Futuro da Mobilidade Mundial e no Brasil: IA embarcada e eletrificação dos veículos

A Associação Brasileira de Internet das Coisas, ABINC, realizou em fevereiro o primeiro webinar de 2021, sobre o tema Conectividade, Eletrificação e Veículos Autônomos – Futuro da Mobilidade Mundial e no Brasil.

No webinar o público pôde ouvir as empresas que lideram os avanços tecnológicos no segmento de mobilidade e de veículos autônomos, no Brasil e no exterior. Com a moderação do vice-presidente da ABINC, Flávio Maeda, as palestras foram realizadas por: Alexandre Vargha (Grupo Volvo), Dalton Oliveira (Wardston Consulting), Rogério Pires (Volth Turbo), Alexandre Uchimura (Bosch), Erico Fernandes (Mercedes-Benz) e André Nunes (Zane Eco).

O primeiro case foi apresentado pela Mercedes-Benz. O caminhão Actros, já disponível no mercado, é um veículo conectado com inteligência artificial (IA) embarcada. A tecnologia é empregada, por exemplo, no sistema de break assist. Combinada com uma câmera de alta definição e um radar, o sistema pode frear o veículo sem a interferência do motorista para evitar uma colisão.

A inteligência artificial também é utilizada para o processamento de imagens nas câmeras que substituem os retrovisores convencionais, permitindo que o motorista tenha uma boa visão da parte de trás do caminhão, que pode passar dos 20 metros. O sistema corrige até mesmo a diferença de luminosidade em situações de baixa ou alta iluminação.

A aplicação da IA no caminhão da Mercedes-Benz é uma pequena prova do que poderemos ter com os veículos autônomos. No entanto, o debate sobre o tema sempre resvala em questões como a conectividade, e nesse ponto, os desafios para o Brasil em relação ao 5G é, para alguns, um entrave para o desenvolvimento de aplicações mais modernas como os veículos autônomos.

Para André Nunes e Erico Fernandes a conectividade é sim um desafio, mas existem outros fatores que precisam ser aperfeiçoados antes da entrada da tecnologia. Além disso, cada negócio possui uma necessidade diferente de conectividade para a aplicação da solução. Nem toda aplicação necessita do 5G e no país há diferentes redes estáveis e seguras para o uso de soluções IoT.

“5G é uma questão importante, mas a infraestrutura de antenas também é uma coisa importante, assim como a infraestrutura de segurança. Não adianta, por exemplo, ter 5G e as IoTHUBs disponíveis no Brasil utilizarem oIPv4, como acontece hoje. Existem protocolos de internet 6 muito mais seguros. Existe solução para tudo, eu só acho que falta ainda uma organização, uma visão holística e sistêmica da questão de conectividade e com a participação de todos os players para que isso seja robusto” destacou Erico Fernandes da Mercedes-Benz.

Já na opinião de André Nunes da Zane Eco:

“o 5G vai trazer latência, vai trazer um monte de outras possibilidades, mas ele é uma tecnologia do futuro. Presente hoje no Brasil a gente tem o 3G, que está bem estável e é muito usado. E a depender da aplicação você utiliza o 4G, principalmente em grandes capitais. A própria rede LoRa tem crescido bastante. A gente tem uma corrida mundial sobre o lançamento de satélites para internet e banda larga. Então a conectividade é um desafio, mas nesse contexto, de acordo com a sua necessidade de negócio”.

Eletrificação

A venda de veículos elétricos cresce nos países mais desenvolvidos do mundo e deve saltar dos 2,1 milhões(em 2019) para mais de 60 milhões até 2040. O crescimento vem sendo impulsionado principalmente por mudanças na legislação que tem atuado com mais rigor contra as altas taxas de gases poluentes, e a eletrificação dos veículos é um dos caminhos para a sustentabilidade.

Mas para que a mudança tenha um impacto real no meio ambiente e, consequentemente nas vidas das pessoas, é preciso uma transformação em toda infraestrutura de carregamento e geração de energia. Outra questão quanto ao carregamento dos veículos elétricos diz respeito à capacidade de abastecimento. Existem projetos onde geradores a diesel são usados como backup caso não se tenha energia elétrica suficiente para abastecer a frota.

O caminho para a confiabilidade nos veículos elétricos, segundo Rogério Pires, da Voith Turbo, está na evolução do sistema híbrido. Combinando combustíveis alternativos como, por exemplo, o etanol e o biometano ao sistema mildhybrids, já utilizado nos veículos mais modernos. A alternativa vai de encontro a projetos de mobilidade sustentável com foco no sistema, combinando soluções sem perder o foco na confiabilidade.

“A gente pode partir para caminhos de eletrificação, pode partir para combustíveis alternativos. Nós podemos mixar os dois.Nos casos de veículos híbridos nós já temos o MildHybrids. O etanol é o grande exemplo de solução que a nossa engenharia local trouxe e hoje na parte de veículos de passageiros a combinação do etanol com o MildHybrids é o que existe de mais ecologicamente correto no momento”, Rogério Pires, Voith Turbo.

Na parte dois desse artigo resumido do webinar falaremos sobre as baterias e a importância dos dados no contexto dos veículos autônomos.

Este webinar foi organizado e curado pelo Comitê de Auto & Mobilidade Urbana da ABINC, que tem como missão atuar como um agente ativo e de transformação abrangendo temas de tecnologia automotiva e de mobilidade conectada atuando nos segmentos:

  • Arquitetura e Desenvolvimento de Soluções de Sistemas Inteligentes e Integrados ao Ecossistema Automotivo;
  • Segurança e Privacidade de Dados;
  • Pesquisa e Inovação;
  • Mercado e Regulamentação;
  • Educação e Formação Continuada.

Saiba mais sobre o Comitê, aqui.

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Hospitais utilizam IA para mitigar a transmissão do novo Coronavírus entre os profissionais de saúde

Profissionais de saúde estão trabalhando exaustivamente em todo o mundo para salvar a vida daqueles que foram contaminados pelo novo coronavírus. Verdadeiros heróis neste esforço de guerra, os profissionais da saúde relatam um cenário angustiante para salvar a vida dos enfermos. Há muito estresse no ambiente hospitalar, e a saúde mental destes trabalhadores passou a ficar comprometida.

E o que é ainda pior, aqueles que estão na linha de frente do combate à pandemia também se tornaram uma das principais vítimas da doença, sendo milhares de profissionais contaminados pela Covid-19. Especialistas em contaminação viral acreditam que, mesmo utilizando EPIs especiais – isso quando disponível – os trabalhadores da saúde estão expostos a uma grande quantidade de vírus, tornando a capacidade de transmissão maior, assim como a gravidade da doença.

Estudos preliminares realizados em países diferentes indicam que o coronavírus contamina entre 4% e 12% da força de trabalho da saúde. No entanto, os números podem variar muito em cada país. Segundo a BBC Brasil, no Reino Unido há hospitais com mais de 50% da equipe de algumas áreas doente. Sem controle, os hospitais podem se tornar centros de disseminação da Covid-19.

Diante mais esse desafio, autoridades do setor e empresas de tecnologia somaram esforços para mitigar a transmissão da doença em hospitais e unidades de saúde. Sistemas inteligentes conectados a uma rede de compartilhamento de dados e suporte com inteligência artificial (IA) estão tornando a nova rotina dos profissionais de saúde menos exaustiva, desde a triagem dos pacientes a avaliação dos casos prioritários em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A avaliação precisa de risco é fundamental na hora de determinar os sintomas daqueles que buscam atendimento médico. Para aliviar a demanda por atendimento a Microsoft, em parceria com uma das maiores redes hospitalar dos EUA, criou uma ferramenta de triagem por chatbot capaz de diferenciar rapidamente aqueles que estão com sintomas da Covid-19 e aqueles que estão com sintomas de doenças menos graves. Apenas na primeira semana a ferramenta atendeu mais de 40 mil pacientes.

Na Florida (EUA), um hospital esta utilizando câmeras capazes de fazer varredura termina facial, detectar suor e descoloração daqueles que passam pela entrada, para isolar os pacientes com sintomas do coronavírus. O Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, está utilizando IA para agilizar o diagnostico de coronavírus. O algoritmo foi desenvolvido em parceria com cientistas da Universidade de São Paulo (USP).

Outras iniciativas foram tomadas, como o uso de um intérprete de tomografia computadorizada orientado por IA que identifica o Covid-19 quando os radiologistas não estão disponíveis. E robôs inteligentes para entregar remédios e alimentos aos pacientes. Estas medidas adotadas por hospitais na China, como forma de aliviar a exposição dos profissionais ao coronavírus. 

A Inteligência Artificial está colaborando para preservar a vida dos profissionais de saúde e salvar a vida daqueles que mais necessitam dos cuidados médicos. Ainda que a tecnologia possa auxiliar as tomadas de decisões, ela não exclui o atendimento humano nas redes hospitalares.

Referências: The Wall Street Journal, Tribuna de Minas , Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade