Paulo Spacca fala sobre a IoT nos negócios no podcast GoEPIK

Na última semana de junho, o presidente da Associação Brasileira de Internet das Coisas – ABINC, Paulo José Spaccaquerche, participou do Podcast GoEPIK discutindo a IoT nos negócios. Em um bate papo com Wellington Moscon, CEO e fundador da GoEPIK, Spacca, como é popularmente conhecido, tratou temas como cenário da IoT no Brasil, transformação nos negócios e como iniciar um projeto.

Ainda no início da conversa o presidente da ABINC aproveitou para esclarecer uma confusão ao tratar a IoT como uma tecnologia, quando na verdade ela é um ecossistema composto por dispositivos capazes de coletar dados e transmitir essas informações através de redes sem fios. É através deste ecossistema que gestores podem usar os dados colhidos para tornar o negócio mais eficiente.

Neste cenário de transformação digital do negócio, Spacca afirma que a indústria da manufatura é a que mais está evoluindo com a gestão dos dados. Na área farmacêutica sensores estão sendo utilizados para aferir a dosagem dos medicamentos dentro dos parâmetros estabelecidos. A mobilidade urbana também se beneficia da internet das coisas. Nos grandes centros ocorreu um bum na disponibilidade de bicicletas e patinetes compartilháveis, utilizando formas de pagamento jamais vistas. Spacca é enfático ao dizer que: “isso é IoT”.

No Brasil, o ecossistema está ganhando força e influenciando de maneira positiva os negócios. Os gestores estão encarando a IoT como uma necessidade para melhorar a produtividade e principalmente para tornar as startups mais competitivas no mercado, mesmo contra as grandes empresas. E como alcançar esses objetivos? É claro que sozinha nenhuma ferramenta poderá garantir bons resultados para o negócio. Portanto, cabe ao empreendedor olhar para o seu negócio de maneira mais profunda, para assim, desenvolver as estratégias corretas.

A IoT será fundamental para indicar os pontos a serem melhorados na sua atividade, mas cabe a você enxergar onde ela poderá ser melhor empregada. Para Spacca, o gestor será capaz de elaborar uma boa estratégia para melhorar o seu negócio com a IoT se ele puder: primeiro, entender o seu negócio; pensar fora da caixa; como você enxerga a sua empresa?; o que faz para ser eficiente; o que pode fazer de diferente no seu negócio.

“É fundamental ter a cabeça aberta para fazer parcerias. Provavelmente você vai ter que falar com o seu concorrente, trocar ideia com ele, o caminho é por aí. É, está competindo, mas está cooperando. Como é que eu ajudo meu fornecedor para que ele seja mais eficiente para melhorar a minha eficiência e todo mundo sair ganhando?”, comentou.

O presidente da ABINC também ressalta que para iniciar um projeto com IoT não é preciso um começar grande. Também, nas palavras de Spacca – “Não espere para tentar fazer o ótimo, porque o ótimo é inimigo do bom” – Comece com um projeto pequeno, em uma das áreas da empresa. De preferência aquela onde há mais necessidade de melhorias. É possível instalar sensores em máquinas antigas, sem a necessidade de substituição dos ativos. Novas tecnologias estão sendo agregadas ao conceito de Indústria 4.0, ou 4ª Revolução Industrial. O blockchain, já conhecido para dar mais segurança às transações de criptomoedas e que aos poucos também está sendo adotado pelas indústrias, ganhou uma versão menor, própria para o ecossistema de IoT.  A IOTA, um tipo de criptomoeda, utiliza algoritmos diferentes da tecnologia tradicional para garantir dados de pequenos volumes.

Escute o episódio completo abaixo.

 

Quais são as oportunidades para o ecossistema de IoT na próxima década?

Em parceria com o IoT OpenLabs a ABINC realizou mais uma edição do IoT Networking Happy Hour para promover a troca de ideias e experiências no desenvolvimento de soluções através da Internet das Coisas.

Na última edição do ano, a associação mirou seu olhar para a próxima década e para as oportunidades de negócio que poderão ser realizadas em torno da IoT já no próximo ano. Dados do estudo “A IoT na AL&C 2019: medindo o pulso da Internet das Coisas na América Latina e no Caribe” apontam um crescimento animador nas receitas com IoT até 2021.

Segundo o relatório, os negócios com a IoT passarão de US$ 2,2 bilhões em 2019 para US$ 3,3 bilhões em 2021, representando um crescimento de 50%. Os dispositivos conectados também aumentarão exponencialmente, indo de 178,2 milhões de unidades em 2019 para 415,7 milhões em 2023, um crescimento de 133%.

O estudo realizado pelo Inter-American Development Bank com contribuição da ABINC foi apresentado no IoT Networking Happy Hour de novembro e em breve estará disponível.

Com a finalidade de contribuir com a expansão do ecossistema, a ABINC apresentou neste último encontro o projeto “ABINC Conexão IoT”, uma plataforma digital desenvolvida para integrar a comunidade e fomentar os negócios. Diante desta nova era de oportunidades a associação também lançou uma provocação aos participantes deste encontro: Quais são as oportunidades para o ecossistema de IoT na próxima década?

Para Gustavo Zarife, da Everynet e Fabiano Wiggers, da Aexonis, no começo da década a IoT terá grande destaque na indústria de manufatura e no setor público, melhorando e aumentando a produtividade. Mais para o final da década, veremos mais soluções voltadas à saúde, com impacto no controle de qualidade dos procedimentos nos setores hospitalares, e por fim, na qualidade de vida das pessoas com o crescimento das cidades inteligentes.

O aumento das redes de baixa potência e dos dispositivos conectáveis tem contribuído para elevar o escalonamento de soluções nas cidades e até mesmo no campo, ainda que em um ritmo mais lento. Os executivos ouvidos pela ABINC também apontaram para as oportunidades que serão potencializadas com a entrada definitiva do 5G no Brasil.

Para Carlos Tunes, da IBM, a combinação do 5G com a tecnologia blockchain criará novas oportunidades de mercado e segmentos específicos, principalmente na área de transportes, o varejo e as telecomunicações.

Uma tecnologia que aos poucos está conquistando mercado residencial são os assistentes virtuais comandados pela voz. A tecnologia permite ações pratica em casas inteligentes como acender ou apagar as luzes, e comandar outros dispositivos conectados à rede.

Em breve os assistentes também podem chegar nas empresas, auxiliando e modificando a maneira como algumas tarefas são realizadas, como por exemplo o envio de solicitações ou aprovações de uma operação em uma empresa de logística. Dalton Oliveira da Wardston Consulting acredita que essa tecnologia pode agilizar e facilitar o dia a dia.

Com o crescimento acelerado de sistemas tecnológicos nos próximos 10 anos, espera-se também transformações nos postos de trabalho e nas carreiras profissionais. Para lidar com um mundo cada vez mais digital e automatizado, as pessoas precisaram ser capacitadas e para que isso ocorra, profissionais especializados devem contribuir para a “evangelização” do mercado.

Para Rafael Santiago, sócio da startup SmartMosaic, uma das novas profissões que irão surgir no mercado é o gerente de redes de IoT. Santigo olha para o futuro e vê nele grandes redes de IoT com milhões de dispositivos conectados, e esse profissional seria o responsável pelo bom funcionamento destas redes.

Já para final da próxima década, com a IoT estabelecida no país e empresas operando de maneira totalmente digitalizada, Santiago vê dentro das empresas um profissional no quadro de funcionário com um diferencial sobre os demais, ser aquele que vai identificar os problemas e buscar soluções através da IoT.

“Para nós, é cada vez mais evidente que uma das novas posições que devem surgir no mercado é o solucionador de problemas. Acredito que as grandes empresas já estão olhando para isso. Aquele cara dentro da companhia, que conhece o negócio e que vai identificar o problema. O cara que vai carregar o problema e que vai resolver por meio de IoT. Com certeza, a gente vai ter esse cara que projeta, que entende de negócios, e que vai ajudar a áreas técnicas a implementar soluções”, comentou.

Sem dúvidas a tecnologia tem muito a contribuir na indústria e na vida das pessoas, no entanto, não será sozinha a solução para os inúmeros desafios de hoje e aqueles que ainda estão por vir. É preciso estar preparado para as transformações no mercado fortalecendo também as bases de qualquer negócio, como lembrou Thiago Henry da empresa Alter Assessoria.

“A dica que eu daria para a preparação para essa nova era que se abre é: continuar com essas boas ideias mas não esquecendo das bases fundamentais de todo o negócio. Como faz? Quanto custa? Para onde vai? Como é que está a concorrência? Quais são os próximos passos do teu negócio? Como você se posiciona frente aos outros entes desse mesmo ecossistema para gerar a efetiva sustentabilidade desse tipo de estrutura de negócio para o Brasil, que mais do que nunca, precisar disso nessa próxima hera”, comentou Henry.

Nos próximos anos veremos surgir grandes oportunidades de negócio e grandes transformações no trabalho e na vida das pessoas. Há muito por vir para além da próxima década e a pergunta a se fazer é “Estamos preparados para um era de transformação digital?”

Cláudio Sonaglio da empresa Vermont-Rep, acredita que somos “ingênuos” para o que estar por vir e que não temos uma previsão capaz de definir o quão grande e transformador será o futuro graças a IoT.

E como você e o seu negócio estão se preparando para uma nova era de transformação digital?

Cobertura do IoT Networking Happy Hour de Novembro – Parte 2

Na última semana apresentamos um pouco das oportunidades agregadas no segundo IoT Networking Happy Hour realizado na IoT OpenLabs, (veja aqui). Quando foi apresentado o inédito estudo “IoT na América Latina e Caribe 2019” realizado pelo Inter-American Development Bank com contribuição da ABINC.

Em um evento organizado para a troca de ideias de maneira informal e descontraída não faltou oportunidade para conhecer os diferentes modelos de negócio que buscam soluções para os inúmeros desafios da sociedade, das organizações e do campo. Empreendedores de diferentes tamanhos tiveram a oportunidades de compartilhar suas pesquisas e desafios para os avanços da IoT no Brasil. Assim, contribuindo e expandindo a comunidade de Internet das Coisas.

Para aqueles entrevistados pela ABINC, a conectividade, a disponibilidade de dispositivos e a escalonidade são os principais desafios para os avanços da IoT. Também por essa razão, formar uma grande rede ativa com a participação de produtores de dispositivos e integradores se faz tão importante.

Com quase 40 anos de experiência na área de dados, Oswaldo Conti-Bosso, fundador da BWS Tecnology, empresa especializada na área de rastreamento de veículos, aposta em grandes oportunidades geradas através da Internet das Coisas.

“Hoje eu tenho mais de um milhão de equipamentos de rastreador no Brasil e agora estou lançando equipamentos de IoT, de telemetria, com solução hibrida para LoRa e outros produtos. Essa é a perspectiva do mercado e a visão que eu tenho para as próximas décadas. O mercado anseia por nova soluções disruptivas de tecnologia para a redução de custos somados a melhoria de soluções. Eu vejo com bons olhos as oportunidades que temos pela frente, estou otimista.”

Para Conti-Bosso, o evento foi uma grande oportunidade para gerar contatos e abrir algumas janelas no mercado. O executivo destacou o interesse em capacitar seus técnicos através dos treinamentos oferecidos pelo IoT OpenLabs, assim como torna-se membro da ABINC, interesse compartilhado por outro entrevistado, Ricardo Oliveira, da Tecexpert.

Especializada em soluções de conectividade sem fio através de Wi-Fi, ambiente LoRa e bluetooth. Oliveira destaca que hoje a empresa esta desenvolvendo aplicação para carros autônomos, ambientes autônomos e o AgroMobility (veja aqui),  uma solução portátil que garante conexão ao ambiente de agronegócio.

“O ponto principal é a conectividade. Hoje nós temos uma solução chamada carretinha móvel, que leva conectividade onde não existe a presença de operadoras. Utilizamos soluções de satélite e painéis solares para alimentação, utilizando redes wi-mash para poder promover essa conexão de sensores e equipamentos”, comentou Oliveira.

Sobre os desafios do IoT, o executivo destacou que devido o atual cenário econômico do país, as empresas estão mais seletivas na hora de fazer algum investimento, e que muitas vezes acabam optando por escolhas mal orientadas. Mas através da IoT, informações essenciais para a tomada de decisão como em que investir, pode resultar em medidas efetivas nos processos produtivos.

O diretor da Topcomm, Seido Nakanishi, traz um outro olhar sobre os desafios para expansão da IoT. Ele entende que a IoT é uma dos componentes que compõem uma solução, o elemento essencial para por em prática um projeto de baixo custo.

“Ela pode ser uma tecnologia chave, o elemento que faltava para viabilizar principalmente dispositivos de baixíssimo custo de monitoração e implementação, e assim, conectá-los a rede. Tecnologias convencionais como GPRS ou pacote de dados tornam-se muitas vezes inviáveis. Por exemplo: se cada medidor de água custar R$ 2 por mês para estar conectado já é um problema para a empresa de saneamento”, comentou.

A Topcomm é especializada em soluções customizadas baseadas em sistemas embarcados, utilizando software open source, o que segundo Nakanishi contribui para que os clientes fiquem livres de custo de licenciamentos. Entre os principais projetos desenvolvidos o executivo destacou um sistema na área de radares para uma empresa subsidiária da Embraer e o primeiro sistema de leitura de código de barras da livraria Saraiva.