Iniciativa realizada por meio de convênio assinado entre ABDI e ABINC mostra como indústrias podem compartilhar dados com segurança para ganhar eficiência e competitividade e contribuir para que o setor tenha mais visibilidade de suas operações e indicadores
O Brasil leva à Hannover Messe 2026 uma demonstração concreta do futuro da Economia de Dados na indústria. O Brazilian Industrial Data Space Demonstrator, liderado pela Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC) em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), será apresentado como uma das principais iniciativas brasileiras no evento, a maior feira de tecnologia industrial global, onde o país atua como Country Partner.
“O demonstrador é uma implementação real de compartilhamento de dados industriais em ambiente federado, permitindo que empresas troquem informações estratégicas sem renunciar à propriedade ou do controle sobre seus dados. Devido ao acordo comercial Mercosul-União Européia, é esperado que o fluxo de dados entre o Brasil e países europeus aumente consideravelmente nos próximos anos, na esteira do aumento das trocas comerciais e das demandas regulatórias relacionadas à rastreabilidade e à sustentabilidade de cadeias produtivas cada vez mais integradas”, comenta Flávio Maeda, vice-presidente da ABINC.
De acordo com Mauricio Finotti, coordenador da iniciativa Open Industry da ABINC, o demonstrador foi desenvolvido em cooperação entre Brasil e União Europeia, com apoio institucional de entidades como Confederação Nacional da Indústria (CNI), SENAI, VDMA (Verband Deutscher Maschinen- und Anlagenbau – Associação Alemã de Fabricantes de Máquinas e Instalações Industriais) e UMATI (Universal Machine Technology Interface) e aplica, na prática, conceitos avançados de interoperabilidade, segurança e soberania de dados em acordo com as normativas que regem os Data Spaces.
Diferentemente de plataformas centralizadas, o demonstrador utiliza uma arquitetura federada, na qual os dados permanecem nas empresas e são compartilhados diretamente entre os participantes sob regras e contratos previamente definidos. Esse modelo garante soberania, segurança e controle total sobre o uso das informações.
Na prática, o sistema está conectado a operações industriais reais, especialmente de usinagem CNC, e integra dados como estado das máquinas, ciclos de produção, consumo de energia, tempo de inatividade e causas de paradas. Esses dados são tratados e compartilhados de forma padronizada e interoperável, permitindo análises comparativas entre empresas sem exposição de informações sensíveis.
“Um dos principais diferenciais do demonstrador é a aplicação de políticas de uso diretamente na tecnologia, por meio de conectores baseados nos padrões da International Data Spaces Association e da iniciativa europeia Gaia-X. Isso garante que o compartilhamento de dados ocorra apenas nas condições autorizadas pelo provedor e do consumidor do dado, com possibilidade de revogação a qualquer momento”, explica Maurício Finotti.
Entre os casos de uso apresentados, destaca-se o benchmarking industrial. A solução permite que empresas comparem sua performance com a de pares de forma anonimizada, identificando oportunidades de melhoria em produtividade, eficiência energética e estabilidade operacional. O acesso a esses dados também viabiliza o desenvolvimento de modelos preditivos e sistemas avançados de suporte à decisão através da utilização dos dados gerados para treinamento de inteligência artificial, consolidando cada vez mais a utilização de ferramentas tecnológicas avançadas no chão-de-fábrica.
O demonstrador foi projetado para operar em conformidade com regulações como a LGPD e o GDPR, e protocolos de interoperabilidade OPC UA, reforçando a confiança no compartilhamento de dados em ambientes industriais e internacionais.
Após sua apresentação na Hannover Messe, o projeto deve evoluir para uma operação contínua no Brasil, consolidando o ecossistema nacional de dados industriais Open Industry e ampliando a adoção do compartilhamento de dados, inserindo o País na vanguarda da adoção de tecnologias de geração de valor para a indústria.
A participação acontece no pavilhão brasileiro (Hall 16 – B09), organizado pela ApexBrasil, e inclui ainda painéis e workshops com especialistas e lideranças envolvidas no projeto.
