Cidades inteligentes dependem de conectividade integrada e foco no cidadão

Cidades inteligentes dependem de conectividade integrada e foco no cidadão

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Webinar da ABINC com Alberto Boaventura, do CPQD, discutiu a combinação de redes, os desafios de implementação e os caminhos para transformar infraestrutura em serviços urbanos.

Como transformar dados e tecnologias de conectividade em melhorias para quem vive nas cidades? Essa pergunta orientou o webinar “O impacto das tecnologias de conectividade na evolução das cidades inteligentes”, promovido pela ABINC em 5 de novembro, com Alberto Boaventura, da área de Tecnologia e Inovação do CPQD, e mediação de Moisés Silva, líder do Comitê de Cidades Inteligentes.

Ao longo do encontro, a apresentação e as perguntas do público conectaram a evolução das telecomunicações aos desafios da gestão urbana. A mensagem central foi que a escolha das redes precisa acompanhar as necessidades de cada serviço, com integração de dados, governança e condições econômicas para sustentar a operação.

O ponto de partida são as necessidades da população

Boaventura iniciou a apresentação relacionando o avanço das cidades inteligentes à pressão sobre os centros urbanos. Mobilidade, segurança, saúde, consumo de recursos e desigualdades territoriais exigem uma gestão capaz de acompanhar o funcionamento da cidade e responder às demandas da população.

Nessa perspectiva, a conectividade viabiliza um ciclo contínuo: perceber o ambiente, transmitir informações, compreender o que acontece e agir. Sensores, sistemas e aplicações passam a apoiar decisões sobre serviços públicos, infraestrutura e uso dos recursos.

O especialista também destacou a evolução do conceito de cidade inteligente, que ampliou sua atenção às pessoas, à sustentabilidade e à resiliência. O valor público aparece como propósito dessa transformação, orientando o uso da tecnologia para serviços mais acessíveis e uma gestão mais eficiente.

Diferentes aplicações pedem diferentes redes

Um dos pontos centrais do webinar foi a complementaridade das tecnologias. A apresentação percorreu alternativas como fibra óptica, Wi-Fi, redes celulares, LoRaWAN e comunicação por satélite, mostrando que as demandas urbanas envolvem requisitos distintos de cobertura, capacidade, mobilidade e consumo de energia.

Uma aplicação de vídeo, por exemplo, tem exigências diferentes das de um sensor que transmite pequenas quantidades de dados. A escolha depende do que será monitorado, da área atendida e da infraestrutura disponível, além dos custos de implantação e operação.

Essa discussão ganhou um exemplo concreto na participação de Rogério Moreira, presidente da ABINC. Ele relatou uma visita a Santo André, onde uma rede própria LoRaWAN dá suporte a aplicações de iluminação pública e monitoramento de bueiros. Moisés acrescentou que o município também está incorporando aplicações de estacionamento.

O caso ajudou a aproximar o debate tecnológico da realidade municipal: uma base de conectividade pode apoiar diferentes serviços, desde que as aplicações sejam compatíveis com suas características.

Do avanço do 5G às perspectivas para o 6G

Boaventura apresentou a evolução das redes móveis e abordou recursos como o fatiamento de rede, a integração com redes não terrestres e o processamento mais próximo das aplicações. Esses avanços foram relacionados a usos como drones, equipes de campo e gêmeos digitais.

Ao tratar do 6G, o especialista apresentou perspectivas ainda em desenvolvimento, entre elas a integração entre comunicação e sensoriamento. Nesse cenário, a própria infraestrutura de rede poderá ampliar sua capacidade de perceber o ambiente e fornecer informações para aplicações urbanas.

A discussão incluiu possibilidades para mobilidade, segurança viária, gestão da infraestrutura e resposta a eventos. Boaventura também apresentou trabalhos do CPQD em Open RAN e inteligência artificial aplicada ao controle de recursos de rede, conectando a pesquisa tecnológica aos desafios de eficiência e compartilhamento de infraestrutura.

Integração e viabilidade para sair do piloto

O webinar também abordou uma dificuldade recorrente: transformar experiências pontuais em serviços que possam crescer e continuar operando. Boaventura destacou a integração entre redes heterogêneas, a interoperabilidade com sistemas existentes, a segurança e a governança institucional como desafios dessa passagem.

A convergência dos dados recebeu atenção especial. Para apoiar decisões, as informações coletadas precisam se conectar aos processos de gestão e às aplicações. A privacidade e a cibersegurança também foram apontadas como preocupações desde a concepção dos projetos.

No campo dos modelos de operação, a apresentação discutiu possibilidades de parcerias entre municípios, empresas de tecnologia e provedores de infraestrutura. O projeto 5GCity foi citado como referência para explorar o compartilhamento de recursos e a oferta de conectividade como serviço por meio de uma plataforma. O modelo foi apresentado como possibilidade a ser avaliada conforme o contexto de cada iniciativa.

Resiliência climática e construção gradual

Nas perguntas do público, a escolha de conectividade para resiliência climática trouxe o debate de volta aos requisitos de cada aplicação. A resposta considerou o tipo de sensoriamento, a cobertura necessária, a infraestrutura instalada e a avaliação econômico-financeira do projeto.

Também houve espaço para discutir o que já está disponível no Brasil. Boaventura apontou a existência de soluções e projetos de IoT, ao mesmo tempo que reconheceu o desafio de integrar iniciativas ainda concentradas em aplicações específicas.

Rogério Moreira destacou a possibilidade de desenvolver projetos na escala dos bairros e ampliar sua abrangência gradualmente. A discussão reforçou o papel do Comitê de Cidades Inteligentes da ABINC como espaço de troca entre especialistas e empresas para aproximar conhecimento técnico, necessidades urbanas e oportunidades de aplicação.

Para a comunidade IoT, o encontro ofereceu critérios para avaliar projetos: partir do serviço que precisa melhorar, selecionar a conectividade adequada e planejar sua integração e continuidade. É essa combinação que permite converter infraestrutura em benefícios para a população.

Assista à gravação do webinar

Aprofunde os temas apresentados e acompanhe as respostas às perguntas do público. Assista à gravação completa do webinar da ABINC no YouTube.

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