IoT na indústria como transformar dados em resultados operacionais

IoT na indústria como transformar dados em resultados operacionais

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Os temas abordados neste artigo foram apresentados em 23 de setembro de 2026, durante o ABINC Matchmaking com Lincoln Takaoka, Líder de Transformação Digital da Suzano. O encontro foi conduzido por Flávio Maeda, vice-presidente da ABINC, e Maurício Finotti, líder do Comitê Open Industry, com participação de associados da entidade.

A conversa reuniu experiências de digitalização industrial e florestal e discutiu o papel dos dados, do sensoriamento e da integração entre tecnologia e operação. A síntese a seguir desenvolve os aprendizados gerais da apresentação e um case de manutenção identificado como público pelo convidado.

A transformação digital industrial ganha sentido quando ajuda a resolver uma necessidade da operação. Um equipamento que apresenta sinais de falha, uma equipe que precisa planejar uma intervenção ou um gestor que deve decidir com informações atualizadas são situações em que a tecnologia pode produzir um efeito concreto.

Na apresentação de Lincoln Takaoka, essa relação entre aplicação e resultado foi o eixo da conversa. A IoT apareceu como uma maneira de ampliar a visibilidade sobre os processos e os ativos, fornecendo dados para decisões que afetam produtividade, confiabilidade e segurança.

O ponto de partida é o resultado esperado

Lincoln destacou que seu trabalho envolve traduzir desafios operacionais em soluções digitais capazes de gerar valor. Essa orientação coloca o problema de negócio no início da análise: qual decisão precisa melhorar, que perda se pretende reduzir e como será possível verificar o efeito da solução?

Uma aplicação pode contribuir para evitar uma parada, reduzir o tempo de resposta a uma ocorrência ou apoiar uma condução mais segura. O resultado depende de como a informação produzida será utilizada. Por isso, avaliar uma tecnologia exige compreender o processo em que ela será inserida e a ação que seus dados poderão desencadear.

O retorno financeiro é um critério importante, mas a apresentação também reconheceu a relevância da continuidade operacional e de objetivos estratégicos e regulatórios. A análise precisa considerar a finalidade de cada projeto e os indicadores adequados para acompanhá-lo.

Dados confiáveis sustentam as aplicações digitais

Antes de falar das camadas mais avançadas de inteligência artificial, Lincoln chamou atenção para a fundação operacional. Sensores regulados, instrumentação adequada e dados confiáveis são condições para que as análises representem o que realmente acontece nos equipamentos e processos.

Se a informação de origem apresenta problemas, a capacidade de processamento não elimina essa limitação. Uma leitura inconsistente pode produzir uma interpretação equivocada sobre a condição de um ativo e comprometer a decisão tomada a partir dela.

Nesse contexto, a IoT pode complementar a instrumentação existente e ampliar o acompanhamento de variáveis relevantes. O sensoriamento precisa ser pensado como parte de um processo de análise e resposta, com clareza sobre o que será medido e como essa informação chegará à operação.

Da manutenção reativa à antecipação de falhas

A manutenção foi uma das aplicações centrais da apresentação. Lincoln descreveu a diferença entre reagir a uma quebra, realizar intervenções preventivas e utilizar dados para antecipar a evolução de uma falha.

Na manutenção reativa, a intervenção começa depois que o problema ocorreu. A preventiva organiza ações periódicas para reduzir a probabilidade de falhas. A preditiva acompanha a condição dos ativos para identificar sinais de degradação. Já a abordagem prescritiva acrescenta recomendações sobre como responder às condições identificadas.

O monitoramento contínuo de variáveis como vibração e temperatura amplia a capacidade de perceber alterações antes que elas se transformem em uma ocorrência maior. A utilidade dessas medições cresce quando elas são interpretadas junto ao contexto de funcionamento do equipamento.

O benefício vai além de evitar uma quebra. Identificar antecipadamente um problema também pode permitir que a manutenção organize a intervenção, com recursos e peças preparados. Mesmo quando uma falha não pode ser evitada, a informação ajuda a reduzir a improvisação na resposta.

O case de Mucuri mostra a ligação entre dados e decisão

Para ilustrar essa aplicação, Lincoln apresentou o caso da unidade de Mucuri, na Bahia, e informou que os resultados estavam disponíveis publicamente. O estudo publicado pela Tractian registra redução de 39% nas perdas produtivas e eficiência de capacidade de 94,2%.

O programa combinou monitoramento online com metodologia e governança. O case descreve a aproximação entre manutenção, operação e engenharia para interpretar as informações e apoiar decisões sobre os ativos.

Em um redutor alimentador, o monitoramento identificou anomalias nos três eixos de vibração. A análise apontou uma variação no processo operacional, e não uma falha mecânica. A equipe de operação reavaliou as condições e restabeleceu o funcionamento adequado. Segundo a publicação, a ação evitou 16 horas de máquina parada e R$ 3,6 milhões em perdas operacionais.

A experiência mostra por que detectar um sinal é apenas uma etapa. Entender sua causa e agir sobre ela depende da combinação entre a medição e o conhecimento de quem opera o processo.

Telemetria amplia a visibilidade sobre a operação em campo

A conversa também abordou aplicações de IoT em transporte e operações florestais. Lincoln relacionou a telemetria ao acompanhamento da condução, da condição dos ativos e da segurança operacional.

Informações sobre velocidade, frenagens e outros indicadores de uso ajudam a compreender como um veículo está sendo conduzido. O acompanhamento também pode apoiar análises sobre consumo de combustível e desgaste de componentes.

Ao tratar da segurança, Lincoln destacou a importância de reconhecer situações que exigem uma resposta durante a operação. Nesse tipo de aplicação, o dado precisa chegar a quem pode avaliar a ocorrência e orientar uma ação em tempo útil.

A lógica é semelhante à da manutenção: medir, interpretar e responder. Um painel de indicadores ganha utilidade quando está ligado a uma rotina de acompanhamento e a pessoas que sabem como utilizar a informação.

Tecnologia e equipes precisam trabalhar juntas

Ao longo dos exemplos, a apresentação mostrou que o sensoriamento amplia a capacidade de observar a operação, enquanto a análise ajuda a compreender o que está acontecendo. A decisão e sua execução completam esse caminho.

O case de Mucuri torna essa relação visível: um sinal de vibração levou à investigação de uma condição do processo e à atuação da equipe responsável. O resultado veio da conexão entre dados e ação operacional.

Para empresas que desenvolvem soluções de IoT, esse entendimento ajuda a avaliar a contribuição de sua tecnologia. Além de explicar o que um dispositivo mede, é necessário compreender quem utilizará a informação, em que momento e para qual decisão.

O ecossistema aproxima conhecimento técnico e aplicação

Na abertura de sua participação, Lincoln ressaltou sua confiança no ecossistema e na contribuição da colaboração para o fortalecimento da indústria. Essa perspectiva se conecta à proposta do ABINC Matchmaking: aproximar os desafios de IoT da Suzano das soluções dos associados. O encontro permite que as empresas conheçam as demandas apresentadas, avaliem a aderência de suas soluções e manifestem interesse em apresentar propostas para avaliação da Suzano.

Após curadoria da ABINC, algumas propostas selecionadas de associados serão encaminhadas à Suzano para avaliação. Esse encaminhamento organiza a conexão entre as demandas da companhia e as competências disponíveis no ecossistema, preservando as informações reservadas aos participantes.

A discussão reforçou um aprendizado que atravessa os diferentes exemplos: a IoT gera valor quando torna a operação mais compreensível e ajuda a agir sobre ela. Dados confiáveis, interpretação adequada e resposta organizada são partes do mesmo processo.

Ao promover encontros como esse, a ABINC aproxima as necessidades da indústria das competências dos associados e cria oportunidades de colaboração dentro da comunidade. Acompanhe as próximas iniciativas e participe dos encontros do ecossistema brasileiro de IoT.

Fontes: apresentação de Lincoln Takaoka no ABINC Matchmaking com a Suzano, em 23 de setembro de 2026; case público da Tractian, Suzano consolida cultura de confiabilidade e atinge recorde de eficiência. 

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