Com conectividade, Brasil deve avançar rapidamente no desenvolvimento cidades inteligentes, prevê ABINC

Em um futuro próximo, aplicações como carros autônomos e conectividade de streaming vão se tornar mais comuns; no entanto, falta de continuidade em trocas de gestões dos municípios pode ser um desafio

 

“Uma Cidade Inteligente é aquela que entrega a tecnologia e usa o que tem de melhor com seus recursos para melhorar a vida das pessoas dentro do seu ecossistema”. Isso é o que reforça Aleksandro Montanha, líder do comitê de Cidades Inteligentes da Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC). Segundo ele, a conectividade e o 5G estão inaugurando uma nova fase de aplicações tecnológicas no Brasil, que vão potencializar ainda mais o uso de soluções para o desenvolvimento de cidades inteligentes, transformando o futuro em realidade.

 

O líder do comitê da ABINC explica que o 5G e a conectividade abrem um precedente para uma grande capacidade de processamento de sinais, que por consequência vão gerar soluções inéditas no Brasil. “Estamos num momento onde a maturidade dos algoritmos de inteligência artificial permitem entregar resultados muito melhores, assim se aproximam muito das demandas existentes ”, comenta.

 

Neste cenário, aplicações como carros autônomos e conectividade de streaming vão se tornar mais comuns, além de haver uma transição entre tecnologias de metaverso e realidade aumentada, mas existem ainda muitos desafios.

 

“O grande desafio que se instala agora é a diversidade de oferta de tecnologias. A multipluralidade de soluções que muitas vezes não se conversam ou não geram continuidade, geram passivos muito custosos para a administração pública.  Esse momento, de forma equivocada, transmite a sensação que existe uma conformidade no trato com o investimento em inovação.”, afirma.

 

O Comitê de Cidades Inteligentes da ABINC tem como objetivo apresentar para a sociedade o que, de fato, é inovação. Atualmente, o grupo está envolvido em projetos para as “Smart Agro-Cities”, com ações em locais como Ivaiporã, cidade do Paraná. Com 30 mil habitantes e um olhar voltado para o agro, a cidade está desenvolvendo um projeto de tropicalização e, ao mesmo tempo, buscando um parceiro internacional para alavancar a tecnologia no município e no estado.

 

“Onde você tem recursos hoje de investimento e muita demanda reprimida é no campo. Então, eu acredito que vamos andar muito forte com a questão de infraestrutura de comunicação estendendo para áreas mais remotas, principalmente para áreas rurais. Por conta disso, nós vamos ter um desenvolvimento dessa integração do campo com as cidades”, adianta Montanha.

 

Reportagem: Thabata Mondoni – assessoria de imprensa ABINC.

Aleksandro Montanha é Líder do Comitê de Cidades Inteligentes da ABINC

Plataforma Siemens Edge Computing é destaque no processo de convergência digital do LABFABER

Há pouco tempo, os telefones celulares eram úteis para fazer apenas ligações. Com o tempo, a modernização trouxe novos recursos aos aparelhos, como por exemplo, câmeras e sensores, habilitando inúmeras oportunidades de aplicações, em que os usuários podem realizar transações bancárias, se deslocar de forma otimizada pela cidade e até mesmo empreender, escolhendo o que querem ter em suas interfaces. Tais aplicações trazem facilidades e agilidade para o dia a dia dos usuários, onde atividades que levavam horas ou até mesmo dias, agora podem ser realizadas em questão de minutos ou segundos. Muitas das decisões que os usuários tomam durante o dia são orientadas por meio de dados e informações, como por exemplo, o tempo do trajeto, quantidade de curtidas de uma foto, avaliação do estabelecimento, saldo da conta corrente, entre outros. 

 

Quando mergulhamos no ambiente industrial, a demanda se torna muito mais sofisticada, com a necessidade de obter facilidade e agilidade orientadas para o dia a dia. Para isso, a coleta, processamento e análise de dados combinada com a interconectividade das coisas são fundamentais para alcançar tal objetivo, sendo denominado processo de convergência digital. Assim como usuários de telefones celulares, cada indústria contém suas particularidades e a customização de aplicações se faz muito necessária.

 

Para conseguir migrar de uma situação em que as informações de operações dentro de uma fábrica se concentram na nuvem ou de maneira pouco conectada no ambiente industrial, a Siemens se uniu à Fundação CERTI para entregar um modelo de referência do IoT Industrial, voltado para o processo de convergência digital. Tal modelo é composto por hardwares, uma plataforma web de governança, uma conta global no repositório da companhia, aplicativos feitos sob medida e metodologia ágil de integração e entrega contínuas, que habilitam o fluxo de agregação de valor no ambiente industrial. “Eventualmente é preciso fazer o processamento de dados perto da máquina (longe da nuvem). É preciso coletar o dado, analisar e fazer agregação de valor com o mesmo. E isso pode ser uma solução de inteligência artificial, de visualização ou um aplicativo de terceiros”, diz Cláudio Franzoi, engenheiro e desenvolvedor de negócios da Siemens.

 

Siemens e CERTI já tem uma parceria de longa data para sistemas ciberfísicos e há quatro meses uma parceria para soluções de computação de borda se iniciou. De um lado, uma companhia dedicada à transformação do ambiente industrial; e do outro, uma empresa em busca de desenvolver e implementar tecnologias emergentes da Indústria 4.0, voltado para competitividade da indústria. O Edge Computing da Siemens viabiliza a captura e processamento de dados de máquinas, sensores e sistemas industriais, de forma descentralizada e segura. Os dados são democratizados entre os aplicativos da plataforma, promovendo não só aplicações para melhora da disponibilidade de máquinas, mas também aplicações voltadas para negócios, como otimização de estoque, logística, relacionamento com fornecedores e outras etapas do chão de fábrica. 

 

Os smartphones habilitaram diversas aplicações e modelos de negócios que fazem parte do cotidiano das pessoas. A computação de borda no ambiente industrial oferece a democratização do dado, governança amigável e sistema aberto para implementação de softwares customizáveis. Isso é fundamental para habilitar diversas aplicações e modelos de negócio para as indústrias, minimizando a necessidade de se comprar um novo kit de hardware e software para cada aplicação em que se deseja desenvolver ou implementar no chão de fábrica. “Esta plataforma Industrial Edge Computing que a Siemens nos apresentou está quebrando paradigmas no contexto industrial, por contemplar tais premissas e trazer longevidade para o processo de convergência digital da indústria 4.0”, diz Jardel Wolkers, especialista em fábricas inteligentes da Fundação CERTI. 

 

O processamento convencional de dados na borda geralmente é caro, demorado, não é muito escalável e pode ser inseguro. A Siemens tem o Industrial Edge e traz padrões característicos de TI, como gerenciamento central de hardwares e softwares distribuídos. Esta revolução que está acontecendo no chão de fábrica do LABFABER da CERTI está permitindo um incremento de eficiência de até 30%, por meio de um aplicativo que monitora o gargalo dinâmico do processo produtivo, reduzindo tempo de máquina parada e antecipando falhas, utilizando uma plataforma segura e com um CAPEX significativamente menor.

 

No cenário atual, muitas empresas já reconheceram que precisam se transformar, mas as arquiteturas e plataformas tradicionais muitas vezes dificultam processo, por exigir grandes investimentos de hardware e software, que muitas vezes são subutilizados. Por outro lado, muitos acabam desenvolvendo soluções proprietárias e encontram diversas dificuldades de governança do ambiente digital, principalmente no âmbito da segurança cibernética. Pela configuração da solução da Siemens, existe uma plataforma intermediária onde é possível administrar usuários e aplicativos. A CERTI está desenvolvendo aplicativos que serão usados para promover a transparência operacional do LABFABER, em indústrias que necessitam de aplicações para clientes. O case CERTI simboliza um dos novos modelos de negócio dentro da companhia, que é capaz de entregar produtos exclusivos para seus clientes e parceiros. 

 

A CERTI opera em Florianópolis o LABFABER, um laboratório-fábrica de referência para a indústria no desenvolvimento, implementação, disseminação e capacitação da Indústria 4.0. O LABFABER conta com infraestrutura repleta de tecnologias de automação e informação (TA/TI), tais como robôs colaborativos, sistemas de movimentação autônoma, sensores e muito mais. Tais recursos são combinados para promover aplicações customizadas voltadas para IIoT, Digital Twin, Logística inteligente, Inteligência Artificial, Integração de sistemas, onde cada aplicação passa por processo de caracterização do problema a ser resolvido, estudos de viabilidade técnico-econômico, desenvolvimento, homologação, entrega, monitoramento e otimização, visando aumentar a competitividade dos setores produtivos no país.

 

Escrito por: Assessoria de Imprensa da Siemens/Departamento de Comunicação Corporativa Siemens.

ABINC se une a entidades para apoiar alteração na Lei de Execuções Fiscais

Manifesto a favor da PL 2.243/2021 inclui empresas de tecnologia, telefonia e de outros setores produtivos, pois permite que contribuinte utilize, como defesa, a compensação administrativa não homologada antes do ajuizamento da execução

 

Em nota, a Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC) declarou seu apoio à PL 2243/2021, que alterar a Lei de Execuções Fiscais. Segundo a entidade, ela também pode beneficiar empresas do setor de IoT e de outros segmentos de tecnologia do país.

“Atualmente, a empresa que tem créditos e sofre uma cobrança sobre outros tributos não pode realizar a compensação em âmbito judicial. Por isso, o grupo de associações incluiu empresas de tecnologia, telefonia e diversos outros setores produtivos”, explica Ricardo Azevedo, membro do Comitê Jurídico da ABINC.

 

O especialista explica que a alteração possibilitará que empresas que possuam créditos fiscais efetuem compensação com dívidas fiscais que são objeto da ação de cobrança pelo Fisco. Ao citar o grupo de associações (listadas abaixo), Ricardo Azevedo está se referindo ao manifesto que foi encabeçado pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), que defende a aprovação do Projeto de Lei 2.243/2021, atualmente em trâmite na Câmara dos Deputados.

 

Atualmente, o contribuinte não pode utilizar tal recurso em sede de embargos à execução fiscal, conforme cita o artigo 16, parágrafo 3º, da lei. Entretanto, apesar da previsão legal, há decisões judiciais conflitantes com relação ao tema, que oscilam entre permitir ou denegar a alegação da compensação supracitada.

 

O manifesto menciona que o problema se acarreta há anos e lembra que, recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu no sentido de não haver essa divergência, o que resultou em um cenário de insegurança jurídica. “Os contribuintes têm buscado o Poder Judiciário para pleitear a matéria, apresentando consequências prejudiciais, como o aumento de gastos públicos, a morosidade, a falta de uniformização das decisões e a dependência ao complexo regime de precatórios”, diz o documento divulgado pela Brasscom. Por esse motivo, Projeto de Lei 2243/2021 foi apresentado no ano passado, com a proposta de alterar o art. 16, §3º da Lei de Execuções Fiscais, visando excluir o termo “nem compensação” do rol de matérias vedadas para defesa dos contribuintes em sede de embargos à execução fiscal.

 

“Esse Projeto possui ampla relevância para a sociedade em geral, para as empresas brasileiras e para as entidades que subscrevem este manifesto, pois há urgente necessidade de pacificação da divergência sobre o tema, a fim de promover maior segurança jurídica aos contribuintes que venham a sofrer execuções fiscais, mas que porventura tenham algum crédito ainda não homologado pelo Poder Público”, alerta o manifesto.

 

Confira lista de entidades que assinaram o manifesto:

ABINC – Associação Brasileira de Internet das Coisas
ABISEMI – Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores
Abit – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção
Abratel – Associação Brasileira de Rádio e Televisão
ABT – Associação Brasileira de Telesserviços
APETI – Associação dos Profissionais e Empresas de Tecnologia da Informação
AsBraAP – Associação Brasileira de Agricultura de Precisão
Brasscom – Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais
FABUS – Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus
FecomercioSP – Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo
FENAINFO – Federação Nacional das Empresas de Informática
LISBrasil – Associação Brasileira das Empresas Desenvolvedoras de Sistemas de Informação Laboratorial
TelComp – Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas

O IoT tornando a indústria brasileira mais competitiva

A indústria brasileira vem sofrendo constante pressão nos últimos 20 anos, seja por políticas fiscais inadequadas, altos encargos sobre a folha salarial, caminhos tortuosos para fontes de financiamento à inovação ou simplesmente a acirrada competição global. Independentemente dos motivos, o resultado é único: a indústria brasileira vem se tornando menos competitiva a cada ano, embora alguns setores ainda se destaquem, como a cadeia da agroindústria por exemplo.

 

Neste contexto global, o Brasil não pode ficar para trás e várias iniciativas de associações, sindicatos e do governo buscam em um primeiro momento compreender a situação atual, as principais dores e quais os remédios mas, ao contrário de soluções paliativas, o desafio agora é como não dar novos passos para trás daqui a alguns anos.

 

E nesse cenário as tecnologias da Indústria 4.0 vieram para ficar, alinhadas com o programa do Governo Federal Brasil Mais Produtivo 4.0 com foco em reduções de custos produtivos, aumento de produtividade, ganhos de qualidade no processo e retorno financeiro (https://brasilmais.economia.gov.br/ ).

 

 

E a Internet das Coisas?

Dentre as tecnologias que suportam a 4ª Revolução Industrial ou Indústria 4.0, a Internet das Coisas tem papel de destaque na Indústria, cobrindo diversas aplicações alinhadas com as verticais do Brasil mais produtivo 4.0:

 

Sensores para monitoramento de equipamentos remotamente aliado a algoritmos de predição de falhas, permitindo que os gestores de manutenção tenham uma visão global do status de cada motor, bomba, painel elétrico, apenas para citar alguns; reduzindo o tempo de resposta e evitando quebras inesperadas, já que paradas não programadas significam perda de produção, horas extras, falhas de abastecimento  e custos não previstos, entre outros.

 

Monitoramento de processos produtivos através do sensoriamento e análises de padrões é possível entender como os processos, que foram em algum momento definidos e simulados, estão funcionando no mundo real onde existem paradas não programadas, falta de energia, falta de componentes, rotatividade de funcionários, etc.. Tudo isso em tempo real que em conjunto com painéis de gestão e visualização proporcionam ao gestor da fábrica uma visão em tempo real de gargalos, ociosidades e falhas operacionais.

 

Sensoriamento e controle de ambientes com sensores inteligentes de monitoramento de temperatura local, níveis de monóxido e dióxido de carbono e particulado em suspensão, tornando os processos produtivos que envolvem geração de calor (processos de fundição por exemplo) ou então partículas em suspensão (usinas de cimento) muito mais seguros, reduzindo riscos aos funcionários e podendo até impactar em seguros menores para a empresa devido a diminuição de riscos trabalhistas.

 

E como a Indústria Brasileira está se reinventando?

O Governo Brasileiro em conjunto com várias entidades e associações vem desenvolvendo programas de excelência para capacitar toda a cadeira produtiva e um exemplo de sucesso é o ROTA 2030, que abrange a Indústria Automobilística e seus fornecedores, um segmento importantíssimo para a economia brasileira. O objetivo principal do ROTA 2030 é ampliar a competividade, a inovação, a segurança veicular, a proteção ao meio ambiente, a eficiência energética, a qualidade dos automóveis e a capacidade produtiva da indústria automotiva nacional.

 

Regulado pela lei nº 13.755/2018, o programa Rota 2030 promove o fortalecimento do setor automotivo e incentiva a inovação, com foco nos próximos quinze anos de operação da indústria automotiva.

 

Dentro deste programa o destaque fica para a Linha IV – Ferramentarias Brasileiras Mais Competitivas, que visa solucionar as dificuldades de empresas com baixa produtividade e defasagem tecnológica, capacitando a cadeia de ferramental de produtos automotivos e correlatos para atingir competitividade em nível mundial através da implantação de Provas de Conceito implantadas por startups de base tecnológica.

 

Os resultados desse programa foram apresentados no “Demoday Rota Challenge”, no espaço Ágora Tech Park em Joinville – SC e transmitido on-line, marcando o encerramento desta do primeiro ciclo do Rota Challenge.

 

Jade Alves, da equipe de coordenação de programas da Fundep, cita: “o Rota Challenge é uma iniciativa que veio para agregar valor para as ferramentarias, proporcionando um avanço tecnológico capaz de solucionar os principais desafios mapeadas nas indústrias, tais como: controle e gerenciamento de processos, gestão de matéria prima e controle de produção, e assertividade de orçamentos.”

 

Mauricio Finotti, Coordenador do Comitê de Manufatura da ABINC complementa: “Iniciativas como esta, além de servirem como demonstradores de tecnologia para empresas de todos os portes, trazem competitividade ao segmento” e complementa: “A Indústria 4.0 e suas tecnologias ainda estão em fase embrionária no Brasil, e quanto mais difundidas, maior o impacto em aumento de produtividade e reduções significativas de custos.”

 

Fonte: https://rota2030.fundep.ufmg.br/saiba-como-foi-o-demoday-rota-challenge

 

Como as cidades inteligentes podem se beneficiar com os carros autônomos?

Por Dalton Oliveira
 
Texto originalmente publicado na Newsletter de Julho de 2019 do IEEE IoT (Institute of Electrical and Electronics Engineers).
 
O conceito de cidades inteligentes é mais do que apenas implementar tecnologias sejam elas novas e/ou conhecidas − estas são cidades digitais. Quando falamos de algo inteligente, estamos falando sobre a capacidade de conectar tecnologias, lidar com dados e agregar valor − no caso das cidades inteligentes, trazendo valor para cidadãos e governos.
 
As cidades inteligentes começam pelas casas inteligentes. Com base em dados das casas inteligentes sobre o consumo de serviços básicos pelos cidadãos (por exemplo: água, gás, eletricidade, esgoto, internet banda larga, etc.), os governos e prestadores de serviços podem analisar, tomar decisões e agir, fornecendo, de maneira equilibrada, a carga adequada de serviços para as cidades e para os cidadãos. Quando falamos de casas inteligentes e cidades inteligentes, qual é a primeira coisa que vem à mente senão mobilidade? A mobilidade é um fator crítico para as grandes cidades em todo o mundo. Então, como os carros autônomos podem beneficiar as cidades inteligentes?
 

Tecnologia + Carros = Oportunidades

 
Todos nós temos lido sobre carros conectados e autônomos e seus benefícios − desde a diminuição de acidentes de carros, até tornar a vida das pessoas mais otimizadas, pela integração com outras tecnologias. Este é um vasto assunto a ser explorado. Ao mesclar os carros com tecnologias emergentes como a internet das coisas (IoT), a Inteligência Artificial (AI), o machine learning (ML), o deep learning (DL), não há limitações para a criatividade, para a inovação; e eu não estou falando apenas de experiências do usuário, estou falando também sobre os insights fornecidos por todos os dados envolvidos. Estou falando sobre novos modelos de negócios (mesmo para as marcas existentes), sobre oportunidades para empreendedores desenvolverem novos produtos e novos serviços, sobre abastecer governos com dados gerados para tomar decisões corretas e rápidas, e sobre oportunidades para P&D de produtos e também para engenheiros de aplicação. Como podemos ver, existem novas oportunidades (que incluem novas carreiras) para todo o ecossistema − aquelas direta e mesmo indiretamente envolvidas. Em outras palavras, este é um novo estilo de vida para os usuários e para novos negócios que vão surgindo tão rápido quanto podemos imaginar. Você está preparado para isto?
 

Os carros conectados e a cidade

 
Carros conectados estão ao nosso redor há alguns anos. Por exemplo, usando a internet das coisas (IoT) é possível prever a manutenção preventiva e até mesmo a corretiva dos carros, e (sim) fornecer insights e insumos para as cidades inteligentes – eu vou lhes dizer como.
 

Figura 1: Vista em 3D do Google Earth de um distrito de São Paulo / Brasil (Créditos: Wardston Consulting, Dados do mapa: Google, DigitalGlobe).

A Figura 1 mostra uma área de uma cidade dividida em 4 quadrantes (com características muito semelhantes). Um usuário (U1) de um carro conectado (CC1) em um quadrante (Q1) vai para manutenção com maior frequência do que o de outro usuário (U2) do mesmo modelo de carro conectado (CC2) em outro quadrante (Q2). Existem várias hipóteses, mas os engenheiros preferem se basear em dados, e os dados dos carros conectados contam algumas histórias (com base em um contexto conhecido):

  • A velocidade média de (1) é maior que a de (2);
  • O tempo médio entre o ponto de origem e o ponto de destino de (1) é maior que o de (2);
  • O consumo médio de combustível de (1) é maior que o de (2);
  • A mudança de marchas média de (1) é maior que a de (2);
  • Mais alguns dados.

Com base nos poucos dados mostrados acima, parece que as ruas dos quadrantes Q1 e Q2 não são tão semelhantes como poderiam ser. Uma análise in-loco detectou que elas realmente não são semelhantes: Q1 tem mais lombadas e buracos do que Q2.
 

Figura 2: Lombada

 
Visto isso, é possível fornecer insights e informações para o governo local:

  • Criar mais postos de abastecimento de combustível em Q1;
  • Criar o tipo de lombada capaz de transferir energia do impacto mecânico dos pneus dos carros para engrenagens conectadas, para, por exemplo, gerar energia elétrica;
  • Muitos outros insights e informações.

As lombadas são feitas pela prefeitura, mas os buracos não são – a prefeitura deve consertá-los. Mas, para corrigi-los, é necessário saber onde eles estão.
 

Os carros autônomos beneficiam as cidades inteligentes

 
Os carros autônomos podem colher, processar, enviar e receber dados para tomar decisões e para agir. Um ecossistema complexo para lidar com grandes volumes de dados, sistemas de missão-crítica e totalmente conectadas em tempo real, mesclando internet das coisas (IoT), inteligência artificial (AI), machine learning (ML), deep learning (DL) fazem todas essas coisas trabalharem juntas.
 

Figura 3: Entendendo a relação existente entre inteligência artificial -IA, aprendizado das máquinas -AM, aprendizado profundo -AP (Créditos: IEEE Communications Society).

 
A visão computacional com modelos de machine learning (ML) treinados para detectar e reconhecer as coisas a serem evitadas (buracos) e não colidir (com outros carros, pessoas, objetos, etc.) é parte do complexo bloco cognitivo dos carros autônomos.
 
Figura 4: Buracos nas ruas podem ser detectados e reconhecidos pela visão computadorizada –VC.

 
Além disso, quando os carros autônomos estiverem circulando e tomando decisões e agindo, eles podem alimentar com dados a prefeitura e quem mais estiver interessado em trabalhar em conjunto para construir uma comunidade melhor:

  • Quando os carros autônomos identificarem buracos, eles poderão ajustar suas velocidades para causar menor dano ao veículo e poderão mapear a localização e o tipo dos buracos, a fim de notificar a prefeitura para tapa-los;
  • Quando os carros autônomos identificarem lombadas, eles poderão ajustar suas velocidades para causar menor dano ao veículo, além de mapear a localização das lombadas − para notificar a prefeitura para analisar e cruzar essas informações com várias outras (por exemplo, áreas com alta incidência de acidentes versus o número de lombadas, e fazer outras análises);
  • Muitas outras análises a fim de criar, gerenciar e produzir cada vez mais informações (para diversas finalidades).

É possível expandir a analogia dos 4 quadrantes anteriormente mencionados, dividindo a cidade em pequenas áreas, cada área com seus 4 quadrantes. Os carros autônomos que vão do ponto A para o ponto B, para o ponto C e para o ponto A, estão entrando e saindo de vários quadrantes, o que faz deles estações remotas que reúnem informações e que enviam esses dados para alguma nuvem, para algum banco de dados, para construção de um registro histórico de, por exemplo, temperatura em tempo real, chuva, neve, qualidade do ar, radiação UV e outros dashboards de dados climáticos – eu estou falando de dados em tempo real, não previstos (leiam mais sobre um dos meus projetos de IoT+AI/chatbot para cidades inteligentes chamado Smartytempy).
 
Por exemplo, fornecendo informações em tempo real sobre a qualidade do ar para um serviço de aluguel de bicicletas e patinetes, para notificar os usuários se a área está adequada ou não. E, com dados suficientes, é possível prever algum desastre natural e agir antes que ele aconteça. Se a rua ou estrada tiver neve ou enchente, usando realidade aumentada (AR) − com dados previamente mapeados − quando os olhos humanos por vezes não conseguirem ver os riscos, é possível mostrar na tela do carro ou do smartphone os perigos que estiverem alguns metros à frente. Como podemos ver, há muitos benefícios dos carros autônomos para as cidades inteligentes.
 
Lembrem-se: Quando falarmos de dados, big data, nuvem, banco de dados e coisas relacionadas, o importante é ter em mente que: dados e números por si mesmos não nos contam histórias, as histórias são construídas com base em um contexto conhecido em adição dos dados e números.
 

A pergunta de 1 bilhão de dólares

 
Visto isso, a quem pertence os dados?

 
Sobre o autor: Dalton Oliveira é engenheiro eletrônico que trabalha como Consultor, Mentor, Palestrante Global em Transformação Digital (aplicação, produto, projetos, processos, engenharia) para a Wardston Consulting. Ele foi premiado Top 3 IoT World Series (competindo com Siemens, AT&T, Bayer e outras) e Facebook Testathon Best Product Idea. Ele tem experiência em projetos e produtos globais de missão-crítica com budget de bilhões de dólares para empresas globais (bens de consumo, telecom, equipamentos científicos), governos e universidades desde 2002. Para a internet das coisas (IoT) e inteligência artificial (AI), alguns dos seus projetos autorais estão instalados desde o Vale do Silício até Nova Iorque. Palestrante convidado do evento IoT World Series em Atlanta/USA, escritor convidado na IoT Manufacturing em Cincinnati/USA, juiz convidado na The George Washington University em Washington/DC. Mencionado em publicações acadêmicas da Universidade da Arábia Saudita + MIT/USA, entrevistado pela Revista Riviera (com exclusividade em 1/3 de página), entrevistado pela TV Cultura (noticiário de TV, horário nobre, cobertura nacional). Contate-o no LinkedIn e no website da Wardston.

 

Associado da ABINC tem como benefícios:

+ Preços promocionais nos eventos da associação;

+ Ter acesso às demandas e necessidades de IOT do mercado (empresas e governo);

+ Networking com todo o ecossistema de IOT ABINC;

+ Ter seus casos de sucesso em IOT divulgados para todo o mercado.
 
Quanto maior for a nossa comunidade, mais forte e representativo será o nosso setor. Participe!
 

 Clique aqui e saiba mais.

IoT e LGPD precisam caminhar juntas desde o seu desenvolvimento, alerta especialista em direito digital

Para o advogado João Pedro Teixeira, privacidade de dados precisar deixar de ser vista como um custo e passar a ser um investimento, uma vantagem competitiva no mercado
 
O avanço acelerado na tecnologia trouxe muitos benefícios para o setor da Internet das Coisas, mas também apresentou grandes desafios como, por exemplo, o tratamento de dados e a segurança da informação. Em debate realizado pela Associação Brasileira da Internet das Coisas (ABINC), o advogado especialista em direito digital, João Pedro Teixeira, alertou que há um longo caminho a ser percorrido em direção à proteção de dados e à privacidade.
 
Uma pesquisa divulgada recentemente pela Cisco prevê que a IoT movimentará cerca de US$ 19 trilhões até 2023, desses a América Latina será responsável por US$ 860 bilhões e o Brasil US$ 352 bilhões – dados que comprovam o quanto esse setor vem crescendo de forma acelerada no país e no mundo.
 
Segundo o especialista, isso traz grandes oportunidades, mas também grandes desafios para as empresas que desenvolvem essas tecnologias, bem como para aquelas que as utilizam. Ainda mais quando se pensa em um tratamento massivo, não só de dados pessoais, mas também de dados corporativos, uma vez que essas aplicações passaram a ser adotadas na indústria e em outros setores do mercado. “Com a Lei Geral da Proteção da Dados (LGPD), passamos a contar com uma normativa que vai se aplicar às demais atividades, especialmente aquelas que têm no tratamento de dados pessoais o seu código. Então um dos desafios, por exemplo, é a própria questão de base legal de proteção de dados, exigindo o consentimento a execução do contrato de um legítimo interesse”, explica.
 
Para o advogado, as empresas precisam deixar de ver a questão da privacidade e proteção de dados como um custo e começar a enxergar o tema como um investimento. O próprio levantamento da Cisco, o Data Privacy Benchmark 2022, aponta isso com dados bastante convincentes. O estudo apresenta uma análise global anual das práticas empresariais relacionadas com a privacidade, bem como mostra o impacto nas organizações e no mercado.
 
Segundo o relatório, o retorno do investimento em privacidade segue elevado pelo terceiro ano consecutivo. Mais de 60% dos entrevistados sentiu um ganho de valor empresarial significativo com a privacidade. O levantamento aponta ainda que 90% não compraria de uma organização que não protegesse seus dados. Já 91% revelou que as certificações externas de privacidade são importantes no seu processo de compra.

TGT Consult e ABINC anunciam parceria para pesquisa inédita no setor de IoT

Com o estudo ISG Provider Lens™ Internet of Things — Services and Solutions, empresas terão informações privilegiadas e detalhadas para tomada de decisões

 
O mercado de Internet das Coisas (IoT) vem demonstrando um crescimento acelerado, sendo uma das principais tendências em tecnologia para os próximos anos. De acordo com relatório da Mckinsey, o número de dispositivos conectados ao redor do mundo deve atingir 35 bilhões até 2025. Pensando nisso, a TGT Consult anunciou nesta semana a produção de um estudo inédito, que vai analisar todo o ecossistema do setor no Brasil.
 
O novo estudo ISG Provider Lens™ Internet of Things — Services and Solutions será realizado globalmente e, na edição inédita para o Brasil, contará com o apoio da Associação Brasileira da Internet das Coisas (ABINC) para captar informações detalhadas do setor de dispositivos conectados no Brasil.
 
Segundo Paulo José Spaccaquerche, presidente da ABINC, a parceria com a TGT Consult é uma forma de trazer estatísticas de IoT para o Brasil, algo ainda não feito. “O estudo vai beneficiar não só a ABINC, mas também todo o mercado de uma maneira geral, de forma bastante positiva. Decidimos apoiar, com muitos dos nossos associados sendo participantes da pesquisa, para auxiliar na precisão do processo e mostrar a realidade de IoT no país. Para que possamos avançar, primeiro é preciso entender como o setor vem se comportando, possuir um raio-x”, explica.
 
Os relatórios devem abranger uma variedade de serviços disponíveis para organizações que desejam implantar ou expandir seu uso de tecnologias IoT, incluindo serviços gerenciados e rastreamento de ativos móveis. Com os resultados, empresas que consomem esse tipo de serviço poderão utilizar as informações dos relatórios para avaliar seus relacionamentos atuais com fornecedores, possíveis novos compromissos e ofertas disponíveis neste mercado.
 
David de Paulo Pereira, analista líder TGT Consult/ ISG e autor do estudo, ressalta que, desde o lançamento do Plano Nacional de IoT, muitas empresas estruturaram ótimas ofertas de serviço que vão de consultoria estratégica sobre o tema, implementação, até a gestão de serviços de IoT. “Este estudo será uma ferramenta importantíssima para quem precisa tomar decisões sobre o assunto e escolher os parceiros corretos para este pilar da transformação digital”, diz.
 
Para garantir a implementação bem-sucedida de tecnologias de IoT, é necessário um trabalho conjunto entre consultoria, implementação e gerenciamento, permitindo identificar oportunidades e facilitar todo o processo, como revela a brochura inicial do estudo que será dividido em cinco quadrantes: Strategy Consulting, Implementation and Integration, Managed Services, Mobile Asset Tracking and Management, e Data Management and AI on the Edge.
 
Para participar, basta entrar em contato com a TGT Consult pelo site preencher o formulário de participação: https://www.tgt.com.br/relatorio-isg-provider-lens.

Digitalização do transporte urbano de passageiros no Brasil

Digitalização do transporte urbano de passageiros no Brasil

Você já pesquisou no Google “transporte público no Brasil” alguma vez? Caso não, experimente fazê-lo neste momento… Os resultados não são muito inspiradores, não é mesmo?!

 

Por: Fernando Cesar e Thabata Delfina

 

Pois é, infelizmente, o transporte público no Brasil não é muito bem visto pelo público devido a grande quantidade de críticas que o serviço recebe. Entretanto, pouco se sabe a respeito dos “bastidores” no setor de transporte de passageiros. A grande maioria da população, inclusive, se refere às empresas de ônibus, por exemplo, como “garagem de ônibus”, imaginando que o local não seja mais do que um estacionamento com motoristas e cobradores circulando entre um turno e outro.

 

A realidade é que a popularmente chamada “garagem de ônibus” é palco para uma série de processos impressionantes, incluindo áreas como Operação, Fiscalização, Inspetoria, Manutenção Preventiva e Corretiva, Recursos Humanos, Tesouraria, Jurídico, Contabilidade, Qualidade, Administrativo Geral e TI, isso mesmo, Tecnologia da Informação!

 

Tecnologia da Informação e Mobilidade Urbana

Nas últimas décadas, o transporte urbano vem usando mais e mais da tecnologia para informatizar os processos de gestão, fazendo com que os mesmos se tornem gradativamente mais precisos e eficientes. Porém, muitas vezes, cada uma destas operações possui o seu próprio sistema independente e sem integração entre eles. Isso ocasiona uma considerável perda de tempo em termos de comunicação e segurança da informação, essenciais para a gestão dos processos de transporte. Com desafios como este em mente é que representantes do segmento entenderam a importância de continuar buscando a inovação do transporte urbano, em especial, por meio da digitalização das operações e do uso de tecnologias de ponta.

 

Telemetria no transporte de passageiros

 

Uma das tecnologias que vêm mudando o cenário do transporte urbano por completo é, certamente, a telemetria. Essa se trata de uma técnica proveniente dos estudos de telemática que consegue transmitir, em tempo real, parâmetros da operação existente e que são medidos remotamente.

 

Para que se compreenda melhor o que isso quer dizer em termos práticos, é interessante destacar que a telemática, mencionada anteriormente, é a ciência que estuda a junção da telecomunicação e da informática. Portanto, ao aplicar este tipo de tecnologia ao gerir as frotas de transporte urbano, é possível capturar e analisar informações vindas de um veículo, além de transmiti-las simultaneamente, tanto para uma central, como para outro veículo. A telemetria permite o monitoramento de diversos fatores relacionados ao carro, como a pressão ou a temperatura a que ele está sendo submetido, por exemplo. Da mesma forma, permite avaliar o modo de condução do veículo, garantindo maior segurança na operação devido ao monitoramento da intensidade de curvas, frenagens e velocidade dos ônibus.

 

Os diagnósticos realizados, através da tecnologia da telemetria, permitem o acompanhamento do desempenho dos veículos pertencentes às frotas de transporte de passageiros, localizando falhas e trazendo a oportunidade de realizar melhorias nos mesmos. Portanto, é correto dizer que a telemetria contribui tanto para a redução de gastos por parte dos fabricantes dos ônibus, quanto para proporcionar uma melhor experiência ao usuário do transporte público, com serviço de qualidade e soluções sustentáveis favoráveis a toda a sociedade, já que garante maior vida útil para os ônibus.

 

Cidades inteligentes, conectividade e sustentabilidade

 

Assim como é essencial falar sobre telemetria ao discutir a digitalização do transporte urbano de passageiros, também é impossível não mencionar o conceito de cidades inteligentes e conectividade ao tratar deste assunto.

 

As cidades inteligentes representam o futuro do espaço urbano e, para que exista futuro, é preciso investir no presente. Portanto, intelectuais em diversas áreas vêm trabalhando incessantemente para trazer às autoridades e investidores do setor privado soluções e tecnologias que estimulem o desenvolvimento de políticas públicas mais eficientes para a mobilidade urbana, que valorizem a sustentabilidade e a qualidade de vida da sociedade como um todo.

 

E não é apenas a mobilidade urbana que está em pauta quando se discute as prioridades das cidades inteligentes, estas ainda se preocupam em investir na infraestrutura urbana como um todo, através da inovação e criação de soluções sustentáveis que refletem positivamente em problemas relacionados à habitação, meio ambiente e consumo consciente.

 

A conectividade e o desenvolvimento de tecnologia de ponta auxiliam para que a troca de informações e o acesso a serviços essenciais seja cada vez mais simplificado para seus habitantes.

 

Em termos de mobilidade urbana, a reestruturação da infraestrutura das cidades desconstrói os pólos centrais, trazendo os centros comerciais para perto das moradias, o que reduz o tempo de deslocamento dos habitantes desses locais. Isso significa menor tempo no transporte público, menor necessidade de veículos privados individuais circulando e a oportunidade de investimento na mobilidade ativa, ou seja, deslocamento através de meios de transporte movidos a energia limpa (como a bicicleta) ou renovável (como os patinetes elétricos).

 

Investir em tecnologias de conectividade possibilita o habitante da cidade inteligente traçar toda a sua rota de deslocamento, desde a sua casa até o trabalho, usando apenas o próprio smartphone. Aplicativos específicos permitem verificar os melhores horários para acessar o transporte público e onde o fazer. Mostra o melhor caminho a seguir e em que local a pessoa pode, por exemplo, estacionar sua bike, caso decida por uma locomoção híbrida, ou seja, que integra a mobilidade ativa com o transporte coletivo.

 

Falando de conectividade, é preciso destacar mais uma vez a importância da telemetria, afinal, neste cenário, é ela que transmite informações importantíssimas para os gestores do transporte urbano e que, eventualmente, vai alimentar o usuário com tudo o que ele precisa saber.

 

Vale ressaltar, ainda, que é impossível falar sobre Telemetria e não mencionar a chamada Internet das Coisas (Internet of Things – IoT). A partir disso, é possível conectar máquina com máquina e automatizar os mais diversos tipos de aparelhos, inclusive aqueles que fazem com que a experiência no transporte coletivo seja mais prática e confortável, como, por exemplo, catracas eletrônicas, portas automáticas, iluminação inteligente e muito mais.

 

Atualmente, a Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC) é responsável por incentivar o uso da tecnologia para troca de informações técnicas e gerenciais, além de fomentar pesquisa e o mercado de IoT em todo o território nacional. Iniciativas como esta são essenciais para que a mobilidade urbana sustentável continue evoluindo e se reinventando.

 

Unificando informações

 

Sabemos que a digitalização do transporte urbano só é possível através dos avanços da Tecnologia da Informação, mas, o que fazer com tantas informações? Como é que podemos gerir todas elas de modo a usá-las a favor, tanto da sociedade civil, quanto da organização pública e empresas de transporte?

 

Conforme mencionado no início, um dos maiores desafios do transporte de passageiros no Brasil, atualmente, é a falta de integração de informações entre os diversos sistemas usados para a gestão do transporte. Esse cenário faz com que se perca tempo de comunicação e compromete a segurança de informações das operações, provocando a insatisfação dos usuários com o serviço prestado e até mesmo prejuízo financeiro às empresas privadas de transporte urbano.

 

Considerando essa realidade, novas tecnologias vêm sendo desenvolvidas para solucionar essas falhas, e a principal chave para isso é a unificação de informações. O Hub UniQ, por exemplo, é uma solução capaz de unificar diversos sistemas essenciais para a gestão do transporte em uma única plataforma, diminuindo a grande quantidade de telas, melhorando a visualização das informações e resultando em ações mais assertivas que reverberam positivamente para todas as partes interessadas, seja usuário final, poder público ou privado.

 

É indiscutível a importância de investir no desenvolvimento de novas tecnologias para que continuem trazendo inovação ao setor de mobilidade urbana no Brasil e, sem dúvidas, estas devem estar sempre interligadas com o movimento de digitalização do transporte de passageiros, a conectividade e a unificação de informações.

O verde e a Internet das Coisas

O que esperar das iniciativas do Proconve 8 e dos caminhões conectados a partir de 2023
 
Por André Carvalho

 
Independentemente das mudanças recentes enfrentadas pela indústria automotiva como resultado do impacto da pandemia do Covid-19, as principais tendências do setor de Transportes no Brasil estão ligadas diretamente à legislação para fins de redução e controle de emissões. E os caminhões movidos a Diesel têm participação direta nas questões ambientais.

 
Diante deste cenário, temos a iniciativa brasileira de grande relevância para atuar com a descarbonização a partir de 2023. Trata-se do compromisso de implantação do Programa de Controle da Poluição de Ar por Veículos Automotores, denominado Proconve P8, que equivale ao Euro VI. O programa incentiva o uso de tecnologias de ponta para modernização dos motores e contribui para as questões ambientais de descarbonização do transporte, assumido pelo Brasil em 2015, no Acordo de Paris. Ele estabelece os limites máximos de emissão de poluentes para atendimento ao Ciclo de Comprovação das Emissões durante a Vida Útil do Veículo (In-Service Conformity – ISC).
 
O meio ambiente e o Transporte caminham juntos

 
Estamos diante de uma combinação de diversas possibilidades e desafios de como equalizar o necessário e contribuir para uma qualidade de vida melhor.
 
O motivo pelo qual estamos falando de redução e controle de emissões envolve, em primeiro lugar, o que representa o papel das empresas de transportes e a cadeia automotiva no Brasil, presentes nos modais de cargas e passageiros. A tecnologia e conectividade contribui diretamente na busca de promover novas alternativas para o desenvolvimento do transporte e para o meio ambiente.
 
Principalmente quando falamos de um intervalo, um “Gap”, de tecnologia e inovação no setor público para transportes, identificamos diversas iniciativas de como podemos contribuir no âmbito da indústria privada e telecomunicações a fim de trazer a internet e conectividade para as estradas.
 
Recentemente, o leilão do 5G abordou alguns aspectos interessantes sobre o tema da comunicação e como uma rodovia digitalizada permite o avanço e acesso mais rápido da Internet das Coisas aos usuários das rodovias.
 
Essa iniciativa, associada aos veículos menos poluentes, estão diretamente ligadas ao futuro. As agências reguladoras têm por objetivo apresentar inovação, incentivar e promover o desenvolvimento econômico. Papel fundamental para todo o Ecossistema.
 

Tendências e tecnologia embarcada
 
A indústria automotiva tem se movido no sentido de atuar em três pilares de transformação: Eletrificação, Veículos Autônomos e Digitalização.
 
Hoje, temos uma forte tendência europeia em termos de tecnologia embarcada nos caminhões fabricados e comercializados no Brasil. As montadoras de veículos comerciais têm se preparado para a atender a legislação vigente.
 
Algumas das novas tecnologias que estamos falando já são realidade e estão presente nos caminhões, assim como tecnologias entrantes no mercado advindas da motorização prevista para atender o Proconve 8, que permitem trabalhar em um cenário futuro no qual requer o entendimento dos seus pilares estratégicos em termos de modais e possibilidades de eficiência. Dentre as principais funcionalidades temos, por exemplo, o sistema de diagnóstico de bordo (OBD), tabela de código de falhas do sistema OBD relacionadas à emissão de poluentes, leitura dos registros, histórico de reparos e falhas, características e funcionalidades que atendem aos requisitos das regulamentações.
 
O primeiro passo para a descarbonização é a economia no consumo de combustível. Fator que está presente na planilha de custos do transportador e figura como uma das principais despesas, ou em muitos casos, como a maior delas no dia a dia da operação de transportes.
 
No Brasil, temos diversas tecnologias que contribuem para a gestão de eficiência energética e redução de consumo de combustível dos caminhões e ônibus. Estão presentes em alguns modelos de veículos comerciais no país. E ainda, temos diversos prestadores de serviços de telemática que oferecem soluções e serviços. Atuam de uma forma consultiva e com um papel fundamental de agentes da mudança, em termos de gestão de frota, economia de combustível, provedores de informações para redução do peso do veículo nas vias, melhoria da dirigibilidade dos motoristas e podem contribuir diretamente sobre o tema de emissão de poluentes nas empresas de transportes.

 
Digitalização
 

Indústria, informação e infraestrutura. A tecnologia está presente nas ações contra as mudanças climáticas no âmbito global. Neste sentido, ao falarmos sobre o tema Proconve 8, necessariamente temos de fazer uma breve leitura de como estamos preparados para a digitalização. Assistimos todos os dias o desenvolvimento rápido de tecnologias em tudo aquilo que nos envolve no dia a dia. A realidade da Inteligência Artificial também está presente nos setores automotivo e de Internet das Coisas, bem como pode ser uma das ferramentas mais importantes para a fiscalização e controle de emissões a fim de atender a regulamentação prevista no Proconve 8.
 
A computação em nuvem é um dos fatores que pode contribuir em diversos aspectos, principalmente quando adicionamos os fundamentos de “Machine Learning” e Inteligência Artificial. Estabelecer novas conexões entre pessoas e máquinas, com informações de predição e, em alguns casos estarem associadas ao uso da inteligência de dados do histórico das operações, pode ser algo de um futuro mais próximo da nossa realidade e que esteja presente nas demandas de controle de emissões para veículos comerciais, logística, distribuição e de entregas no país, considerando a abrangência continental e o papel que o Brasil desempenha como protagonista na América do Sul. Aos poucos, a mudança cultural que estabelecemos retrata um dos principais motivos pelo qual estamos falando de inovação, tecnologia e de conectividade com foco na emissão de poluentes e quais são os fatores de contribuição para o meio ambiente.

 
O que vem por aí
 
O desafio de ter comunicação nas estradas federais o tempo todo nos permite uma reflexão sobre o que precisamos em termos de legislação, infraestrutura e Sistemas Inteligentes de Transportes (ITS), que atendam a legislação e regulamentação para a Rodovia Inteligente. Estamos falando da Rodovia Conectada, no presente e no futuro.
 
A capacidade de inovação e ferramentas que permitam auxiliar no controle das emissões, tais como a Inteligência Artificial, certamente trazem uma expectativa de mais Verde e melhoria na qualidade de vida.
 
Caminhões urbanos e rodoviários rodando nas estradas conectadas pode ser uma realidade que permite ter baixa latência, melhoria na área de cobertura de telecomunicações e tecnologia embarcada de ponta. Eles retratam novos rumos para as operações de transportes, monitorados em segundos e traduzidos em conforto, comunicação e segurança para operações logísticas e de entrega nas cidades, soluções e sistemas que monitoram o tempo entre os pontos de carga e descarga, a capacidade de carregamento e redução de peso, fatores para segurança da operação nas vias e de outras tecnologias que possam contribuir para a proteção do indivíduo, do veículo e da carga, a fim de perceber e reagir as condições operacionais e de risco ambiental, associadas a Internet das Coisas e inseridos em uma estratégia muito clara de descarbonização, transição energética e combustíveis mais limpos. Maior eficiência em transportes.

 
O que temos de melhor
 
A criatividade no ambiente de negócios que envolvem uma abordagem analítica e uso de metodologias no mundo Digital e processos ágeis, redefinem, em poucas palavras, o que temos de melhor quanto ao tema Internet das Coisas e favorece um ambiente econômico e novas experiências, seja na boleia dos caminhões, nos smartphones dos motoristas, nos sistemas de telemática embarcados de fábrica e outros dispositivos conectados, que certamente na sua individualidade e no coletivo, abrem novos caminhos para termos rodovias mais modernas e tecnologia de ponta presente no dia a dia dos motoristas e na jornada de cada um de nós, especialistas e profissionais da área. Todos estes fatores contribuem para a mudança cultural e percepção de valor de cada indivíduo, principalmente na conscientização e ações que contribuam para o controle de emissões e cumprimento das metas para os próximos anos.
 
Uma relação direta entre o Ecossistema e o Verde. O meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida das pessoas nas grandes cidades e em todo o nosso país.
 
ABINC
 
O tema de Internet das Coisas é vasto e tem amplitudes regionais na América Latina, muitas vezes com poucos estímulos econômicos e governamentais. Tangibilizamos o uso da tecnologia, relação do insumo da energia elétrica, valor agregado da solução, estimulamos a progressão dos caminhos da inovação com o ritmo de aceleração e implantação, os quais entendemos como grandes desafios de todo este ecossistema de mobilidade e Transformação Digital. Neste ano de 2022, entendemos que a segmentação será pontual para acelerar alguns nichos de mercado. Como Associação, somos referência em IoT. Nossa missão é compreendermos esta jornada e a evolução destes nichos e segmentos específicos, tais como, carros elétricos, ônibus, caminhões e outras soluções de mobilidade para os cidadãos que tenham a percepção de valor e que haja incremento tecnológico com uma boa utilização da tecnologia e inovação, aliados a relação econômica favorável ao Ecossistema. Como ABINC, temos proximidade com estes nichos, institutos de pesquisas e provedores de soluções em conectividade e mobilidade. Contamos com todos vocês nesta jornada para o futuro.
 

André Carvalho é especialista em Digitalização e IoT. Profissional do setor automotivo há mais de 25 anos, atuou em diversos projetos de conectividade e telemática nas principais montadoras do país, com sólida experiência em internacionalização e comercialização de Tecnologia Embarcada para Veículos, Serviços Conectados e Sistemas Inteligentes de Transportes (ITS), na área Comercial e Desenvolvimento de Novos Negócios. Atualmente, é um dos integrantes da Diretoria do Comitê de Conectividade e Mobilidade Inteligente da ABINC.

Internet das Coisas: ABINC elenca as principais tendências da tecnologia para os próximos anos

 
Com a progressão da pandemia e a chegada do 5G, o mercado de Internet das Coisas (IoT) tem crescido exponencialmente. A tecnologia, que já tinha sido apontada como a mais importante do ano de 2021 na pesquisa “The IEEE 2020 Global Survey of CIOs and CTOs”, tem conquistado cada vez mais espaço no Brasil. Em conformidade com um relatório publicado pela GlobalData, apenas na América Latina, o setor de IoT deve movimentar mais de US$ 30 bilhões até 2023.

 
No Brasil, a previsão feita pelo Ministério das Comunicações é de que, no próximo ano, o volume de dispositivos móveis ligados a IoT alcance a marca de 100 milhões. Em avença com essa informação, um estudo da McKinsey Global Institute indicou que o segmento no país deve registrar um impacto econômico anual entre US$ 50 bilhões e US$ 200 bilhões em 2025.

 
Neste contexto, no qual a IoT torna-se cada vez mais vigente, André Martins, líder do Comitê de Redes da Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC), aponta as principais tendências de IoT para os dois próximos anos. Leia a seguir:

 
Rastreamento veicular

 
Por viabilizar a geração de dados, o uso da Internet das Coisas para rastreamento veicular será ainda mais impulsionado em 2022, pois, de acordo com Martins, a tecnologia já é capaz de auxiliar na localização de veículos roubados e na gestão de frotas. “Por meio da evolução das aplicações de IoT, além de monitoramento sobre o veículo em geral, já é possível também controlar fatores como a identidade do motorista e seu estado físico e até emocional, condições de manutenção preditiva do veículo e informações em tempo real sobre sensores de abertura de porta e câmara fria de caminhões”, revela.

 

Meios de pagamento

 

Um estudo elaborado pela Visa, em parceria com o PYMNTS.COM, revelou que já em 2017, mais de 80% dos consumidores gostariam de ter uma experiência de compra e pagamento fluida e que, para isso, fariam uso de um dispositivo conectado à internet. Este anseio tornou-se realidade. De acordo com a NeoTrust, no Brasil, apenas no primeiro trimestre de 2021, o número de compras efetuadas por meio do comércio eletrônico registrou um aumento de 57,4% em comparação com o ano anterior.

 
“Fatores como a evolução do Open Banking, o desenvolvimento do PIX e a expansão das contas digitais viabilizaram a popularização dos canais digitais como um dos principais meios de inclusão financeira, assim, há uma inclinação cada vez maior da IoT para o progresso e o aprimoramento de meios de pagamento”, comenta o especialista da ABINC.

 
Smart metering e smart lighting

 

As smarties cities (cidades inteligentes), que fazem uso de recursos tecnológicos para otimizar serviços, aprimorar infraestrutura e gerar sustentabilidade, têm conquistado cada vez mais espaço no Brasil.

 

Segundo André Martins, para viabilizar economia para essas cidades, em 2022, a Internet das Coisas será muito utilizada para a telemetria individualizada (smart metering), que consiste na medição e transmissão de dados relevantes para o operador de sistemas de recursos de água, gás e energia elétrica, promovendo uma maior conscientização dos cidadãos que não vão mais esperar o final do mês para saber quanto consumiram e sim poderão exercer atividades de economia de recursos baseado em informações de consumo em tempo real, e na telegestão de iluminação pública (smart lighting), que além de agilizar e facilitar a manutenção da rede, possibilita maior controle sobre os gastos com energia.

 
IoT industrial

 
Outra tendência apontada por Martins é a IoT industrial com projetos consistentes de redes privadas de Low Power Wide Area (LPWA) e de Long Term Evolution (LTE) privadas, isso porque, em conformidade com o especialista da ABINC, os atributos da IoT são capazes de impactar intensamente o modo de fabricação de produtos e de fornecimento de serviços. “O uso de IoT nas indústrias, além de viabilizar o fluxo descomplicado de dados entre máquinas, proporciona maior eficiência e domínio, fundamentado em informações, de operações e processos, gerando relevante economia no que tange ao tempo de máquinas paradas, o que tende a ser reduzido a volumes irrelevantes”, explica.

 
Para finalizar, Martins ressalta que a cada dia surgem novas soluções e empresas de IoT e que, por isso, é crucial que CEOs, os responsáveis pela TI e os tomadores de decisões das companhias, mantenham-se atualizados e não deixem 100% das soluções com os fornecedores. “O principal ponto de atenção deve ser na contratação de empresas com capacitação técnica para o fornecimento de projetos e de soluções de IoT, pois ainda há um desconhecimento por parte dos clientes sobre o que já está disponível no mercado e isso pode facilitar a penetração de empresas entrantes sem a devida capacidade de entregar a melhor solução para a demanda existente”, alerta.