Oportunidades para as cidades inteligentes solucionarem problemas provocados pela pandemia

Os projetos de cidades inteligentes foram impactados em todo o mundo pela pandemia de Coronavírus e voltam a ganhar força à medida que pesquisadores e desenvolvedores se concentram nas soluções com maior impacto para essa nova realidade.

Assim como as atividades comerciais e industriais tiveram que se adaptar e continuam a buscar alternativas para se manterem de pé, os projetos de Cidades Inteligentes deram uma guinada ao direcionar todo os esforços para resolver os problemas que afetam o coletivo. Todos que trabalham na transformação das cidades estão se debruçando para mitigar os problemas causados pela pandemia, isso provocou uma mudança no cenário de inovação, fazendo com que ideias mais conceituais perdessem espaço.

“A pandemia desacelerou tudo aquilo que não era emergencial, o que era inovação por inovação. Mas algumas aplicações que efetivamente resolvem a vida dos cidadãos foram muito aceleradas. Projetos de cidades inteligentes que são compatíveis com esse novo cenário estão sendo pensados e estão sendo encaminhados com muita seriedade”, afirmou Aleksandro Montanha, presidente do Comitê de Cidades Inteligentes da Associação Brasileira de Internet das Coisas – ABINC.

Montanha participou do quadro de tecnologia da Rádio CBN Maringá apresentando sua visão sobre as mudanças provocadas pela pandemia no planejamento tecnológico das cidades. O especialista em tecnologia aproveitou a oportunidade para apresentar essas novas oportunidades para os projetos de cidades inteligentes pensadas para melhorar a vida das pessoas em uma nova realidade onde se prioriza o adensamento das cidades.

Trechos da participação de Aleksandro Montanha na CBN

Cidade de 15 minutos

O conceito não é novo, e vem sendo debatido há algumas décadas. Trata-se de reorganizar os centros urbanos para atender a demanda da população dentro de microrregiões. A ideia é que todo tipo de atendimentos públicos e privados estejam em até 15 minutos dos lares. Isso evitaria grandes aglomerações em transportes públicos e criaria mais áreas para que as pessoas pudessem circular com segurança sem automóveis, como calçadões e ciclovias.

Em alguns países as redes de supermercado estão adotando o conceito dentro de sua estratégia logística para se aproximar mais do cliente final. Pulverizando as unidades de loja em pequenos mercados, pequenas farmácias, o serviço passa a ser mais bem personalizado a demanda local.

A ideia também abriu espaço para o uso de veículos autônomos nas entregas, outra realidade ainda distante do Brasil, mas que segundo Montanha pode se tornar possível assim que tivermos investimentos fortes nesta área ou algum tipo de benefício fiscal para alavancar a aplicação.

Com centros urbanos cada vez maiores, e fluxo intenso nos meios de transporte, as pessoas não querem ficar aglomeradas em transportes públicos, principalmente durante uma pandemia. A ideia é você ter todos os tipos de soluções e atendimentos públicos e privados em até 15 minutos de onde você e esta é uma tendência mundial.  A tendência é reorganizar as áreas urbanas.

A cidade inteligente é assim, não é só desenvolver e aplicar a tecnologia, ela tem que ser o meio. O fim é resolver os problemas das pessoas com a tecnologia e é isso que está acontecendo. Agora nós temos mais diretrizes, tem o governo bem mais alinhado com a tecnologia por que ele já entendeu que ela resolve muitas coisas. A tendência é que a gente tenha mais planejamento urbano, mais planejamento de atendimento de microrregiões.

Mercado de eletrônicos

Algumas das transformações na sociedade causadas pelo coronavírus foram absorvidas pelo mercado, principalmente o de eletrodomésticos, que incorporou em seus aparelhos a função de descontaminação. O que se tornou necessário em nossa rotina agora também é transformado em produtos e serviços disponíveis para as pessoas. Essa função, por exemplo, já está disponível em ar-condicionado e robôs que limpam a casa.

Saúde

A inteligência artificial vai trazer muitas outras aplicações que não imaginávamos que poderiam ser realizadas por um computador ou sendo auxiliadas por um, como, por exemplo, a realização de consulta médica online. Em pouco tempo, mesmo as consultas médicas presenciais, serão assistidas por algum tipo de IA. É um momento de transformação, a tecnologia está ai e todas as empresas de todas as áreas irão utilizar esse tipo de recurso.

Segurança

Não existe um ambiente 100% seguro, ainda assim há varias medidas que se pode tomar para tornar o ambiente um pouco mais seguro e tranquilo nas suas operações e transações. Uma coisa que se tornou uma premissa para que o Brasil possa realizar suas transações e seus negócios internacionais é a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Com ela, aqueles que são responsáveis pelo sistema ou pela operação do sistema terão que oferecer muito mais segurança para o usuário final.

Muitas destas informações agora devem se tornar anônimas. Não pode mais guardar nenhum tipo de dado pessoal do cliente, não pode guardar nada que o identifique. Isso por si só já trás um tipo de segurança. Nós estamos passando por um período de transição, muitos destes problemas que temos hoje com segurança serão resolvidos, mas outros estão por vir. Estamos agora sendo bombardeados por uma série de inovações envolvendo o hardware, o que chamamos de IoT. Esses hardwares são de fabricantes diferentes e muitas vezes nós não conhecemos o que estão colocando ali dentro. Isso tudo tem que ser resolvido. Mas é um processo de transição e aprendizado e eu acredito que as pessoas terão muito mais cuidado para fazer as transações. Os próprios softwares são um pouco mais seguros para que você possa digitalizar sua vida sem se preocupar muito.

Emprego

A transição econômica vai gerar desemprego, porque tem muitas pessoas que são especializadas em realizar atividades que podem der substituídas pela tecnologia. A substituição traz economia para as empresas e consequentemente o desemprego. Mas também gera outras oportunidades. A área de tecnologia – de entendimento da tecnologia, não necessariamente você precisa ser da área – está muito carente de mão de obra e é uma mão de obra que paga bem. A tecnologia tem gerado oportunidades de trabalho que tem um valor agregado maior.

Retrospectiva 2020: Comitê de Cidades Inteligentes

A Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC) trabalha para promover interesses e negócios com IoT através de diversos comitês de trabalho. Atualmente existem nove comitês ativos na instituição, são eles: agronegócio, auto & mobilidade urbana, dados & IA, jurídico, manufatura, redes, segurança, saúde e também o de cidades inteligentes, lançado em junho deste ano.

Na oportunidade, os especialistas no tema debateram o papel da tecnologia para a transformação de uma cidade inteligente. Com mediação do presidente da ABINC, Paulo José Spaccaquerche, o webinar contou com a presença do Presidente do Conselho de Cidades Inteligentes da ABINC, Aleksandro Montanha.

Também participaram: o Diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital na Secretaria de Empreendedorismo e Inovação, José Gustavo Sampaio Gontijo; o Gerente Técnico e especialista em IoT da Intel Brasil, Fabiano Sabatini; o autor de cinco livros relacionados ao tema de tecnologia e inovação, André Telles e o Manager do Smart City Expo Curitiba, Beto Marcelino.

Para os especialistas nenhuma cidade se torna inteligente de maneira imediata ou mesmo com a adoção de uma tecnologia disruptiva. É preciso um olhar profundo para a cidade, entender onde a tecnologia pode melhorar o dia a dia dos cidadãos que vivem e trabalham nela. Esse é o ponto mais sensível para os gestores, já que a tecnologia por si só não é capaz de transformar uma cidade em uma Smart City.

É preciso gerenciar com expertise cada sensor instalado na cidade para que os benefícios de sua adoção possam ser sentidos pelas pessoas, mesmo quando elas não saibam que estão utilizando a tecnologia. Um exemplo disso são câmeras de monitoramento, que podem enviar alertas para as autoridades de segurança, caso o sistema utilizando inteligência artificial detecte uma eventualidade suspeita.

No Paraná, algumas aplicações contribuíram para minimizar o impacto do distanciamento social provocado pela pandemia do coronavírus. O aplicativo Paraná Serviços está conectando clientes e prestadores de serviço como eletricistas, bombeiros hidráulicos e muitos outros. O App já recebeu mais de 30 mil downloads. Neste momento onde a solidariedade é ainda mais importante, doadores e entidade beneficentes também estão se conectando diretamente através de um aplicativo para smartphone.

Através do App Paraná Solidário as pessoas podem direcionar doações como roupas e alimentos às instituições que mais precisam. Dessa forma, os municípios não precisam se preocupar com o armazenamento e a logística dos materiais. Esses são apenas alguns exemplos de como a tecnologia pode contribuir para melhorar a vida de todos e assim tornar as cidades cada vez mais inteligentes.

Os retornos sobre o investimento em IoT não são apenas financeiros, mas também sociais. Porém, para que a tecnologia possa ter impactos mais profundos em nossa sociedade também precisamos de um grande programa de qualificação que englobe a todos os cidadãos. É claro que isso requer um grande investimento para o país, mas quando as pessoas compreenderem melhor as novas tecnologias e suas aplicações melhor será o seu aproveitamento.

Caso você não tenha consigo participar da transmissão ao vivo, você pode assistir a gravação clicando aqui.

Cidades inteligentes crescem pelo mundo com demanda para tecnologias que ajudem as pessoas

As cidades inteligentes multiplicam-se pelo mundo principalmente na Europa, América do Norte e Ásia, e hoje estão presentes em mais de 80 países em todo o globo. Recentemente, o Centro de Globalização e Estratégia do Instituto de Estudos Superiores da IESE, analisou 174 cidades inteligentes, ranqueando-as em categorias diferentes.

Foram considerados índices fundamentais para uma vida verdadeiramente sustentável na cidade: capital humano (cultivo, desenvolvimento e atração de talentos), coesão social (consenso entre os diferentes grupos sociais de uma cidade), economia, meio ambiente, governança, planejamento urbano, alcance internacional, tecnologia e mobilidade e transporte (facilidade de movimento e acesso a serviços públicos).

O ranking consolidou a ideia de que uma cidade inteligente deve utilizar a tecnologia para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, principalmente os mais necessitados, utilizando o melhor das inovações para alcançar mais pessoas e gerar impactos menores ao meio ambiente.

Aliado ao planejamento urbano, o desenvolvimento tecnológico é essencial para o desenvolvimento de cidades inteligentes sustentáveis. De acordo com um relatório da IDC, os gastos globais com iniciativas de cidades inteligentes devem crescer para US$ 158 bilhões até 2022, à medida que as cidades continuam investindo em hardware, software, serviços e conectividade que permitem recursos de Internet das Coisas (IoT).

Segundo a IoT Analytics – empresa líder em pesquisa e informações de mercado para IoT – a Europa lidera a lista de projetos de cidades inteligentes, capturando quase 50% da base global de projetos. Por muitos anos, as iniciativas de cidades inteligentes têm sido uma prioridade para os líderes e empresas. Resultando na criação da Iniciativa Europeia de Cidades Inteligentes, em 2011, para apoiar projetos com foco especial na redução do consumo de energia na Europa.

De olho no crescimento das cidades inteligentes, o EUA investiu cerca de US$ 22 bilhões no mercado de tecnologias para as smart cities, em 2018.  Logo atrás, a China realizou investimentos que chegaram a quase US$ 21 bilhões. Os dois países compartilharão uma trajetória de crescimento semelhante com taxas de crescimento anual composto de cinco anos (CAGRs) de 19,0% e 19,3%, respectivamente. As regiões que verão o crescimento mais rápido dos investimentos são América Latina (28,7% CAGR) e Canadá (22,5% CAGR).

Projetos no Brasil

Mesmo sem um grande projeto, o Brasil possui boas iniciativas que se destacam no campo da mobilidade urbana, principalmente na região sudeste, com as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais aparecendo nos principais rankings de cidades inteligentes. As cidades de Curitiba e Brasília também figuram nas listas.

Outra iniciativa de destaque é o conjunto habitacional Laguna EcoPark, no Ceará, primeira cidade inteligente do mundo voltada para a habitação social. Com base em quatro pilares: arquitetura, meio ambiente, tecnologia e inclusão social.

A cidade vai contar com coleta de lixo inteligente, wi-fi liberado em todas as áreas institucionais e piso intertravado (que deixa a água da chuva correr para o solo). A cidade também terá sistemas de reaproveitamento da água, irrigação automatizada de acordo com o clima, fiação elétrica subterrânea e locais que produzem energia cinética — gerada por movimentos do corpo. Em relação ao transporte, serão implantados sistemas de bike sharing e compartilhamento de carros.

A cidade de Campinas é outra que receberá investimentos de Internet das Coisas aplicada ao ambiente urbano. O projeto-piloto será financiado em parte pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e terá como foco soluções de IoT em segurança e iluminação pública. A expectativa é que as tecnologias testadas gerem impactos positivos – como aumento da segurança, redução de gastos com energia e ampliação na oferta de serviços prestados – e possam ser adotadas por outras cidades com características semelhantes.

Selecionada na chamada lançada em 2018, a iniciativa será conduzida pela Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD) e realizada em parceria com a Prefeitura de Campinas. Com investimento total de R$ 9,89 milhões – sendo R$ 2,98 milhões aportados pelo BNDES em recursos não-reembolsáveis – o projeto contempla os testes de uso e iniciativas de divulgação e fomento à cadeia de soluções de IoT, como a criação de um centro de demonstrações, publicação de resultados e realização de encontros entre startups e potenciais interessados nos serviços.

Planejamento é necessário

A tecnologia tem o poder de tornar nossas vidas muito mais simples, no entanto, a implementação dessa tecnologia deve ser feita de maneira cuidadosamente planejada e altamente segura. Ao invés de focar apenas na tecnologia por si só, é necessário buscar a solução de problemas através da tecnologia.

Segundo o instituto Gartner, para atender às necessidades dos cidadãos e para o desenvolvimento de novas cidades inteligentes, tecnologias como chatbots (robôs de atendimento) e de machine learning (aprendizado de máquina) são essenciais para entender as necessidades dos cidadãos e até mesmo engajá-los nesse processo. Com a análise dos dados de big data coletados é possível criar algoritmos que aprimoram a interação dos moradores com as cidades inteligentes.

Uma cidade verdadeiramente inteligente é capaz de melhorar a qualidade de vida de todos, mas esse resultado só será alcançado com a união entre tecnologia, governança e comunidade.

E a sua empresa, está desenvolvendo algum projeto de IoT para Cidades Inteligentes? Caso positivo, envie um e-mail para [email protected] para realizamos uma matéria com você!

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Com informações: Forbes e BNDES
Foto: Fernanda Sunega/Divulgação Prefeitura de Campinas

Como as cidades inteligentes podem se beneficiar com os carros autônomos?

Por Dalton Oliveira

Texto originalmente publicado na Newsletter de Julho de 2019 do IEEE IoT (Institute of Electrical and Electronics Engineers).

O conceito de cidades inteligentes é mais do que apenas implementar tecnologias sejam elas novas e/ou conhecidas − estas são cidades digitais. Quando falamos de algo inteligente, estamos falando sobre a capacidade de conectar tecnologias, lidar com dados e agregar valor − no caso das cidades inteligentes, trazendo valor para cidadãos e governos.

As cidades inteligentes começam pelas casas inteligentes. Com base em dados das casas inteligentes sobre o consumo de serviços básicos pelos cidadãos (por exemplo: água, gás, eletricidade, esgoto, internet banda larga, etc.), os governos e prestadores de serviços podem analisar, tomar decisões e agir, fornecendo, de maneira equilibrada, a carga adequada de serviços para as cidades e para os cidadãos. Quando falamos de casas inteligentes e cidades inteligentes, qual é a primeira coisa que vem à mente senão mobilidade? A mobilidade é um fator crítico para as grandes cidades em todo o mundo. Então, como os carros autônomos podem beneficiar as cidades inteligentes?

Tecnologia + Carros = Oportunidades

Todos nós temos lido sobre carros conectados e autônomos e seus benefícios − desde a diminuição de acidentes de carros, até tornar a vida das pessoas mais otimizadas, pela integração com outras tecnologias. Este é um vasto assunto a ser explorado. Ao mesclar os carros com tecnologias emergentes como a internet das coisas (IoT), a Inteligência Artificial (AI), o machine learning (ML), o deep learning (DL), não há limitações para a criatividade, para a inovação; e eu não estou falando apenas de experiências do usuário, estou falando também sobre os insights fornecidos por todos os dados envolvidos. Estou falando sobre novos modelos de negócios (mesmo para as marcas existentes), sobre oportunidades para empreendedores desenvolverem novos produtos e novos serviços, sobre abastecer governos com dados gerados para tomar decisões corretas e rápidas, e sobre oportunidades para P&D de produtos e também para engenheiros de aplicação. Como podemos ver, existem novas oportunidades (que incluem novas carreiras) para todo o ecossistema − aquelas direta e mesmo indiretamente envolvidas. Em outras palavras, este é um novo estilo de vida para os usuários e para novos negócios que vão surgindo tão rápido quanto podemos imaginar. Você está preparado para isto?

Os carros conectados e a cidade

Carros conectados estão ao nosso redor há alguns anos. Por exemplo, usando a internet das coisas (IoT) é possível prever a manutenção preventiva e até mesmo a corretiva dos carros, e (sim) fornecer insights e insumos para as cidades inteligentes – eu vou lhes dizer como.

Figura 1: Vista em 3D do Google Earth de um distrito de São Paulo / Brasil (Créditos: Wardston Consulting, Dados do mapa: Google, DigitalGlobe).

A Figura 1 mostra uma área de uma cidade dividida em 4 quadrantes (com características muito semelhantes). Um usuário (U1) de um carro conectado (CC1) em um quadrante (Q1) vai para manutenção com maior frequência do que o de outro usuário (U2) do mesmo modelo de carro conectado (CC2) em outro quadrante (Q2). Existem várias hipóteses, mas os engenheiros preferem se basear em dados, e os dados dos carros conectados contam algumas histórias (com base em um contexto conhecido):

  • A velocidade média de (1) é maior que a de (2);
  • O tempo médio entre o ponto de origem e o ponto de destino de (1) é maior que o de (2);
  • O consumo médio de combustível de (1) é maior que o de (2);
  • A mudança de marchas média de (1) é maior que a de (2);
  • Mais alguns dados.

Com base nos poucos dados mostrados acima, parece que as ruas dos quadrantes Q1 e Q2 não são tão semelhantes como poderiam ser. Uma análise in-loco detectou que elas realmente não são semelhantes: Q1 tem mais lombadas e buracos do que Q2.

Figura 2: Lombada

Visto isso, é possível fornecer insights e informações para o governo local:

  • Criar mais postos de abastecimento de combustível em Q1;
  • Criar o tipo de lombada capaz de transferir energia do impacto mecânico dos pneus dos carros para engrenagens conectadas, para, por exemplo, gerar energia elétrica;
  • Muitos outros insights e informações.

As lombadas são feitas pela prefeitura, mas os buracos não são – a prefeitura deve consertá-los. Mas, para corrigi-los, é necessário saber onde eles estão.

Os carros autônomos beneficiam as cidades inteligentes

Os carros autônomos podem colher, processar, enviar e receber dados para tomar decisões e para agir. Um ecossistema complexo para lidar com grandes volumes de dados, sistemas de missão-crítica e totalmente conectadas em tempo real, mesclando internet das coisas (IoT), inteligência artificial (AI), machine learning (ML), deep learning (DL) fazem todas essas coisas trabalharem juntas.

Figura 3: Entendendo a relação existente entre inteligência artificial -IA, aprendizado das máquinas -AM, aprendizado profundo -AP (Créditos: IEEE Communications Society).

A visão computacional com modelos de machine learning (ML) treinados para detectar e reconhecer as coisas a serem evitadas (buracos) e não colidir (com outros carros, pessoas, objetos, etc.) é parte do complexo bloco cognitivo dos carros autônomos.

Figura 4: Buracos nas ruas podem ser detectados e reconhecidos pela visão computadorizada –VC.

Além disso, quando os carros autônomos estiverem circulando e tomando decisões e agindo, eles podem alimentar com dados a prefeitura e quem mais estiver interessado em trabalhar em conjunto para construir uma comunidade melhor:

  • Quando os carros autônomos identificarem buracos, eles poderão ajustar suas velocidades para causar menor dano ao veículo e poderão mapear a localização e o tipo dos buracos, a fim de notificar a prefeitura para tapa-los;
  • Quando os carros autônomos identificarem lombadas, eles poderão ajustar suas velocidades para causar menor dano ao veículo, além de mapear a localização das lombadas − para notificar a prefeitura para analisar e cruzar essas informações com várias outras (por exemplo, áreas com alta incidência de acidentes versus o número de lombadas, e fazer outras análises);
  • Muitas outras análises a fim de criar, gerenciar e produzir cada vez mais informações (para diversas finalidades).

É possível expandir a analogia dos 4 quadrantes anteriormente mencionados, dividindo a cidade em pequenas áreas, cada área com seus 4 quadrantes. Os carros autônomos que vão do ponto A para o ponto B, para o ponto C e para o ponto A, estão entrando e saindo de vários quadrantes, o que faz deles estações remotas que reúnem informações e que enviam esses dados para alguma nuvem, para algum banco de dados, para construção de um registro histórico de, por exemplo, temperatura em tempo real, chuva, neve, qualidade do ar, radiação UV e outros dashboards de dados climáticos – eu estou falando de dados em tempo real, não previstos (leiam mais sobre um dos meus projetos de IoT+AI/chatbot para cidades inteligentes chamado Smartytempy).

Por exemplo, fornecendo informações em tempo real sobre a qualidade do ar para um serviço de aluguel de bicicletas e patinetes, para notificar os usuários se a área está adequada ou não. E, com dados suficientes, é possível prever algum desastre natural e agir antes que ele aconteça. Se a rua ou estrada tiver neve ou enchente, usando realidade aumentada (AR) − com dados previamente mapeados − quando os olhos humanos por vezes não conseguirem ver os riscos, é possível mostrar na tela do carro ou do smartphone os perigos que estiverem alguns metros à frente. Como podemos ver, há muitos benefícios dos carros autônomos para as cidades inteligentes.

Lembrem-se: Quando falarmos de dados, big data, nuvem, banco de dados e coisas relacionadas, o importante é ter em mente que: dados e números por si mesmos não nos contam histórias, as histórias são construídas com base em um contexto conhecido em adição dos dados e números.

A pergunta de 1 bilhão de dólares

Visto isso, a quem pertence os dados?

 

Sobre o autor: Dalton Oliveira é engenheiro eletrônico que trabalha como Consultor, Mentor, Palestrante Global em Transformação Digital (aplicação, produto, projetos, processos, engenharia) para a Wardston Consulting. Ele foi premiado Top 3 IoT World Series (competindo com Siemens, AT&T, Bayer e outras) e Facebook Testathon Best Product Idea. Ele tem experiência em projetos e produtos globais de missão-crítica com budget de bilhões de dólares para empresas globais (bens de consumo, telecom, equipamentos científicos), governos e universidades desde 2002. Para a internet das coisas (IoT) e inteligência artificial (AI), alguns dos seus projetos autorais estão instalados desde o Vale do Silício até Nova Iorque. Palestrante convidado do evento IoT World Series em Atlanta/USA, escritor convidado na IoT Manufacturing em Cincinnati/USA, juiz convidado na The George Washington University em Washington/DC. Mencionado em publicações acadêmicas da Universidade da Arábia Saudita + MIT/USA, entrevistado pela Revista Riviera (com exclusividade em 1/3 de página), entrevistado pela TV Cultura (noticiário de TV, horário nobre, cobertura nacional). Contate-o no LinkedIn e no website da Wardston.

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Cidades inteligentes com soluções baseadas em IoT

Com o crescimento populacional, a conectividade está se tornando uma tecnologia primordial para administração das grandes cidades. Nesse cenário, a internet das coisas (IoT) é aposta para tornar as cidades cada vez mais inteligentes.

Segundo José Alvarez, vice-presidente de desenvolvimento de negócios estratégicos da Laird, a expectativa é que, até 2030, existam 41 megacidades no mundo, com cerca de 2,5 bilhões de habitantes.

“Precisamos de cidades, automóveis e dispositivos inteligentes para vivermos esse novo momento de urbanização que o mundo está passando”, disse, em entrevista exclusiva ao Futurecom All Year. “E os negócios também precisam aumentar a produtividade e melhorar a eficiência e a segurança do que fazem. É aí que entra a internet das coisas.”

Diante dos dados apresentados e levando em considerando a cidade em que vivemos, logo é possível imaginar as milhares de pessoas que estarão disputando espaço no transporte público, no sistema de saúde, em restaurantes e áreas de lazer, no trânsito.

Haverá mais indivíduos se esbarrando em calçadas, seguindo seus próprios caminhos e objetivos. A demanda por recursos também avança: o consumo de energia vai subir 36% até 2035, em um ambiente no qual a emissão de gases do efeito estufa aumentou 7 vezes no último século.

Sem otimização dos recursos, organização e redução de desperdícios, fica muito difícil não projetar um futuro imerso no caos. Por esta razão, agregar tecnologia aos serviços públicos, sob o conceito de cidade inteligente (smart city) e IoT, não é uma mera evolução, mais sim, questão de sobrevivência para toda a sociedade.

O conceito de cidade inteligente não se trata apenas da oferta de conexão de alta capacidade em Wi-Fi em ambientes públicos. O objetivo é repensar o funcionamento da cidade, de forma integrada e com auxílio da tecnologia, para que haja o mínimo desperdício de tempo, recursos e que permita uma conectividade de forma fácil, segura e rápida de qualquer lugar do planeta. Trata-se de otimizar a capacidade gerencial e a qualidade de vida dos cidadãos, com auxílio da digitalização.

Características tecnológicas das cidades inteligentes

Conectividade: para as cidades físicas, é essencial a construção de estradas e avenidas como primeiro passo, para que as mesmas cresçam e prosperem. O mesmo vale para a digitalização das cidades quando se trata de conectividade.

Palavras como banda larga, fibra óptica e Wi-Fi resumem a garantia de conexão à internet. O primeiro passo de  uma cidade inteligente. Graças à evolução das tecnologias, já somos capazes de garantir conectividade através de redes híbridas, utilizando o que há de melhor em conexões por satélite, redes MPLS e a própria internet (banda larga ou até mesmo 3G/4G).

Com isso, os diferentes equipamentos de IoT se tornam inteligentes e geram dados e comunicação machine to machine (M2M) que otimizam processos e garantem informação em tempo real a todos os envolvidos: dos cidadãos aos gestores;

Segurança da informação: com cada vez mais dependência dos recursos digitais, os processos da cidade ficarão mais expostos ao cibercrime, deixando governos mais vulneráveis a todo o tipo de ameaça.

Para garantir a segurança do sistema e dos cidadãos, é necessário um forte aparato tecnológico, que trabalhe na detecção proativa, na prevenção, remediação e reeducação cognitiva da própria rede para prevenir invasões, alterações nas dinâmicas dos serviços públicos e roubo de informações;

Visibilidade: os gestores precisam saber o que está acontecendo em todo o ambiente da smart city. Isso é possível como tecnologias de monitoração, análise de tráfego e otimização de consumação de banda.

Com uma visão generalizada sobre o funcionamento e demanda dos serviços, é possível identificar pontos de melhorias e otimização de processos, assim como entender para que e como está sendo utilizada a rede.

Acesso à nuvem: todos estamos ligados à nuvem de alguma forma, pessoas, empresas e “coisas”. Portanto, é importante que as cidades inteligentes estejam prontas para essa conexão aos diversos provedores de serviço em cloud de forma rápida, segura e transparente para seus cidadãos.

Canadá e Dinamarca lançam rede nacional de IoT

O Canadá e a Dinamarca estão próximos de se tornarem os primeiros países com uma rede nacional de internet das coisas cobrindo todas as extensões de seus territórios. Com a implementação da rede será possível conectar milhões de dispositivos individuais que mudaram para sempre a maneira como as empresas e as cidades operam.

Na América do Norte, a empresa responsável pela implementação do sistema está aproveitando a tecnologia de rede de área ampla de baixa potência (LPWAN), com capacidade para milhões de sensores de IoT, beneficiando um ecossistema atual de mais de 693 diferentes sensores ativados por IoT para fornecer soluções de conectividade costa a costa em todo o país.

A combinação da rede nacional e centenas de dispositivos proporcionará às empresas canadenses uma conectividade simples e econômica para ajudar a impulsionar a eficiência em praticamente qualquer área de seus negócios.

O serviço já foi lançado em oito das dez províncias canadenses, e estará disponível em todo território até o final de julho. Agilidade na instalação é possível devido a capacidade da equipe envolvida em criar cobertura de rede em quase todas as áreas dentro de 90 dias.

Quando estiver finalizada, a rede atenderá mais de 14 milhões de canadenses de costa a costa em cidades, aeroportos e universidades em todo país. Cada estação base da rede cobre vários quilômetros quadrados sendo capaz de receber até 10 milhões de mensagens por dia.

Para superar os desafios que estão atrasando a proliferação da IoT no Canadá, a empresa responsável optou por um sistema de baixo custo, usando dispositivos que exigem energia mínima e tecnologia de comunicação simples para fornecer conectividade a qualquer dispositivo ou objeto.

Na Dinamarca  a rede que em breve irá cobrir todo o país deve permitir que as aplicações em IoT abranjam uma variedade de setores, incluindo a medição inteligente, agricultura inteligente, construção inteligente e aplicações de cidade inteligente.

Associado da ABINC tem como benefícios:

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Referências: IoT News, WND Group, Futurecom, E-commerce News