localização por satélite;
  • Análise da variabilidade espacial e temporal;
  • Imagens e sensoriamento remoto aplicado à gestão agrícola;
  • Geoprocessamento aplicado ao gerenciamento de lavouras;
  • Amostragem e interpretação de mapas, sensores e atuadores;
  • Na pecuária, a bovinocultura digital;
  • Georreferencimento e geoposicionamento de máquinas e equipamentos;
  • Utilização de drones em diversos aspectos: para monitoramento do plantio, geolocalização, coleta de informações, entre outras aplicações;
  • Tecnologias de RFID para gestão de ativos, insumos e produtos ao longo da cadeia de valor;
  • Tecnologias remotas para controle e gestão de caracterização de solo.

Segundo informações publicadas pela Embrapa, 17,5% dos produtores rurais estão utilizando tecnologias como drones e sensores remotos para obter dados cruciais das culturas. Levando em consideração os novos lançamentos de sensores previstos nos nanosatélites e nos microssatélites, que deve acontecer em 2022, a demanda pelo serviço deve aumentar substancialmente.

O uso de drones no campo se tornou uma tendência em todo mundo. Além de levar sensores para o monitoramento de áreas, os aparelhos também são utilizados na pulverização agrícola e no controle biológico. O mercado global de drones, especificamente para agricultura, cresceu 172% nos últimos quatro anos, atingindo US$ 32,4 bilhões neste mesmo período e segue em projeção de alta para os próximos anos.

Os dados são uma amostra da importância das novas tecnologias, para que o produtor rural possa planejar com mais qualidade a sua atividade e melhorar a gestão da propriedade.

WEBINAR ESPECIAL SOBRE AGRICULTURA DIGITAL

O tema foi pauta no webinar Agricultura Digital: Desafios e Oportunidades com a IoT promovido pela Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC). Na oportunidade, o professor de engenharia agrícola da Universidade Federal de Viçosa, Daniel Marçal de Queiroz, nos deu uma visão geral desses temas, e nos apresentou o livro Agricultura Digital. A obra, pensada para o público acadêmico e também para aquelas que atuam na área, possui um amplo conteúdo para o desenvolvimento da agricultura de precisão.

A obra contou com a colaboração de diversos professores pesquisadores e especialistas. A edição final foi realizada pelos também professores Francisco de Assis Carvalho Pinto, Aluízio Borém e Domingos Sarvio Valente, que também participou do webinar apresentando as transformações nos processos de produção no campo. O diretor de relações institucionais da ABINC, Herlon Oliveira também é um dos colaboradores do livro.

“Podemos dizer que a Agricultura Digital é um novo insumo agrícola para orientar a tomada de decisão com base em dados. Para isso, sensores dos mais diversos tipos, acoplados em máquinas, plantas, solos, animais, drones e robôs estão constantemente conectados. Na outra ponta, o processamento dos dados é realizado com base em inteligência artificial. Dessa forma, a tomada de decisão de todo processo produtivo passa a ser mais eficiente e objetiva. Por consequência, pode-se reduzir custos de produção, aumentar a produtividade, melhorar a qualidade dos produtos e reduzir impactos ambientais”, afirmou o professor Sarvio Valente.

Sem dúvidas que teremos um processo de democratização do acesso a tecnologia no campo. A expectativa é que nos próximos três anos tais tecnologias, que estão hoje presentes em uma pequena parte dos grandes produtores, já esteja disseminada para a grande maioria da área plantada no país, em diferentes culturas e tamanhos de propriedades, facilitado inclusive pela Lei de Incentivo ao IoT, que poderá proporcionar redução de custo dos equipamentos e tecnologias. Assim o IoT segue cumprindo o seu papel dentro da inovação tecnológica em um dos mais importantes segmentos da economia em nosso país.